Para o advogado, professor, escritor e pesquisador Ricardo Alexandre Rodrigues Garcia, a defesa dos direitos das pessoas autistas deixou de ser apenas uma área de atuação profissional para se transformar em um propósito de vida.
Pai atípico de uma filha diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), grau 1 de suporte, ele passou a vivenciar dentro da própria família desafios que antes conhecia principalmente sob a perspectiva jurídica e acadêmica.
Mestre, doutor e professor do curso de Direito do Centro Universitário de Santa Fé do Sul (Unifunec), Ricardo Garcia reúne em sua trajetória advocacia, docência, pesquisa, produção literária e palestras voltadas à conscientização sobre os direitos das pessoas com TEA.
A experiência da paternidade trouxe uma nova dimensão para seu trabalho.
Questões relacionadas à educação inclusiva, acesso à saúde, tratamentos, assistência social, políticas públicas e proteção contra práticas discriminatórias passaram a ser observadas não apenas pelos livros e pela legislação, mas também pela realidade cotidiana de uma família atípica.
Quando o autismo entra na nossa própria casa, o Direito deixa de ser apenas uma teoria.
Ele passa a ter rosto, sentimentos, desafios e histórias.
Como pai, eu aprendi que muitas famílias não precisam apenas que seus direitos existam na legislação; elas precisam saber que esses direitos existem e entender como podem buscá-los.
Foi isso que transformou minha forma de enxergar o Direito e fortaleceu em mim o propósito de levar informação para quem precisa
Ricardo Garcia
Divulgação
Essa experiência pessoal passou a caminhar lado a lado com sua trajetória acadêmica.
Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no câmpus de Paranaíba - MS (1999), Ricardo construiu uma carreira dedicada também à formação de novos profissionais e à produção científica.
Em 2026, participou da publicação dos artigos "Da garantia normativa à efetivação dos direitos das pessoas autistas: uma análise jurídico-prática da obra Direitos dos Autistas na Prática", na Revista Científica Multidisciplinar Tópicos, e "Redução da jornada de trabalho dos pais ou responsáveis de crianças autistas", na Revista Científica Multidisciplinar da Unifunec.
Também participou, em 2025, do estudo "A judicialização dos direitos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)", publicado na RevistaFT, e, em 2024, do artigo "Direitos e garantias dos autistas na legislação brasileira", publicado na Revista Contemporânea.
A produção acadêmica se soma ao livro "Direitos dos Autistas na Prática: O que a lei garante e como exigir", desenvolvido com o objetivo de aproximar a legislação da realidade das famílias.
A obra apresenta informações jurídicas em linguagem acessível para pais, educadores, cuidadores e profissionais que convivem com pessoas autistas.
Para Ricardo, o conhecimento jurídico só cumpre plenamente sua função quando consegue chegar às pessoas e ajudá-las a enfrentar situações concretas.
Essa visão também está presente em suas palestras, realizadas para pais, professores, estudantes, cuidadores e profissionais, abordando temas como inclusão escolar, tratamentos, benefícios assistenciais, discriminação e responsabilidade do poder público.
Sua atuação também ultrapassou os limites da advocacia e da universidade.
Ricardo participou da formação da Associação dos Amigos e Pais dos Autistas de Santa Fé do Sul (AMASSOL), entidade voltada ao acolhimento, orientação e apoio às famílias atípicas, além de iniciativas de conscientização e inclusão.
Os próximos projetos acadêmicos também seguem essa mesma direção.
Ricardo pretende iniciar um pós-doutorado na Universidade de Araraquara - UNIARA, na área de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, com uma proposta de investigação sobre os direitos das pessoas autistas em comunidades atendidas por ações sociais e missões universitárias.
Para janeiro de 2027, está inscrito para participar da Missão Univida, em Parintins (AM), onde pretende desenvolver palestras educativas sobre os direitos das pessoas autistas e utilizar a experiência como base para produção científica.
Também estão previstas outras atividades em 2027, em municípios como Maués (AM), Xingu (MT) e Dourados (MS).
A trajetória de Ricardo Garcia mostra como uma experiência familiar pode transformar uma carreira e ampliar um propósito.
A partir da paternidade atípica, o advogado passou a unir conhecimento jurídico, pesquisa, educação e comunicação em torno de uma causa que considera fundamental: fazer com que mais famílias conheçam os direitos das pessoas autistas e encontrem caminhos para exercê-los.
"Eu não escolhi viver a experiência da paternidade atípica, mas escolhi transformar tudo o que aprendi com ela em propósito.
Se uma família conseguir compreender um direito, buscar um tratamento, conquistar uma inclusão ou simplesmente perceber que não está sozinha por meio de uma informação que eu compartilhei, todo esse trabalho já terá valido a pena.
Para mim, informação também é uma forma de inclusão", conclui.
Mais informações:
📱 Instagram: @ricardoargarcia
TikTok: @ricardo.garcia2295
🌐 Site: www.drricardogarcia.adv.br
📚 Currículo Lattes: lattes.cnpq.br/4413750327043645
E-mail: ricardogarciaadv@hotmail.com
Quando a paternidade se transforma em propósito: Escritor Ricardo Garcia e a luta pelos direitos dos autistas
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