O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, pediu nesta terça-feira que as autoridades ampliem o apoio à população afetada pela onda de calor recorde no país, classificando o fenômeno como um desastre nacional após as temperaturas extremas serem responsabilizadas por 19 mortes.
Durante reunião de gabinete, Lee determinou que autoridades adotem as medidas necessárias para proteger a vida cotidiana da população e inspecionem os sistemas elétricos, diante do aumento da demanda por ar-condicionado.
"Uma preocupação ainda maior é que as condições climáticas anormais tornam altamente provável que os eventos extremos continuem por um período considerável", disse Lee, que defende uma ampla reformulação do sistema de resposta a desastres para enfrentar essas condições perigosas.
A agência meteorológica sul-coreana informou que Yangsan, cidade do interior no sudeste do país localizada em uma bacia, registrou 42,5°C no domingo, a maior temperatura medida em 122 anos de observações meteorológicas.
A Administração Meteorológica da Coreia também emitiu na segunda-feira o primeiro alerta de onda de calor da história para partes de Seul e da vizinha província de Gyeonggi, ampliando a medida nesta terça-feira para toda a capital.
O alerta recomenda a suspensão de atividades ao ar livre, como trabalhos agrícolas, práticas esportivas e serviços em canteiros de obras.
"Eu nunca havia sentido um calor como este aqui", disse Cho Sang-yeon, que vive há quase 20 anos em um jjokbang, conjunto de moradias de um cômodo e baixo custo localizado no distrito de Yeongdeungpo, no oeste de Seul.
Parte dos moradores foi transferida para abrigos temporários fornecidos pelo governo, equipados com ar-condicionado, embora muitas pessoas em situação de rua também vivam na região.
"Fico triste ao ver pessoas em situação de rua sofrendo com o calor nas ruas", disse a moradora Son Ki-young.
Segundo Jun Hong-cheol, funcionário do Corpo de Bombeiros de Yeongdeungpo, bombeiros e outros agentes públicos vêm jogando água nas ruas e monitorando moradores vulneráveis para identificar casos de doenças relacionadas ao calor.
Crianças brincam em uma fonte para se refrescar em uma praça pública com água às margens do Rio Han durante uma onda de calor em Seul, Coreia do Sul , 31 de julho de 2026
REUTERS/Kim Soo-hyeon
A Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia informou nesta terça-feira que o número de mortos em decorrência da onda de calor subiu para 19, dos quais 13 tinham 80 anos ou mais.
Desde 15 de maio, 2.025 pessoas sofreram problemas de saúde relacionados ao calor em todo o país, segundo dados da agência meteorológica.
Duas partidas da liga sul-coreana de beisebol programadas para esta terça-feira em Seul e Gwangju foram canceladas por causa das temperaturas extremas, de acordo com o site da Organização Coreana de Beisebol.
