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Privatizações, 'risco Flávio', efeito Lulinha e mais: a sabatina de Haddad no Valor, O Globo e CBN

Fonte: Bandeira da fonte

Ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse que, se eleito, vai passar a limpo os contratos de privatização feitos pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, mas descartou reverter o processo de privatização da Sabesp, que ele costuma criticar.

"Já antecipo: reestatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio jurídico medonho.
Vou sentar de boa-fé com a Sabesp e dizer: ‘do jeito que está, não pode ficar’", declarou, citando problemas como reclamações contra a empresa de saneamento no Procon e aumento nas contas de água.
Haddad participou nesta manhã (19) de sabatina promovida pelo Valor em parceria com o jornal O Globo e a rádio CBN.
Na entrevista, ele também apontou problemas no contrato da Enel, concessionária de energia elétrica da região metropolitana de São Paulo.
Na quinta-feira (19), o convidado é o governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas.
As entrevistas tem início às 10h30, com duração de 1h30, e são conduzidas pelos jornalistas Guilherme Muniz, âncora da CBN, Vera Magalhães, colunista de O Globo, e Marcello Corrêa, editor de Política do Valor.
Na semana que vem, serão ouvidos os candidatos à Presidência da República.
Foram convidados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Haddad afirmou na entrevista desta quarta-feira que o governo Lula, do qual fez parte, fez uma revisão de contratos de Tarcísio quando era ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro (PL).
"Passar pente-fino nos contratos que você herdou é obrigação de qualquer gestor", disse.
Segundo ele, caso eleito, também fará uma avaliação nos contratos de pedágio free flow e de linhas de transporte coletivo, por causa de acidentes.
"Vou passar a limpo todos esses contratos [de privatização] e verificar quais as possibilidades de melhorar o arranjo que foi feito", afirmou ele, que declarou ser contra a venda de patrimônios estratégicos.
"Tem setor que eu sou contra privatizar", reforçou, criticando a venda de ativos da Petrobras no governo Bolsonaro.
Sobre o possível rompimento de contrato com a Enel, Haddad disse que o contrato com a empresa "está errado desde o nascedouro, 30 anos atrás" e que o governo federal decidiu não renovar o contrato nas condições atuais do contrato.
Segundo ele, não estão sendo asseguradas as "salvaguardas necessárias para garantir o direito da população a energia elétrica na maior capital do país".
O candidato disse que é papel do Estado garantir que as cláusulas do contrato sejam cumpridas.
"Sou a favor de sermos muito rigorosos com a Enel porque a não podemos contratar por mais 30 anos o mesmo tipo de serviço.
Se isso implicar uma mudança de controlador, tem que ser feita."
'Flávio é um risco para o país'
Na abertura da sabatina, nesta quarta-feira, Haddad disse que está em um "projeto estadual" e também em um "projeto nacional", com a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele tratou o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência e aliado de Tarcísio, como um "risco para o país".
"Não posso conceber a hipótese de ele assumir a Presidência da República", declarou.

Questionado sobre a possibilidade de a eleição em São Paulo terminar em primeiro turno, Haddad respondeu que "muitas vezes, a vitória em primeiro turno no Estado, não interferiu na eleição nacional".
Pela pesquisa mais recente de intenção de voto, do Instituto Idea, divulgada no dia 10 de agosto, Haddad está em segundo lugar na disputa para o Palácio dos Bandeirantes, com 34% no primeiro turno.
Em primeiro lugar, está o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, com 51%.
Em eventual segundo turno, Tarcísio marca 53%, enquanto Haddad tem 37%.

Na sabatina, Haddad afirmou que está "ciente" do desafio de enfrentar a aliança partidária do governador Tarcísio.
"Estou ciente do desafio que é enfrentar esse bloco que se constituiu, do Centrão com o bolsonarismo, em torno do Tarcísio", disse.
Ele mencionou, no entanto, que no plano nacional vários partidos do Centrão não aderiram ao candidato Flávio Bolsonaro, o que "favorece muito uma campanha nacional mais equilibrada".
 
