O verão de 2026 na Itália deve ser um dos mais quentes da história, ameaçando diretamente o recorde estabelecido em 2003 de mais quente de todos.
Os dados finais só estarão disponíveis ao final, mas em muitas áreas da península, as anomalias de temperatura já estão próximas dos níveis recordes de 23 anos atrás.
O calor também reacende os temores de possíveis tempestades e eventos climáticos extremos no outono, quando chuvas torrenciais são mais comuns na região do Mediterrâneo.
'O que era excepcional há 20 anos está, infelizmente, se tornando a norma', afirma Lorenzo Giovannini , físico atmosférico da Universidade de Trento para o jornal La Repubblica.
Segundo o especialista, 2026 poderá até mesmo superar 2003, confirmando uma tendência ligada às mudanças climáticas: ondas de calor cada vez mais frequentes, intensas e prolongadas.
A Itália colocarou todas as suas 27 principais cidades, entre elas Roma, Milão, Nápoles, Florença e mais, sob o alerta máximo de calor, à medida que a quarta onda de calor a atingir o país neste verão se intensifica.
Um alerta vermelho significa que existe uma maior probabilidade de uma emergência devido ao risco para a saúde de toda a população, causado por temperaturas extremas prolongadas.
Vinte e cinco cidades estavam em alerta vermelho nesta quarta-feira (5), com mais duas a serem adicionadas na quinta-feira (6), informou o Ministério da Saúde.
É a primeira vez neste ano que todas as 27 cidades monitoradas pelo sistema de vigilância de calor do Ministério da Saúde foram colocadas em alerta máximo.
As cidades em alerta vermelho são: Turim, Bolzano, Milão, Génova, Veneza, Verona, Trieste, Bolonha, Florença, Perugia, Roma, Nápoles, Ancona, Pescara, Bari, Campobasso, Reggio Calabria, Palermo e Cagliari, bem como Catânia, Messina, Brescia, Viterbo, Latina, Rieti, Frosinone e Civitavecchia.
Com as temperaturas em algumas áreas da Itália chegando perto dos 40°C nos últimos dias, as autoridades alertaram a população para evitar a exposição direta ao sol durante as horas mais quentes, entre 11h e 18h, permanecer em ambientes fechados sempre que possível e beber pelo menos 1,5 litro de água por dia.
Outras recomendações incluem evitar refrigerantes, café, álcool e refeições pesadas, usar roupas leves e nunca deixar crianças ou animais dentro de carros.
O calor extremo, que segundo os cientistas é causado pela crise climática provocada pelo homem, não deve dar trégua por pelo menos uma semana.
A Europa aqueceu cerca de duas vezes mais rápido que a média global.
Mulher se protege do calor na Itália.
Marco BERTORELLO / AFP
A atual onda de calor foi associada a quatro mortes nos últimos dias, incluindo a de um apanhador de tomates de 19 anos e a de um carpinteiro de 40 anos, ambos trabalhando em áreas industriais da região da Lombardia.
Um segurança em Bolonha teria sofrido uma doença fatal relacionada ao calor enquanto estava em seu carro.
As ondas de calor deste ano também agravaram a seca no Vale do Pó, região onde se situa o rio mais extenso da Itália, após uma primavera seca.
Mais de 100 cidades no Piemonte e na Lombardia enfrentam dificuldades no abastecimento de água, algumas utilizando caminhões-pipa para encher seus reservatórios de água potável.
A seca ainda impõe uma pressão severa sobre as empresas agrícolas italianas, com os agricultores a alertarem que o calor extremo está a afetar as colheitas.
As ondas de calor também aceleraram o amadurecimento das uvas em algumas áreas, enquanto a produção de leite caiu 10% devido à menor ingestão de alimentos pelas vacas leiteiras em consequência do stress térmico.
Grandes cidades turísticas como Roma estão se esforçando para mitigar o impacto do calor, oferecendo acesso gratuito a cinemas e espaços culturais com ar-condicionado durante as horas mais quentes do dia, além de estender o horário de funcionamento de monumentos como o Coliseu e o Panteão para permitir visitas noturnas.
