Quem nasce nas famílias mais pobres tem menos de 2% de chance de concluir ensino superior, mostra Atlas da Mobilidade Social - QTU Questões do Universo

Quem nasce nas famílias mais pobres tem menos de 2% de chance de concluir ensino superior, mostra Atlas da Mobilidade Social

Fonte: Bandeira da fonte

Embora o acesso ao Ensino Superior tenha se ampliado nas últimas décadas, cursar a universidade ainda é um sonho distante para boa parte da população.
Entre os filhos de famílias que compõem os 25% mais pobres do país, apenas 1,58% conclui essa etapa de ensino.
Os dados são do novo Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), em parceria com o Prospera Lab.
Os números mostram que a origem familiar faz uma diferença expressiva.
Entre os jovens de classe média, a probabilidade de terminar uma graduação mais que dobra, chegando a 4,17%, embora ainda sejam poucas chances.
— Essa baixa probabilidade representa um grande obstáculo para a mobilidade social ascendente dos mais pobres, já que a conclusão do Ensino Superior permite o acesso a empregos com remuneração mais elevada e maiores oportunidades de ascensão na carreira, especialmente diante do avanço de novas tecnologias como a Inteligência Artificial — diz Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS.
Conclusão dos estudos por faixa de renda da família de origem
Arte O Globo
O cenário só tem uma mudança mais expressiva ao chegar nos filhos dos 25% mais ricos, quando a chance chega a 37,77% — quase 24 vezes maior do que a registrada entre os de menor renda.
— Isso significa que os filhos de famílias mais ricas terão acesso a melhores oportunidades de emprego que os filhos de famílias mais pobres — conclui Veloso.
A desigualdade aparece antes mesmo da universidade.
Entre os filhos dos 25% mais pobres, 47,05% concluem o Ensino Médio.
A parcela aumenta para 59,54% na classe média e alcança 90,73% entre os jovens das famílias mais ricas.
Os níveis educacionais em diferentes municípios também refletem a baixa escolaridade no país.
Embora as capitais e os grandes centros urbanos tenham os melhores resultados, nenhum município registra mais de 68,6% da população com o Ensino Fundamental completo ou mais de 54,7% com o Ensino Médio concluído.
No Ensino Superior, a proporção de moradores com diploma não chega a 25% em nenhuma cidade brasileira.
As faixas são definidas pela posição dos pais na distribuição de renda.
No estudo, os 25% mais pobres tinham renda domiciliar mensal de até R$ 2.183,41, enquanto os 25% mais ricos recebiam acima de R$ 7.266,03.
A classe média reunia as famílias com rendimentos entre esses dois valores.
Os números foram corrigidos para dezembro de 2019.
A renda domiciliar corresponde à soma dos rendimentos recebidos por todos os moradores da casa.

A nova versão do Atlas, lançado pela primeira vez no ano passado, agora conta com novos indicadores socioeconômicos municipais, incluindo os de escolaridade.
Com isso, os pesquisadores concluíram que a educação é o principal fator associado à mobilidade social.
O levantamento acompanha cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, comparando a renda bruta média recebida pelos moradores da casa durante a infância e a adolescência dos filhos com os resultados alcançados por eles entre os 25 e os 29 anos.
Para isso, combina registros da Receita Federal, da Rais, do Cadastro Único e do Bolsa Família com pesquisas domiciliares do IBGE.