Preso por estupro, assessor de vereador teve passagem por comissão de Direitos Humanos da Câmara de Niterói - QTU Questões do Universo

Preso por estupro, assessor de vereador teve passagem por comissão de Direitos Humanos da Câmara de Niterói

Fonte: Bandeira da fonte

Um assessor parlamentar da Câmara Municipal de Niterói foi preso nesta quarta-feira (29) por suspeita de envolvimento no estupro de uma adolescente.
O preso é Matheus Rodrigues Gonçalves, que atuava no gabinete do vereador Professor Túlio (PSOL) e foi exonerado do cargo após a prisão.
A Polícia Civil investiga a participação de outras pessoas no caso, tratado como um possível estupro coletivo.

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Segundo a Polícia Civil, Matheus foi localizado durante uma operação da 74ª DP (Alcântara), responsável pelas investigações.
De acordo com os agentes, a identificação do suspeito ocorreu após o depoimento da vítima, que indicou, por meio de um aplicativo de mapas, o apartamento onde o crime teria ocorrido, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói.
Os policiais foram até o endereço, conseguiram acesso ao edifício e, em seguida, ao apartamento do investigado, que permitiu a entrada da equipe.
Durante o depoimento, a vítima afirmou que Matheus armazenava arquivos digitais de conteúdo pornográfico envolvendo sua imagem.
Celulares e outros equipamentos eletrônicos encontrados no imóvel foram apreendidos e passarão por perícia.
A investigação teve início depois que a mãe da adolescente procurou a 74ª DP (Alcântara) ao perceber que a filha havia retornado para casa com marcas de agressão e dores abdominais.
Em depoimento, a adolescente afirmou que era ameaçada para comparecer ao apartamento do investigado.
Segundo seu relato à polícia, no dia anterior à prisão ela foi submetida a atos sexuais com outro homem enquanto Matheus registrava a cena em vídeo.
A Polícia Civil apura a participação de outros envolvidos e investiga a existência de registros audiovisuais do crime.
As investigações apontaram que, na terça, a vítima foi atraída até o apartamento do criminoso por um segundo homem.
No local, a mulher foi surpreendida com a presença do preso e brutalmente agredida por ele com tapas, socos e chutes, além de ter sido estrangulada até perder a consciência.
Desacordada, o agressor a estuprou.
Ainda segundo a Polícia Civil, o investigado não resistiu à prisão, mas apresentou comportamento agitado durante a abordagem, o que levou os agentes a utilizarem algemas para garantir a segurança da equipe e dele próprio.
Na delegacia, Matheus foi autuado em flagrante pelo crime de estupro e permaneceu em silêncio durante o interrogatório.
A vítima foi encaminhada ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, onde recebeu atendimento médico, passou por exames e foi acolhida pela equipe do Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente (CAAC).
Em seguida, realizou exame de corpo de delito.
As investigações prosseguem para esclarecer a dinâmica do crime e identificar os demais suspeitos.
Quem é o investigado
Matheus Rodrigues Gonçalves era quadro do PSOL pelo menos desde 2013 e ocupava cargo de assessor parlamentar no gabinete do vereador Professor Túlio.
Antes disso, trabalhou nos gabinetes da hoje deputada federal Talíria Petrone e do ex-vereador Renatinho, morto em 2021.
Também foi chefe de gabinete da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Niterói.
Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Matheus tinha especialização em Criminologia, Direito e Processo Penal pela Universidade Candido Mendes.
Em seu currículo público, também se apresentava como diretor administrativo do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) e representante da entidade na Rede Justiça Criminal, com atuação nas áreas de segurança pública, criminologia e direitos humanos.
Após a confirmação da prisão, o vereador Professor Túlio informou que determinou a exoneração do assessor e afirmou que o diretório municipal do PSOL encaminhou pedido de expulsão de Matheus do partido.
— Assim que tivemos conhecimento do ocorrido, tomei as devidas providências para exonerar o assessor Matheus Gonçalves.
Portanto, ele não pertence mais ao mandato.
O diretório municipal do PSOL também já encaminhou a expulsão de Matheus do partido.
Nos solidarizamos com a vítima e defendemos que esse caso inaceitável seja investigado e os culpados sejam responsabilizados — afirmou o vereador, em nota.
O documento solicitando a exoneração foi encaminhado ao presidente da Câmara de Niterói, Milton Cal (União Brasil), e a medida deverá ser publicada no Diário Oficial do Legislativo.
Também em nota, o diretório municipal do PSOL informou que encaminhou o caso ao Conselho de Ética da direção nacional, solicitando o desligamento imediato do filiado.
O partido afirmou que "não compactua com qualquer forma de opressão, violência ou discriminação contra as mulheres" e reiterou seu compromisso com o combate à violência de gênero.