Premier do Paquistão afasta secretário-geral de Saúde e ordena  investigação após incêndio que matou 14 bebês em maternidade - QTU Questões do Universo

Premier do Paquistão afasta secretário-geral de Saúde e ordena investigação após incêndio que matou 14 bebês em maternidade

Fonte: Bandeira da fonte

O secretário federal da Saúde do Paquistão, Aslam Ghauri, foi suspenso do cargo pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif após o incêndio que matou 14 recém-nascidos em uma ala neonatal do Pakistan Institute of Medical Sciences (Pims), em Islamabad.
Sharif também determinou uma investigação imediata e criou um comitê com prazo de 24 horas para apurar as causas do fogo, as condições de segurança da maternidade e a atuação das equipes de emergência.
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O incêndio atingiu o terceiro andar da ala materno-infantil do hospital e começou na unidade neonatal, onde havia 15 recém-nascidos.
Um bebê foi resgatado.
Segundo informações preliminares, o fogo começou em uma unidade de ar-condicionado e foi rapidamente alimentado pelas conexões de oxigênio.
A tragédia provocou questionamentos sobre as condições da maternidade, além de críticas de familiares e pressão política sobre as autoridades responsáveis pela área da saúde.
Comitê terá 24 horas para investigar incêndio e resgate
O magistrado distrital de Islamabad determinou a criação de um comitê para apresentar um relatório “em até 24 horas”.
O grupo deverá determinar a “causa exata do incêndio” e verificar “se havia medidas de segurança contra incêndios adequadas e funcionais”.
Também será analisado o tempo de resposta e a “eficácia das operações de resgate e combate ao incêndio”, além de outros aspectos relacionados ao episódio.
O pimeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif
Reprodução/YouTube/Canal Shehbaz Sharif
As autoridades informaram posteriormente que o incêndio estava sob controle e que os feridos haviam sido levados para a UTI.
Pelo menos 19 pessoas foram resgatadas, entre elas 10 mulheres, sete crianças e dois homens.
Sharif fala em situação 'irreparável'
Shehbaz Sharif divulgou uma declaração de “profunda tristeza e sincero pesar” e determinou uma apuração “imediata”.
— Uma situação como essa envolvendo crianças é irreparável — afirmou Sharif.
O primeiro-ministro também enviou suas “sinceras condolências às famílias das crianças inocentes” e afirmou que “seu coração está entristecido por este trágico incidente”.
Segundo o Ministério da Informação, Sharif presidiu uma reunião de alto nível sobre o incêndio e demonstrou “profunda indignação” com alguns funcionários.
Além da suspensão de Ghauri, dois ex-ministros federais, Fawad Chaudhry e Shireen Mazari, pediram a renúncia do ministro da Saúde, Mustafa Kamal.
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AFP
Chaudhry afirmou que Kamal deveria assumir a responsabilidade pelas mortes e que uma suspensão ou transferência para outro departamento não seria suficiente.
Mazari acusou o hospital de sofrer com negligência, má gestão e corrupção.
Famílias questionam segurança da maternidade
Familiares dos recém-nascidos mortos permaneceram do lado de fora do hospital à espera de informações.
Testemunhas relataram fumaça intensa, vidros quebrados e dificuldades durante o resgate.
Khurram Mehmood, que perdeu uma filha de três dias, afirmou à AFP:
— Estávamos sentados na estrada esperando ajuda — disse Mehmood.
Outra testemunha, Abdul Ghafoor, afirmou que o fogo se espalhou “muito rapidamente” e disse ter encontrado uma espessa fumaça preta ao entrar no hospital.
— Havia uma espessa fumaça preta lá dentro e os pacientes estavam presos...
as equipes de resgate chegaram depois de quase duas horas — relatou Ghafoor.
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O comissário-chefe de Islamabad, Sohail Ashraf, apresentou uma versão diferente e afirmou que policiais e equipes de resgate chegaram “imediatamente” após o primeiro chamado de emergência e depois controlaram o incêndio.
O pai de uma das vítimas criticou diretamente a estrutura da maternidade.
— Aquele prédio não tinha segurança contra incêndios, nem saídas adequadas.
Todas as portas estavam fechadas, havia apenas uma porta para nós visitarmos nossos filhos.
Eles mantinham as outras portas trancadas porque tinham medo de que fôssemos ver nossos filhos com muita frequência — afirmou.
O diretor-executivo do Pims, Rana Imran Sikander, afirmou que a porta da maternidade não estava trancada, mas era monitorada por um funcionário para impedir o roubo de bebês, algo que, segundo ele, já havia ocorrido anteriormente em hospitais públicos.
Bebês estavam em incubadoras e ligados a oxigênio
Segundo a BBC Urdu, o incêndio começou em uma unidade de ar-condicionado.
O ministro da Saúde, Mustafa Kamal, afirmou que os recém-nascidos estavam em incubadoras ou ligados a equipamentos de oxigênio.
O oxigênio não é inflamável por si só, mas pode acelerar um incêndio e fazer com que materiais queimem mais rapidamente e em temperaturas mais elevadas.
Um porta-voz do hospital ouvido pelo The Dawn informou que o único bebê sobrevivente foi resgatado por um médico.
Corpos dependem de testes de DNA
A polícia informou que os recém-nascidos mortos sofreram queimaduras graves e que será necessário realizar testes de DNA para identificar os corpos.
Eles só poderão ser entregues às famílias depois dos exames.
A informação foi divulgada depois que pais das vítimas exigiram a liberação imediata dos corpos.
A tragédia levou senadores paquistaneses a cobrar mudanças na segurança dos hospitais.
O vice-presidente do Senado, Syedaal Khan Nasir, afirmou existir uma “necessidade urgente” de modernizar os sistemas de segurança nos centros médicos e pediu “medidas concretas”.
O presidente do Senado, Syed Yousaf Raza Gilani, defendeu “medidas eficazes de segurança, sistemas abrangentes de proteção contra incêndios e todas as providências necessárias de resposta a emergências”.
Para Gilani, qualquer negligência ou falha de segurança seria “inaceitável”.
Ele pediu uma investigação “completa e transparente”.
Hospital público é um dos maiores do país
Fundado em 1985, o Pims atende moradores de Islamabad e de cidades vizinhas das províncias de Punjab e Khyber Pakhtunkhwa.
O complexo possui mais de duas dezenas de unidades médicas e cirúrgicas especializadas, capacidade para 1.200 leitos e atendimento de cerca de 5 mil pacientes ambulatoriais.
A instituição também abriga um hospital infantil especializado.
Segundo o site do Pims, a unidade materno-infantil possui 156 leitos.