Promotores israelenses acusam colono pela morte de ativista palestino que participou de filme ganhador do Oscar na Cisjordânia - QTU Questões do Universo

Promotores israelenses acusam colono pela morte de ativista palestino que participou de filme ganhador do Oscar na Cisjordânia

Fonte: Bandeira da fonte

Promotores israelenses apresentaram nesta quinta-feira uma denúncia contra o colono Yinon Levi pela morte de Awdah Hathaleen, líder comunitário e ativista palestino que trabalhou na produção do documentário vencedor do Oscar “Sem Chão”, ocorrida em julho de 2025 na Cisjordânia ocupada.
A acusação foi apresentada a um tribunal distrital e, no documento, os promotores acusam Levi de homicídio culposo por imprudência, além de invasão armada de propriedade e dano intencional ao patrimônio.
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A acusação prevê uma pena menor do que a de homicídio doloso.
A apresentação de ações contra colonos por violência contra palestinos, porém, é considerada extremamente rara.
A organização israelense de direitos humanos B’Tselem diz que este é o primeiro caso, desde 7 de outubro de 2023, quando a guerra teve início, em que um israelense é formalmente denunciado pela morte de um palestino na Cisjordânia.

Nesse período, segundo a entidade, colonos e soldados israelenses mataram ao menos 1,1 mil palestinos no território.
Em junho, sete países ocidentais, incluindo Reino Unido e França, anunciaram sanções contra colonos e organizações ligadas à violência e à expansão de assentamentos na Cisjordânia, medidas que Israel classificou como “vergonhosas”.
Em maio, o mesmo grupo já havia dito:
“Nos últimos meses, a situação na Cisjordânia se deteriorou significativamente”, disseram em comunicado conjunto Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
“A violência dos colonos atingiu níveis sem precedentes.
As políticas e práticas do governo israelense, incluindo um aprofundamento adicional do controle israelense, estão minando a estabilidade e as perspectivas de uma solução de dois Estados.”
‘Decisão equivocada’
O advogado de Levi, Avichay Hajbi, não confirmou se a denúncia havia sido formalizada, mas disse à agência Associated Press que a promotoria tomou uma “decisão equivocada”.
Segundo ele, a defesa responderá às acusações no tribunal.
Levi aparece em vídeos atirando contra grupos de palestinos na aldeia de Umm al-Khair, onde Hathaleen vivia, no dia em que o ativista foi morto.
Testemunhas afirmaram que um dos disparos efetuados por Levi atingiu Hathaleen, que estava a poucos metros de distância.

Um dos vídeos mostra Levi efetuando dois disparos.
Outro, que familiares afirmam ter sido gravado pelo próprio Hathaleen, mostra Levi atirando na direção da pessoa que segurava a câmera.
A gravação é interrompida, mas ainda é possível ouvir a pessoa gemendo de dor.
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Hathaleen era uma voz de destaque na campanha contra a violência de colonos e participou do filme vencedor do Oscar de 2025 No Other Land (Sem Chão), que retrata a luta de moradores palestinos para proteger suas casas e vilarejos.
Professor e pai de três filhos, ele costumava receber ativistas internacionais e autoridades em sua residência.
Sua projeção pública e os vídeos que registraram o momento do suposto disparo motivaram apelos internacionais para que Levi fosse processado.
Levi esteve entre os colonos israelenses sancionados pelos EUA e por outros países ocidentais em 2024 por acusações de violência contra palestinos.
As sanções impostas pelos Estados Unidos foram revogadas pelo presidente Donald Trump após ele assumir o cargo no ano seguinte.
(Com AFP)