À frente da máquina pública, Tarcísio construiu uma coligação com 12 partidos e terá apoio de outras duas legendas.
Na propaganda eleitoral na televisão e no rádio, deve ficar com 70% do total.
Haddad reuniu a centro-esquerda em torno de sua candidatura, com sete partidos, e terá 30% do tempo de propaganda e inserções.
O candidato do PT disse que sua campanha busca estimular uma análise mais aprofundada da atual gestão.
Ele afirmou que o Estado tem problemas em indicadores de saúde, segurança e educação, além de questões como crescimento da economia e deterioração das finanças.

"O papel da minha candidatura é esclarecer a opinião pública e fazer uma avaliação dos riscos que o Estado de São Paulo está correndo", disse.
"Tarcísio tem o hábito de memorizar uma série de coisas que não correspondem à verdade", declarou o ex-ministro.
"Para mim, foi uma surpresa, porque eu estava imerso no Ministério da Fazenda.
Quando eu vim para cá, eu não vim sabendo do que estava acontecendo."
Desempenho como ministro da Fazenda
Haddad afirmou que abriu a “caixa- preta” dos benefícios fiscais para empresários durante sua gestão no Ministério da Fazenda e que o governador Tarcísio de Freitas só fechou o ano fiscal por conta da renegociação de dívidas promovida pelo presidente Lula.

Segundo ele, todos os governos concederam "bolsa empresário", até a ex-presidente Dilma Roussef, "mas ela se arrependeu".
"O gasto tributário chegou a 6% do PIB [Produto Interno Bruto], o bolsa empresário.
Eu abri a caixa-preta dos benefícios fiscais para empresário e cortei.
Não acho que aumenta imposto, isso é mandamento constitucional: cortar gasto tributário, a não ser que o caso se justifique", afirmou.

De acordo com o candidato, a revogação de benefícios fiscais feita em sua gestão foi "uma faxina que tinha que ser feita" e o atual mandato do presidente Lula conseguiu conter gastos com essas medidas.
"Se pegar a média do gasto tributário como proporção do PIB de Temer a média e quatro anos de [Jair] Bolsonaro a média, esse governo [Lula 3] gastou menos", completou.

Marina 'avalista' da exploração na Margem Equatorial
Haddad elogiou a conduta da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), candidata ao Senado pela sua chapa, no processo que concedeu a licença ambiental à Petrobras para perfuração na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
"Ter a Marina [Silva] como avalista de um empreendimento desse é muito bom para o Brasil internacionalmente, saber que a Marina Silva era ministra do meio ambiente e concordou", disse.

O cadidato do PT ainda disse que ela defendeu a exploração, mas que tinha que ser feito "do jeito certo".
"A Marina é muito coerente.
Ela sabe que a gente tem que consumir cada vez menos petróleo, mas, para isso, precisamos ter alterativa.
Por isso que estamos investindo tanto em biocombustível, em energia solar e eólica", disse.

Segundo Haddad, enquanto se está durante a transição energética, é preciso buscar alternativas mas também "contar com fontes de salvaguarda".
"Amanhã a gente não sabe o que vai acontecer com o mundo.
Olhe o que está acontecendo com o estreito de Ormuz, gás da Rússia e está tudo geopoliticamente complicado.
Você precisa ter segurança e a Marina entende isso", completou o candidato.

''Professores estão revoltados'
Também na sabatina, ao responder sobre educação, Haddad disse que não acredita no modelo de escolas cívico-militares e que, se eleito, não vai ampliar a política implementada pelo governador Tarcísio de Freitas.
Haddad disse que a área de educação enfrenta problemas no Estado e que os professores da rede paulista estão desestimulados.
"Vou consultar a comunidade escolar sobre manter ou não, mas não vou expandir colégios cívico-militares.
Não acredito nesse modelo.
Penso que o governo do Estado deveria fazer uma reflexão sobre a educação pública paulista", disse o candidato.

Haddad afirmou que os "professores estão revoltados" com a atual gestão.
"Não tem mais concurso [público], há contratos precários.
Em vez de ganhar o professor para o projeto pedagógico, você está afastando o professor.
A precariedade e o processo de ensino estão sendo usados contra o professor", disse.
Ele também afirmou que o uso de tecnologia e inteligência artificial tem que ser repensado.
"A tecnologia tem que estar a serviço, e não você a serviço dela." Segundo o petista, "o que está faltando em São Paulo não é dinheiro, é iniciativa".
Na área de transporte público, Haddad disse que está estudando o projeto de tarifa zero, com neutralidade e dentro do próprio setor.