O condado de Harris, no Texas, nos EUA, avalia instalar câmeras equipadas com inteligência artificial na prisão local.
A tecnologia seria usada para monitorar a movimentação dos detentos em tempo real, identificar possíveis ameaças e alertar os funcionários sobre emergências médicas.
O governo abriu uma consulta ao mercado para conhecer os sistemas disponíveis e os respectivos custos.
Segundo as autoridades, nenhum fornecedor ainda foi selecionado e ainda não há decisão sobre a compra dos equipamentos.
Os sistemas funcionariam como uma camada adicional sobre as câmeras de segurança.
Os algoritmos poderiam reconhecer comportamentos incomuns, detectar armas e outros objetos proibidos e reconstruir o deslocamento de uma pessoa por diferentes áreas da unidade.
Ao identificar uma situação de risco, a plataforma enviaria um alerta aos agentes.
“Um diretor de prisão não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas as câmeras com IA podem”, afirmou Ashesh Jain, presidente-executivo da Coram AI, empresa de São Francisco que desenvolve sistemas de videomonitoramento, em reportagem da ABC News.
A proposta surge após anos de problemas na prisão do condado, que enfrentou falta de funcionários, falhas de monitoramento e dificuldades para cumprir as normas estaduais.
A unidade, formada por vários prédios no centro de Houston, recebe milhares de pessoas diariamente e voltou recentemente a atender às exigências da Comissão de Normas Carcerárias do Texas.
Riscos e benefícios
Defensores da iniciativa afirmam que a tecnologia poderia reduzir o tempo de resposta em emergências e auxiliar as equipes responsáveis por uma estrutura que não pode ser observada integralmente durante todo o dia.
As câmeras com IA, no entanto, funcionariam como apoio e não substituiriam os agentes.
O projeto também desperta preocupações relacionadas à privacidade, ao armazenamento das imagens e a possíveis erros dos algoritmos.
Especialistas defendem que uma eventual adoção seja acompanhada por regras claras sobre acesso aos dados, auditorias e responsabilização em caso de falhas.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de adoção de inteligência artificial pelo condado.
Órgãos locais já utilizam assistentes virtuais para redigir documentos, organizar informações e apoiar análises.
Segundo os gestores, a tecnologia pode elevar a eficiência em um momento de restrição orçamentária, mas exige cautela quando afeta diretamente a segurança e os direitos das pessoas.
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