Presidente do PL na Bahia esconde bolsonarismo em campanha ao lado de ACM Neto e abre crise no diretório estadual - QTU Questões do Universo

Presidente do PL na Bahia esconde bolsonarismo em campanha ao lado de ACM Neto e abre crise no diretório estadual

Fonte: Bandeira da fonte

O início da campanha apresentou ao eleitorado baiano uma versão de João Roma (PL), candidato ao Senado na chapa de ACM Neto (União), distante da imagem bolsonarista.
A postura do presidente estadual do PL vem desagradando postulantes à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, que se queixam da falta de verba e de material para promover Flávio Bolsonaro, nome da sigla na corrida pela Presidência da República.
Pesquisa eleições 2026: Quando saem os próximos números da nova Quaest e do Datafolha após sabatina na Globo
Zucco, Juliana Brizola e Gabriel Souza: GLOBO entrevista candidatos que disputam o governo do Rio Grande do Sul
Roma deixou de lado o verde e amarelo usado em 2022, quando apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem foi ministro, e imagens ao lado de nomes da alta cúpula do bolsonarismo nas redes sociais.
O figurino agora é azul — cor que marca a campanha do carlista.

ACM Neto, que enfrenta o governador petista Jerônimo Rodrigues, descarta a possibilidade de ter Flávio no palanque, ao menos no primeiro turno, e evita que a disputa no estado — majoritariamente lulista — tenha o debate nacionalizado.
O ex-prefeito de Salvador apoia Ronaldo Caiado (PSD) no pleito pelo Planalto.
A primeira peça de campanha na TV de Roma, que chefiou a pasta da Cidadania na gestão Bolsonaro, não cita a família do ex-presidente em nenhum momento.
O candidato ao Senado se limita a dizer que já trabalhou em Brasília e a mostrar feitos no ministério de cunho social, sem mencionar quem ocupava o Planalto naquele momento.

As menções ao grupo vêm ocorrendo apenas quando Roma é questionado em entrevistas.
Em 2022, quando disputou o governo contra ACM Neto e Jerônimo, Roma se apresentava como o "único candidato de Bolsonaro na Bahia" e "pai do Auxílio Brasil'.
Existe, porém, o entendimento de que a estratégia foi traçada em conjunto com o comando nacional do PL, de olho em um eventual apoio do ex-prefeito de Salvador a Flávio Bolsonaro em um segundo turno da corrida ao Planalto.
Programa eleitoral de João Roma em 2022 apostava na vinculação a Bolsonaro
Reprodução
Quatro anos depois, Roma é mostrado pela campanha como "senador de Neto".
Programa eleitoral relaciona João Roma a ACM Neto
Reprodução
O posicionamento na eleição atual provocou um racha no diretório baiano.
Membros da sigla que disputarão mandatos como deputados criticam o que avaliam ser uma falta de investimento na campanha de Flávio e não escondem o receio de que a presença reduzida da imagem do presidenciável diminua o número de cadeiras conquistadas pela sigla este ano.

— Não estamos recebendo santinhos da campanha do Flávio e fui impedido de citar Bolsonaro na gravação para a TV, cujo tempo foi 6 segundos.
Quem é muito aliado do bolsonarismo vem sendo escanteado e boicotado na distribuição de verba para a campanha, não me repassaram nem 20% do acordado — afirma o candidato à Câmara Giu Argôlo.
Há também o temor de que, em um eventual governo de ACM Neto, a aliança do PL com o carlista leve a legenda para um campo mais moderado no estado.
A posição desagrada membros do partido, que veem na radicalização mais potencial para conquista de votos na Bahia.

Ao GLOBO, Roma afirmou que o diretório local do PL vem, sim, investindo na campanha de Flávio no estado.

— Fiz material de campanha porque o preparado pelo PL nacional ainda não chegou.
Estamos usando nossa estrutura para ajudar Flávio — assegurou Roma.
Sobre a diferença na abordagem da campanha em 2022 e 2026, Roma alegou que é consequência da natureza distinta das candidaturas.
— Uma coisa é campanha ao governo, outra é ao Senado.
Faço parte agora de uma chapa, obedeço a linguagem do azul, rosa e branco da campanha do ACM Neto.
Não vou destoar disso.
Mas a defesa de Bolsonaro é inerente à posição que ocupo — afirmou o candidato, que completa: — Inclusive, venho pedindo voto ao Flávio em agendas com o ACM Neto, que defende outro candidato.
Busca por unidade
A postura de Roma neste pleito busca trazer uma unidade na chapa de ACM Neto, em uma eleição polarizada no campo estadual.
O carlista enfrentará novamente Jerônimo, após um resultado apertado favorável ao petista em 2022.
O objetivo é consolidar um voto casado.

A pesquisa Quaest mais recente, publicada na semana passada, mostra que o cenário é desafiador.
Embora ACM Neto esteja empatado na liderança com Jerônimo, os nomes do carlista ao Senado aparecem distantes dos petistas postulantes à Casa.

O ex-governador Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT) têm 23% e 17% das intenções de voto, respectivamente.
Já Roma marca 7%.
O presidente estadual do PL aparece empatado tecnicamente com Angelo Coronel (Republicanos), que também integra a chapa da ACM Neto e alcança 5%.