O psiquiatra forense Phillip Resnick afirmou que Lindsay Clancy, de 36 anos, sofria de uma “alucinação de comando” e de um “delírio de influência” quando matou os três filhos, em janeiro de 2023, em Massachusetts, nos Estados Unidos.
Última testemunha apresentada pela defesa, ele disse aos jurados que, em sua avaliação, a mãe estava tão afetada pela doença mental que não conseguia controlar seu comportamento no dia das mortes.
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Os advogados de Clancy não contestam que ela tenha cometido os assassinatos, mas sustentam que ela deve ser considerada inocente das acusações de homicídio porque sofria de psicose pós-parto.
— Minha opinião é que a sra.
Clancy, devido à sua doença mental, foi incapaz de adequar sua conduta às exigências da lei no dia em que tirou a vida dos filhos — disse o psiquiatra.
Na sequência, Resnick explicou que, segundo sua avaliação, Clancy estaria apenas seguindo o comando de uma alucinação, em vez de conseguir decidir por conta própria se deveria matar as crianças.
— Foi uma situação em que ela estava apenas seguindo o comando, em vez de ser capaz de decidir se faria isso ou não.
Psiquiatra diz que Clancy acreditava estar ajudando os filhos
Resnick afirmou que, além da voz imperativa, ou seja uma "alucinação de comando", Clancy apresentava um “delírio de influência”.
Segundo ele, a mãe não tinha controle sobre as próprias ações e provavelmente não conseguia distinguir entre o certo e o errado no dia dos crimes.
O psiquiatra também afirmou que, na visão de Clancy, ela estaria fazendo um favor aos filhos ao levá-los para o céu com ela, em vez de deixá-los na Terra sem que pudesse exercer seu papel de mãe.
— Na mente dela, ela acreditava que estaria fazendo um favor aos filhos ao fazê-los ir para o céu com ela, em vez de permanecerem na Terra sem que ela exercesse o papel de mãe — explicou.
Resnick chegou a essa avaliação depois de examinar Clancy e analisar os prontuários médicos dela.
O depoimento ocorreu na sexta-feira, quando a defesa encerrou a apresentação de suas testemunhas.
Promotoria afirma que mortes foram calculadas
A promotoria apresenta uma versão diferente sobre o estado mental da ré.
Os promotores afirmam que Clancy tomou uma decisão calculada de matar intencionalmente os três filhos: Cora, de cinco anos; Dawson, de três; e Callan, de oito meses.
Segundo a acusação, em janeiro de 2023, Clancy estrangulou as três crianças com faixas elásticas de exercício dentro da casa da família em Massachusetts.
Depois, pulou de uma janela do segundo andar.
Clancy sobreviveu à queda, mas ficou paralítica.
Atualmente, acompanha o julgamento em uma cadeira de rodas.
Ela responde a três acusações de homicídio em primeiro grau.
A defesa sustenta que Clancy passou a apresentar alucinações e delírios depois do nascimento de Callan e que recebia tratamento médico para problemas psiquiátricos.
Pouco antes das mortes, ela chegou a ficar internada durante alguns dias em um hospital psiquiátrico.
No início da semana, a mãe e a ex-sogra de Clancy testemunharam sobre a deterioração de sua saúde mental depois do nascimento do filho mais novo.
Susan Clancy, ex-sogra da ré, descreveu-a como uma mãe “muito cuidadosa, muito amorosa”.
— Ela estava implorando por ajuda — disse Susan.
O que é psicose pós-parto?
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) define a psicose pós-parto como uma doença mental grave e rara que pode afetar uma pessoa logo após o nascimento de um bebê.
A condição é diferente do chamado “baby blues”.
"A psicose pós-parto é muito diferente do 'baby blues' (...) É uma doença mental grave e deve ser tratada como uma emergência médica", explica.
O caso deverá ser encaminhado ao júri no início da próxima semana, após quase um mês de depoimentos.
A decisão será tomada depois da apresentação das versões da defesa e da acusação sobre o estado mental de Clancy e as circunstâncias das mortes dos três filhos.
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