DanielO'Czerny, do Citi: banco já investiu em 25 empreendimentos na região
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A expansão da infraestrutura digital, impulsionada pela inteligência artificial (IA) e pela computação em nuvem, reforçou a corrida por data centers de maior capacidade.
No Brasil, o mercado de capitais vem desempenhando um papel importante na busca por recursos.
O setor tem atraído novos entrantes, sejam fundos imobiliários (FII) ou private equity, e visto novos modelos de financiamento nascerem.
A tendência é que o “corporate finance”, em que a dívida é contraída pela empresa, dê espaço ao “project finance”, modelo que isola o risco no próprio projeto ou ativo, com prazos mais longos e garantias baseadas no fluxo de caixa futuro.
Dados da Associação Brasileira de Data Center (ABDC) mostram que o Brasil tem 188 unidades de processamento instaladas, com 1 GW de potência elétrica.
A demanda potencial é de algo entre 2,5 GW e 3,5 GW, com investimentos nos próximos anos de R$ 1 trilhão.
“O mercado de data center está no momento de transição estimulado pela IA, mas o impacto no Brasil hoje ainda é mais por cloud”, comenta Daniel O'Czerny, head de infra finance para a América Latina do Citi, banco que já investiu em 25 projetos na região.
“Hoje, as empresas utilizam estruturas de corporate finance, vão acrescentando capacidade, emitindo dívida e colocando no balanço, com swap em dólar”, explica O'Czerny, acrescentando que, para projetos maiores, acima de 30 MW, isto fica inviável - e o project finance ganha relevância.
No Citi, comenta o executivo, financiamentos a data centers vão de cinco a sete anos, mas após dois ou três anos, quando as estruturas entram em operação, as empresas se refinanciam, via mercado de capitais, e pagam o banco, que recicla o capital.
“A vocação, o tamanho e a moeda do projeto determinam que tipo de financiamento será feito daqui em diante”, comenta O'Czerny citando, como exemplo, o mega projeto da ByteDance (dona do TikTok) no Ceará, desenvolvido pela Omnia, plataforma de data centers hiperescala do Patria Investimentos.
O Citi participa da engenharia financeira do projeto.
O investimento da Omnia no data center gira em torno de R$ 12 bilhões para a implantação da infraestrutura incluindo edificações, sistemas de missão crítica e infraestrutura elétrica.
A escolha do local está ligada à oferta de energia eólica e incentivos fiscais na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com tratamento tributário especial para empresas voltadas ao mercado externo.
O data center terá 200 MW de capacidade.
“É uma nova fase dos data centers com mais potência, algo que começou a partir de 2023 com a IA, o que muda como os investimentos são feitos”, comenta Luiz Portela, diretor de novos negócios da Omnia.
“Faz mais sentido procurar fontes internacionais.
A tendência é o project finance, no lugar do corporate, que tem prazos menores.” Os recursos para o data center do TikTok vêm do fundo de infraestrutura V, do Patria, e de project finance.
Na Alianza Investimentos, que opera por meio do Alianza Digital Realty, um fundo dedicado a infraestrutura digital cujos ativos são detidos indiretamente pelo FII ALZR11, os negócios no setor avançam com uma joint firmada no final do ano passado.
A parceria é com o GIC, fundo soberano de Cingapura, e prevê R$ 2 bilhões em investimentos.
“Tem uma corrida ao ouro e o Brasil está perdendo a oportunidade.
O Redata traria benefícios para a importação de uma série de equipamentos, caros, e atrairia investimentos”, comenta Ricardo Madeira, sócio fundador da Alianza.
A medida provisória (MP) que instituía o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) perdeu a validade e um impasse no Congresso impediu sua aprovação.
No Alianza Digital Realty, o modelo é de “sale and leaseback”.
“Nós compramos o ativo, desmobilizamos o capital do cliente, que pode investir em outro data center, e locamos para ele mesmo”, comenta Madeira.
O fundo tem R$ 200 milhões em ativos.
Da nova parceria, com o fundo soberano, a casa já recebeu um cheque de US$ 150 milhões e usou uma parte para adquirir um data center da Scala no Rio de Janeiro.
“O objetivo do fundo é ganho de capital.
A ideia é consolidar os investimentos nesse produto com o fundo soberano e depois, se for o caso, colocar estes ativos no fundo de renda.”
Quem se organiza para atuar no setor é a Tívio Capital.
“Tem muita oportunidade e alguns desafios, como tributação, distribuição da energia e o debate sobre a soberania de dados.
Ainda assim, o Brasil tem aptidão para ser hub mundial do setor, mas tem que resolver estes entraves”, comenta Adriano Mantesso, head de real estate da Tívio.
Nos planos da gestora está o investimento na fase de preparação do terreno para o empreendedor futuro.
“Somos um player local em condições de deixar toda a infraestrutura pronta para que o cliente, em até 12 meses, instale seu data center.
É um serviço em que achamos o local, compramos, viabilizamos as licenças e as garantias para o fornecimento de energia”, explica Mantesso, acrescentando que o modelo traz a vantagem de ser um investimento de fácil saída.
“A tese está desenvolvida, muito parecida com um private equity, e negociamos com parceiros.
É algo para institucionais, sejam fundos locais ou estrangeiros, que buscam retorno atrativo e rápido.”
‘Project finance’ tende a ganhar mais espaço
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