Quem era Leandro Henrique, jóquei que vivia o auge da carreira antes do acidente na Gávea - QTU Questões do Universo

Quem era Leandro Henrique, jóquei que vivia o auge da carreira antes do acidente na Gávea

Fonte: Bandeira da fonte

Aos 27 anos, Leandro Henrique, que morreu nesta quarta-feira (19), três dias após sofrer um acidente no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, vivia um momento especial na carreira.
Depois de conquistar o Grande Prêmio Brasil, em junho, ele havia sido contratado, há cerca de 20 dias, pelo Haras Santa Maria de Araras, considerado por profissionais do turfe como um dos principais criadores de cavalos de corrida da América Latina.
Também havia vencido uma prova de Grupo 1 pelo novo empregador e começava a investir ainda mais na preparação física e na alimentação.
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Leandro passou três dias internado e morreu nesta madrugada.
Para sua companheira, Victoria Mota, que também tem formação como joqueta, a queda foi uma fatalidade.
Segundo ela, o cavalo não fez a curva durante o páreo, seguiu em linha reta e pulou um cavalete.
Na queda, o impacto fez com que o animal puxasse Leandro para baixo, levando-o a se chocar contra a cerca.
Para ela, uma pequena mudança na trajetória do cavalo poderia ter mudado completamente o desfecho.
— Foi 100% uma fatalidade.
Não foi nada que pudesse ter sido evitado de outra forma.
Foi realmente uma extrema má sorte.
Por uma questão de centímetros.
Ele poderia ter caído um pouco mais para um lado ou para o outro e não teria tido esse primeiro impacto com a cerca.
Se o cavalo tivesse caído um pouco mais para a esquerda ou para a direita, ele teria caído direto no solo — afirmou ela, que considera adequados os protocolos de segurança adotados nas corridas.
— Uma ambulância acompanha os páreos e que os jóqueis utilizam capacete e colete de proteção.

Leandro Henrique, Victoria Mota e a filha, Manoela, durante a comemoração de 1 ano da menina
Arquivo Pessoal
Histórico de lesões
Ao longo dos últimos quatro anos, Leandro sofreu diferentes acidentes e lesões.
Segundo Victoria, ele fraturou as duas clavículas — e numa delas, precisou de cirurgia —, teve uma fratura no punho, também operada, e fraturou as costelas, com perfuração no pulmão, o que exigiu internação.
A última lesão ocorreu em março de 2025, quando ele fraturou uma das clavículas.
Depois do período de recuperação, voltou a montar normalmente.
Segundo Victoria, não havia preocupação com o retorno dele às pistas antes do acidente.
Ela afirma que, após as lesões, Leandro recebeu acompanhamento de especialistas e cumpriu os períodos de recuperação indicados pelos médicos:
— O período de recuperação é sempre muito bem assistido.
Eles não podem voltar a montar meia-boca.
Eles têm que voltar a montar 100%.
De Recife para o Rio
Leandro nasceu em Recife, onde começou a montar aos 9 anos.
Ele participou do projeto Jockey do Futuro, que ensina crianças a montar pôneis.
Aos 16 anos, em 2015, veio para o Rio de Janeiro para seguir o sonho de se tornar jóquei.
Leandro Henrique com a bandeira de Pernambuco após a vitória no Grande Prêmio Brasil de 2025, montando o cavalo Sinsel
Arquivo Pessoal
Ao longo da carreira, conquistou diversas provas graduadas e trabalhou para importantes proprietários.
O Grande Prêmio Brasil, vencido em junho, era um sonho pessoal.
Cerca de 15 dias antes do acidente, havia sido contratado pelo Haras Santa Maria de Araras.
Antes disso, trabalhava para o Stud Red Rafa, proprietário pelo qual venceu o Grande Prêmio Brasil.
— Ele não tinha dimensão da grande estrela que seria dentro desse esporte.
Ele é uma referência para a gente.
Conquistou tudo.
Era um jóquei de muita qualidade e muito admirado — contou Victoria.
Segundo ela, Leandro estava muito feliz com a nova fase profissional.
Ele havia começado a fazer mais preparação física e a cuidar da alimentação.
— Ele estava num momento muito animado da carreira, muito promissor.
Infelizmente, isso foi interrompido no melhor momento para ele.
Leandro ainda tinha o sonho de montar fora do Brasil.
Segundo Victoria, ele já havia recebido algumas propostas, mas considerava que ainda não era o momento.
Um pai muito apaixonado pela filha
Victoria e Leandro começaram a namorar aos 16 anos.
Eles ficaram juntos por cinco anos, passaram três anos separados e reataram em 2024.
Desde então, estavam juntos novamente e tiveram Manoela, que nasceu em julho de 2025:
Leandro Henrique no Dia dos Pais ao lado da filha, Manoela, de 1 ano
Arquivo Pessoal
— Ele era um pai muito apaixonado pela filha, e ela também era muito apegada a ele.
É muito difícil imaginar e me preparar para ela crescer sem o pai.
Para Victoria, a palavra que melhor define a trajetória do companheiro é superação.
— Ele passou por diversas dificuldades e se recuperou de todas elas.
Conseguiu vencer diversas dificuldades.
O Leandro é um sucesso, é uma referência e é querido por todo mundo.
Ela também lembra do jeito reservado e generoso do companheiro:
— Ele era uma pessoa maravilhosa, extremamente querido.
Era alegre, às vezes muito quieto porque era tímido, mas muito parceiro dos amigos e muito simpático.
Ele tirava a roupa do corpo para dar para o outro.
A morte de Leandro abalou a comunidade do turfe.
Segundo Victoria, jóqueis, treinadores, proprietários e funcionários têm prestado apoio à família:
— A comunidade turfística está completamente abalada, sem entender, desnorteada, desacreditada.
Está sendo uma dor muito grande para todo mundo.
Velório
A família dele, que é de Recife, está no Rio para definir os detalhes do velório e do destino do corpo.
A previsão é que a despedida aconteça nesta quinta-feira.
Ainda não há definição sobre sepultamento ou cremação.