Por que os casais brigam por coisas insignificantes? Psicóloga explica - QTU Questões do Universo

Por que os casais brigam por coisas insignificantes? Psicóloga explica

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Você briga muito com o seu parceiro ou sua parceira? Segundo a psicóloga Kim Polinder, seja por não lavar a louça ou pela falta de levar o lixo, as discussões em um relacionamento são mais profundas do que se pensa.
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O conflito desencadeia traumas passados, fazendo com que as pessoas assumam papéis emocionais arraigados em vez de serem elas mesmas.
Para entender por que brigamos e para resolver essas brigas, Polinder argumenta que precisamos compreender nossos gatilhos – e isso significa compreender nosso trauma, porque quando brigamos, "estamos reagindo a cada momento do nosso passado em que fomos tratados da mesma maneira".

É por isso que um comentário casual ou uma pequena ofensa de um parceiro ou amigo pode te levar a uma espiral negativa.

A psicóloga usa sua própria história como exemplo: com cinco meses de idade, ela foi abandonada em uma trilha na zona rural da Coreia do Sul e encontrada por um pedestre.
Ela foi levada primeiro para a delegacia, depois para o hospital infantil e, posteriormente, para um lar adotivo antes de ser adotada por uma família americana.

Na vida adulta, ela seguiu uma carreira de sucesso na área de tecnologia como engenheira de TI em uma empresa da Fortune 500.
Ela se sentiu atraída pela tecnologia porque "os computadores faziam sentido para mim de uma maneira que as pessoas não faziam".
A TI era "previsível, lógica e eu não precisava ficar gerenciando os sentimentos problemáticos de outras pessoas".
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"A partir dessa ferida da separação precoce, de ter sido abandonada pela minha mãe biológica, nasceram meus problemas de abandono", diz ela.

Ela descreve isso como uma "ferida central", que define como "uma antiga lesão emocional que permanece", seja resultante de uma experiência isolada ou de um padrão repetido de rejeição ou negligência emocional.

Essa ferida ou lesão se intensificou quando sua familia adotiva adotou outra criança coreana.

" Foi aí que minha raiva se intensificou.
Tenho lembranças vívidas de bater nela quando era uma criança teimosa, tentando controlá-la.'Ela me atacava sempre que eu não conseguia o que queria.
Nesses acessos de raiva, eu me sentia forte por um segundo, e depois envergonhada por dias.
Ter controle me dava uma sensação melhor do que ter intimidade", revela.

Foi somente décadas depois que ela compreendeu a forma como reagiu à chegada da irmã dizendo que projetava nela o próprio ódio por ser asiática.
"Ainda me lembro do choque de ver a foto da minha turma da primeira série e perceber o quão diferente eu era de todos os meus colegas loiros de olhos azuis.
Aí começou a minha equação matemática: misturar-me para não ser diferente", diz.

Essa equação resulta no que ela chama de "matemática ruim", tentando fazer as coisas fazerem sentido, tentando compreender o mundo, tentando lidar com a situação.

Polinder oferece vários exemplos dessa "matemática da amabilidade": Mamãe está ansiosa + eu a faço rir = sou responsável pela felicidade da minha mãe.
Papai me ignora + comenta quando me saio bem nos esportes = sou digno quando sou atlético.
Mamãe grita com meu irmão rebelde + eu permaneço obediente = sou amável quando não causo problemas.