Mesmo com a queda registrada em julho, o preço do feijão comercializado nos supermercados de Belém acumula alta de 61,82% no ano e de 63% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), divulgado nesta segunda-feira (24).
O produto, que integra a cesta básica, foi vendido por R$ 8,90, em média, no mês passado.
O valor representa uma redução de 2,94% em relação a junho, quando o quilo do feijão custava, em média, R$ 9,17.
Apesar do recuo mensal, o preço permanece significativamente acima dos valores registrados no início do ano e em julho de 2025.
Em janeiro de 2026, o quilo do produto era comercializado, em média, por R$ 5,69.
Em dezembro de 2025, o valor era de R$ 5,50.
Já em julho do ano passado, o preço médio era de R$ 5,46.
A trajetória mostra uma forte aceleração dos preços ao longo de 2026.
Entre janeiro e junho, o valor médio do quilo passou de R$ 5,69 para R$ 9,17.
Em julho, houve o primeiro recuo, para R$ 8,90.
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Na feira do Ver-o-Peso, o vendedor Macielo Leal afirma que os preços apresentaram redução nos últimos meses.
Segundo ele, o fardo de feijão, que chegou a custar quase R$ 300 em abril, atualmente é vendido no atacado por valores entre R$ 240 e R$ 250.
“Queda teve.
Em abril, eu estava pagando quase R$ 300 pelo fardo de feijão”, relata.
No varejo, o quilo do feijão é vendido por cerca de R$ 10, segundo o comerciante.
O valor, porém, pode variar conforme o preço de compra.
“Às vezes, quando o preço chega mais barato para nós, a gente consegue baixar um pouco também”, explica.
Impacto na cesta básica
O feijão foi um dos produtos que contribuíram para a redução do custo da cesta básica de alimentos em Belém no mês de julho.
De acordo com o Dieese/PA, o valor médio da cesta chegou a R$ 724,10, uma queda de 4,65% em relação a junho.
Apesar do recuo, a alta acumulada do feijão supera a inflação registrada nos mesmos períodos de comparação, segundo a análise do Dieese/PA.
O produto é considerado um dos itens de maior peso no orçamento das famílias de menor renda, devido à presença frequente na alimentação cotidiana.
O levantamento do Dieese/PA é realizado semanalmente nos principais supermercados da capital paraense, permitindo acompanhar as oscilações do preço do produto.
Tipos de feijão
Além do feijão mais consumido no dia a dia, como o rajado, o carioquinha e o preto, Macielo comercializa variedades produzidas na chamada “colônia”.
Segundo ele, esses produtos são mais sazonais e têm preços influenciados pela oferta.
“Às vezes, tem ano em que vem muito e o preço cai.
Quando vem pouco, o preço sobe”, afirma.
Neste ano, o feijão vermelho da colônia chegou a R$ 20 o quilo, enquanto o branco passou por uma redução e custa cerca de R$ 10.
Macielo atribui o preço mais alto do vermelho à dificuldade de cultivo.
“É uma plantação diferente e é mais difícil o pessoal plantar.
Por isso, ele está caro”, explica.
O comerciante também cita o manteiguinho, mais utilizado em saladas, e diferencia as variedades conforme o uso na alimentação.
“O manteiguinho é mais para salada, para misturar.
Esses outros são mais para baião.
Já o nosso, o cavalo, o rajado e o preto, é mais para o consumo do dia a dia”, afirma.
Fatores que influenciam o preço
Segundo avaliação do Dieese/PA, entre os fatores que ajudam a explicar a alta acumulada do feijão estão a redução da área cultivada, perdas de produtividade provocadas por condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras, aumento dos custos de produção e encarecimento da logística de transporte e distribuição.
Mesmo com a queda registrada em julho, o cenário ainda pode sofrer novas alterações nos próximos meses.
Para o Dieese/PA, eventuais novos reajustes podem manter o feijão entre os produtos que pressionam o custo da cesta básica e o orçamento das famílias paraenses.
Feijão (kg)
• Julho/2026: R$ 8,90
• Junho/2026: R$ 9,17
• Janeiro/2026: R$ 5,69
• Dezembro/2025: R$ 5,50
• Julho/2025: R$ 5,46
• Variação no mês: -2,94%
• Variação no ano (jan-jul/2026): 61,82%
• Variação em 12 meses (jul/2025 a jul/2026): 63,00%
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
