Polícia descobre clube recreativo na Zona Norte e pousada em Búzios usados pelo CV para lavar dinheiro do tráfico - QTU Questões do Universo

Polícia descobre clube recreativo na Zona Norte e pousada em Búzios usados pelo CV para lavar dinheiro do tráfico

Fonte: Bandeira da fonte

O Comando Vermelho (CV) teria utilizado um clube recreativo na Zona Norte do Rio e uma pousada em Armação dos Búzios para lavar dinheiro do tráfico de drogas em um esquema que movimentou mais de R$ 11 milhões, segundo a Polícia Civil.
A corporação deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Quimera para cumprir mandados de busca e apreensão e desarticular a estrutura financeira da organização criminosa.
As investigações apontam que aliados da facção chegaram a assumir, de forma informal, a administração do clube, controlando eventos, movimentações financeiras e decisões internas.
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A operação é conduzida por agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Os policiais cumprem mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos.
A Justiça também foi acionada para determinar o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A ação conta ainda com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e integra a Operação Contenção, estratégia do Governo do Estado voltada para conter o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho.
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Alvo de intimidação
De acordo com a investigação, o caso começou após dirigentes de um clube denunciarem que vinham sofrendo ameaças para deixar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico de drogas.
As diligências apontaram que as intimidações partiam da liderança do tráfico local.
Além da tentativa de assumir o comando do clube, o grupo criminoso exigia o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o estabelecimento continuasse funcionando sem sofrer represálias.
No decorrer das investigações, os agentes identificaram indícios de um esquema semelhante em outro clube recreativo, que se tornou o principal alvo da Operação Quimera.
Segundo a Polícia Civil, pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido informalmente a administração do local, passando a controlar eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.
Núcleo familiar
As apurações também identificaram um núcleo familiar apontado como responsável pela gestão financeira paralela do clube.
Segundo a investigação, cada integrante exercia uma função específica dentro da estrutura.
Um dos investigados seria o principal operador financeiro da organização criminosa.
Outra investigada atuava na administração paralela do clube.
Um terceiro alvo exercia funções de gestão e movimentou cerca de R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, apesar de não possuir atividade empresarial formal compatível com esse volume financeiro.
Outro investigado realizou aproximadamente 40 transferências via PIX, que somaram R$ 240 mil.
Conforme a Polícia Civil, ele figura como autor em cerca de 20 procedimentos policiais, muitos deles relacionados a roubos de carga.
A investigação também identificou uma quinta investigada que movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões no período de seis meses, embora declarasse exercer a função de recepcionista, com renda aproximada de R$ 3,2 mil.
Ainda segundo os investigadores, ela recebeu cerca de R$ 253 mil de um dos alvos da operação em seis transferências realizadas no mesmo período.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelou, segundo a Polícia Civil, movimentações milionárias incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos investigados.
Os documentos também apontam intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX, características que, de acordo com a investigação, indicam possível ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Pousada em Búzios
As investigações identificaram ainda a ligação do grupo criminoso com uma pousada em Armação dos Búzios, que, segundo a Polícia Civil, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
O estabelecimento possui estrutura considerada de pequeno porte, com 16 quartos, cinco funcionários e diárias de aproximadamente R$ 540 durante a alta temporada.
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Apesar disso, a pousada movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou mais de 600 depósitos em espécie, que totalizaram aproximadamente R$ 955 mil.
Segundo a Polícia Civil, o esquema utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir os valores obtidos com o tráfico de drogas na economia formal.
Somadas, as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam, de acordo com a corporação, características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro.