A conta de energia elétrica dos paraenses pode ficar mais cara a partir da próxima quinta-feira (7).
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa, nesta terça-feira (4), a proposta de Revisão Tarifária Anual da Equatorial Pará, que prevê reajuste médio de 7,6% para os consumidores atendidos pela distribuidora.
Os percentuais constam nos documentos técnicos que embasam a decisão da agência e foram detalhados em levantamento divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA).
Caso a proposta seja aprovada sem alterações, as novas tarifas entrarão em vigor em 7 de agosto e alcançarão cerca de 3,12 milhões de unidades consumidoras nos 144 municípios paraenses.
A proposta prevê aumento de 7,4% para os consumidores de baixa tensão, grupo que reúne residências, pequenos comércios e propriedades rurais, e de 8,42% para os consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes empresas.
De acordo com o Dieese-PA, caso fossem considerados apenas os componentes econômicos tradicionais da revisão tarifária, o reajuste médio chegaria a 13,41%.
No entanto, a utilização antecipada de R$ 500 milhões provenientes do Uso do Bem Público (UBP) reduziu a proposta para os atuais 7,6%.
*Aumento*
Como o reajuste proposto para os consumidores residenciais é de 7,4%, o economista Nélio Bordalo elaborou simulações para demonstrar o impacto na conta de luz.
• Conta de R$ 300: passaria para R$ 322,20, aumento de R$ 22,20;
• Conta de R$ 500: passaria para R$ 537, aumento de R$ 37;
• Conta de R$ 700: passaria para R$ 751,80, aumento de R$ 51,80.
*Impacto no orçamento*
Segundo o economista Nélio Bordalo, a energia elétrica é um bem essencial, o que faz com que as famílias tenham pouca margem para reduzir o consumo quando a tarifa sobe.
"O aumento reduz diretamente a renda disponível para outras despesas essenciais.
Como o consumo de energia é inelástico, as famílias não conseguem diminuir o uso na mesma proporção do aumento do preço.
Na prática, recursos que seriam destinados à alimentação, saúde, transporte e lazer passam a ser usados para pagar a conta de luz", explica.
O economista acrescenta que esse efeito tende a ser ainda mais intenso no Pará, estado que historicamente figura entre os que possuem tarifas mais elevadas do país.
Pequenos comerciantes também devem sentir os efeitos
Na avaliação de Nélio Bordalo, os impactos do reajuste não se limitam aos consumidores residenciais.
Pequenos comerciantes e prestadores de serviços também estão entre os grupos que mais tendem a sentir os efeitos de um eventual aumento da tarifa.
Segundo ele, padarias, mercearias, açougues, restaurantes e outros pequenos negócios dependem diretamente da energia elétrica para manter equipamentos de refrigeração e maquinário em funcionamento.
Como trabalham com margens de lucro menores, têm menor capacidade de absorver o aumento dos custos sem repassar parte desse valor aos consumidores.
*Reajuste pode pressionar a inflação*
Na avaliação do Dieese-PA, a energia elétrica exerce influência direta sobre praticamente toda a economia.
Além do impacto imediato na conta paga pelas famílias, que é refletido em índices como o IPCA e o INPC, o aumento também eleva os custos de produção da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária.
Para Nélio Bordalo, isso provoca um efeito em cadeia.
"O reajuste da energia funciona como um importante indexador da inflação de custos.
O aumento da tarifa encarece a produção, o comércio e os serviços, elevando os preços ao consumidor.
Além disso, reduz o dinheiro em circulação na economia, já que uma parcela maior da renda das famílias passa a ser destinada ao pagamento da conta de luz", afirma.
O departamento de estudos socioeconômicos acrescenta que, no caso das empresas atendidas em alta tensão, cujo reajuste proposto é de 8,42%, o aumento dos custos tende a ser repassado aos preços finais de produtos e serviços ao longo dos meses seguintes.
Paradoxo energético
De acordo com o Dieese, o Pará continua vivendo um paradoxo.
Embora seja um dos maiores produtores de energia elétrica do país e abrigue importantes usinas hidrelétricas, consumidores e empresas locais continuam pagando tarifas consideradas elevadas.
O departamento também destaca que, entre 2016 e 2025, a tarifa residencial acumulou aumento de 81,62%, enquanto a inflação medida pelo INPC foi de aproximadamente 56% no mesmo período.
Na avaliação do órgão, isso representa perda do poder de compra da população, sobretudo entre trabalhadores que recebem até um salário mínimo.
Em nota, a Equatorial Pará informou que o processo de definição das tarifas é conduzido exclusivamente pela Aneel, responsável por analisar os componentes tarifários e homologar os índices aplicáveis às distribuidoras.
A concessionária afirmou que aguarda a conclusão da análise e a publicação oficial da decisão da agência reguladora para aplicar as tarifas que vierem a ser homologadas.
A empresa acrescentou que, após a divulgação oficial da Aneel, prestará todos os esclarecimentos necessários sobre os novos índices e sua aplicação aos consumidores.
