A demissão do técnico Franclim Carvalho já era esperada no Botafogo.
Mas as mudanças realizadas no departamento de futebol após a chegada ao Rio de Janeiro de Gabriel de Alba, dono da GDA, levantaram internamente questionamentos sobre o grau de influência do clube social nas decisões da SAF neste período de transição, e alguns deles chegaram ao blog.
Além da saída de Franclim, o Botafogo acertou as contratações de Paulo Bonamigo para a função de coordenador técnico, Marcelo Salles como auxiliar permanente e Ronaldo Torres para a preparação física.
A princípio, as chegadas atendem a uma necessidade da estrutura do futebol.
O Botafogo não vinha trabalhando com uma comissão técnica permanente, o que fazia com que profissionais deixassem o clube junto com o treinador.
Com a saída de Franclim e de integrantes de sua equipe, a SAF precisava preencher essas lacunas.
O que chamou atenção nos bastidores, porém, foi a origem das indicações.
Os nomes partiram do presidente do clube social, João Paulo Magalhães, que ganhou espaço nas decisões da SAF desde a saída de John Textor e a entrada do Botafogo no processo de recuperação judicial, no meio do ano.
Além do trio, o diretor Thiago Alves, ex-Boavista, clube presidido por João Paulo, pode chegar.
Na prática, o CEO da SAF, Eduardo Iglesias, também tem papel central nesse processo.
Ao lado de João Paulo Magalhães, ele foi um dos primeiros interlocutores do clube com Gabriel de Alba.
Iglesias chegou ao cargo por indicação do clube social, após uma Assembleia Geral Extraordinária realizada em maio, que definiu sua nomeação como substituto de Durcesio Melo — inicialmente designado como CEO provisório da SAF também por indicação da ala social, mas posteriormente substituído.
Desde então, o clube passou a procurar um novo investidor.
A GDA surgiu como uma empresa disposta a disponibilizar recursos imediatamente, por meio de empréstimos, dentro de uma operação que prevê posteriormente a aquisição de 90% das ações da SAF.
Essa transferência, porém, ainda não foi homologada pela Justiça.
A concretização da venda depende da aprovação do plano de recuperação judicial.
Portanto, juridicamente, a GDA ainda ocupa a posição de investidora e credora, e não de controladora formal da SAF.
É justamente nesse intervalo que se encontra a questão envolvendo o futebol do Botafogo.
Embora Gabriel de Alba já participe das discussões sobre os rumos da SAF e tenha desembarcado no Rio em meio às primeiras decisões esportivas desta nova fase, o clube social continua exercendo influência direta sobre a operação e, neste momento, também sobre a montagem do departamento de futebol.
Percepção antiga
Essa tomada de poder do associativo aos poucos vinha sendo percebida ao longo dos últimos meses dentro da estrutura da SAF e levou a saída de alguns profissionais do futebol.
Entre eles o ex-diretor Alessandro Brito.
A indicação dos três novos profissionais por João Paulo Magalhães reforçou essa percepção nos bastidores e abriu uma discussão sobre como será dividida a tomada de decisões até que a eventual transferência do controle para a GDA seja efetivamente aprovada e homologada.
Cobrado a dar explicações, o presidente apenas postou uma foto com Gabriel de Alba.
Mais do que isso, a movimentação inicial deu a impressão que a GDA vai funcionar como um investidor, um banco que empresta recursos e acompanha a sua utilização como sócio majoritário, enquanto o clube social, mesmo com 10% da SAF, poderia seguir com ascensão no futebol.
Na recuperação judicial, a dívida do Botafogo com a empresa já é de R$ 186 milhões.
Primeiro ato do Botafogo após chegada da GDA traz de volta desconfiança sobre influência do clube social no futebol
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