Processos desorganizados prolongam contratações em pequenas e médias empresas - QTU Questões do Universo

Processos desorganizados prolongam contratações em pequenas e médias empresas

Fonte: Bandeira da fonte

Pequenas e médias empresas não precisam necessariamente ampliar suas equipes de Recursos Humanos para contratar com mais rapidez.
O principal caminho para reduzir o tempo de recrutamento está na organização do processo, na definição clara do perfil buscado e no uso de dados e ferramentas capazes de eliminar etapas repetitivas, esperas desnecessárias e retrabalho.
A avaliação foi apresentada durante webinar promovido pelo Infojobs sobre os desafios enfrentados pelas PMEs na contratação de profissionais.
Durante o encontro, o Infojobs apresentou o dado de que 70% dos profissionais de RH de pequenas e médias organizações apontam a busca pelo perfil ideal como o maior desafio da área.
O problema ganha ainda mais relevância porque muitas dessas empresas não contam com uma estrutura dedicada ao recrutamento e deixam todas as etapas sob responsabilidade de gestores que também acumulam outras funções.
Na prática, a demora pode começar antes mesmo da divulgação da vaga.
Empresas frequentemente concentram o alinhamento nos requisitos técnicos, mas dedicam pouco tempo a entender o contexto da posição, o funcionamento da equipe, as características do ambiente e os comportamentos realmente necessários para a função.
O alinhamento inicial é uma das etapas mais importantes para evitar erros ao longo do processo.
Conhecer apenas a formação e a experiência desejadas não é suficiente.
Também é necessário compreender a história da vaga, os valores da empresa e os resultados esperados daquele profissional.
A compatibilidade entre o que é importante para o candidato e o que é valorizado pela empresa aumenta as chances de uma boa contratação.
Outro gargalo está na ausência de uma sequência clara para o recrutamento.
Sem um fluxo definido para alinhamento, divulgação, triagem, entrevistas, avaliação e retorno, as decisões se acumulam e bons candidatos podem abandonar o processo antes da conclusão.
A falta de comunicação é especialmente crítica em um mercado no qual os profissionais participam de diferentes seleções ao mesmo tempo.
Deixar candidatos sem informações sobre o andamento da vaga aumenta o risco de que aceitem outra proposta, obrigando a empresa a reiniciar a busca.
A rapidez de uma contratação depende menos do tamanho da equipe de RH e mais da existência de processo, estratégia e clareza sobre cada etapa.
Para Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, a demora nas contratações nem sempre está relacionada à ausência de profissionais disponíveis, mas à forma como o processo é estruturado.
"Pequenas e médias empresas muitas vezes trabalham com equipes enxutas e gestores que acumulam diferentes responsabilidades.
Nesse contexto, qualquer desalinhamento sobre o perfil da vaga, demora na tomada de decisão ou falta de comunicação com os candidatos pode ampliar significativamente o tempo de contratação.
A tecnologia ajuda a organizar etapas e reduzir tarefas operacionais, mas a agilidade depende, sobretudo, de clareza, planejamento e de uma avaliação humana bem conduzida", afirma.
Um dos principais equívocos das empresas é associar agilidade à redução indiscriminada de avaliações.
Processos seletivos mais curtos não devem significar a contratação do primeiro currículo disponível, mas a retirada de etapas que não contribuem efetivamente para a decisão.
O caminho começa com três perguntas: quem a empresa precisa contratar, o que essa pessoa fará e quais competências são realmente indispensáveis.
A separação entre requisitos obrigatórios e características apenas desejáveis ajuda a evitar buscas por perfis difíceis de encontrar ou incompatíveis com o salário e as condições oferecidas.
Em algumas situações, o problema não está na falta de profissionais, mas na própria configuração da vaga.
Remuneração abaixo do mercado, escalas pouco atrativas, localização, dificuldade de transporte e ausência de flexibilidade podem reduzir o interesse ou provocar desistências durante o processo.
O acompanhamento dos motivos de recusa permite que a empresa identifique esses obstáculos e ajuste a oportunidade.
Durante o webinar, foi apresentado o caso de uma contratação em grande volume na qual a dificuldade estava relacionada ao horário do transporte fretado.
A alteração da escala em uma hora ampliou o número de candidatos disponíveis, mostrando que nem toda desistência está associada ao salário.
Cinco vagas técnicas preenchidas em cinco dias
O uso adequado de tecnologia também pode reduzir o tempo gasto com tarefas operacionais.
Durante o webinar, foi apresentado um processo para a contratação de profissionais técnicos das áreas de mecatrônica e eletrônica, para atuação em uma empresa localizada em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.
A seleção foi realizada pela plataforma do Infojobs, com divulgação, filtros de currículos e organização dos candidatos.
Inicialmente, a empresa pretendia contratar três profissionais, mas ampliou o número para cinco após avaliar os perfis encontrados.
As cinco vagas foram preenchidas em cinco dias.
Para o Infojobs, a tecnologia ajuda a ampliar a divulgação, organizar candidaturas, aplicar filtros e acompanhar indicadores, mas a decisão permanece dependente da análise humana.
A inteligência artificial e a automação podem acelerar atividades, porém não substituem a escuta do candidato, a avaliação comportamental e o entendimento da cultura da empresa.
Segundo Patrícia, contratar com rapidez não significa eliminar avaliações importantes ou escolher o primeiro profissional disponível.
"Um processo ágil é aquele que retira etapas que não agregam à decisão, sem abrir mão da análise técnica, comportamental e cultural.
Quando a empresa sabe exatamente o perfil que procura e mantém uma comunicação transparente, consegue ganhar velocidade e, ao mesmo tempo, aumentar a assertividade da contratação", conclui.