O aviso de que os fortes ventos da tarde de quarta-feira castigavam o quiosque Sunset, na Ilha do Governador, chegaram ao proprietário, Byron Teixeira, de 32 anos, através da ligação de um amigo.
O telhado não resistira às rajadas.
Os solavancos da estrutura a levavam em direção ao céu, que forçavam cabos de energia e jogavam no chão equipamentos.
O prejuízo foi avaliado em R$ 22,5 mil, dinheiro que a casa não tem em caixa para já começar as reformas necessárias.
'Só pensava em Deus e na minha família', diz, ao GLOBO, operário que ficou pendurado em andaime na Barra durante ventania
'Gritavam por socorro': Os minutos que antecederam a morte de ex-jogador do Botafogo e seu amigo em Santa Teresa
Uma das soluções encontradas para reabrir as portas o mais rápido possível e contar com a solidariedade de amigos e clientes.
Uma vaquinha on-line foi aberta para angariar os recursos, com meta de R$ 25 mil devido às taxas a serem repassadas para a plataforma.
O quiosque Sunset nasceu da ideia e da vontade de Byron de criar um espaço na Ilha para ser mais do que um ponto de encontro da comunidade LGBT.
Além de funcionar como um polo de entretenimento, as portas abertas seriam um lugar seguro para ser quem se é, montado no look, ou não.
Agora, o espaço que tanto acolhe também precisa ser abraçado pela comunidade.
Quiosque na Ilha do Governador tem telhado totalmente danificado pelos fortes ventos
Foram idas e vindas antes de firmar o ponto na Praia Belo Jardim.
O ponto no número 11 foi alugado em 2019, passou por reformas por quase um ano e, logo que inaugurou, veio a pandemia.
O ponto foi entregue, e o Sunset voltou a iluminá-lo em 2022.
Desde então, uma programação voltada para diversão e entrosamento da população LGBT tem animado e colorido o quiosque de terça a domingo.
— Falei que acreditava que daria certo porque a Ilha precisa desse espaço LGBT.
Fazemos eventos, festas temáticas, concurso drag, falamos sobre saúde e prevenção, explicamos sobre a nossa promovemos eventos sociais, como doação de cestas básicas, apadrinhamento de crianças de uma comunidade ali do lado, já foram mais de 100 crianças no Natal.
Mais que empreendimento, é uma casa de cultura, é por isso que luto tanto para manter de pé — conta Byron.
'Perdemos tudo': Após ventania no Rio, ONG perde telhado; 100 cães ficam desabrigados em Itaguaí
Em março do ano passado, o quiosque passou por uma grande reforma, ganhando palco, camarim.
O teto, que não resistiu na quarta-feira, foi trocado.
O lugar recebe DJs, drags queen e convidados para se apresentarem, diferencial que cativou o público, afirma o proprietário.
Byron pensa em como agilizar a reforma para poder reabrir o espaço o quanto antes.
Além de receber artistas cativos, que contam com esse pagamento, tem funcionários e as contas, que não vão deixar de chegar, entre elas, o aluguel.
Uma das alternativas pensadas é de fazer um evento no teatro da Ilha do Governador com o valor dos ingressos revertidos para as reformas.
— Tentei falar com o proprietário sobre o que aconteceu.
Ele disse que não tem como ajudar, nem tirar o aluguel ou abater porque é a renda dele.
Está sendo a gente pela gente mesmo — conta Byron.
Ele ainda questiona sobre a falta de aviso por parte dos órgãos públicos para alertar quanto as potências dos ventos.
Byron conta que quiosques que estavam em funcionamento na hora tiveram outros tipos de prejuízo, como cadeiras e toldos voando, além dos riscos de machucar clientes e funcionários.
— Estamos cientes de mudanças climáticas e eventos do El Niño.
Acho que foi uma amostra.
Ninguém esperava, ninguém foi avisado.
Tivemos um alerta falso da defesa civil, que foi um erro, mas esse que estragou boa parte da cidade, não fomos informados.
Se soubéssemos que vinham ventos de mais de 90 km/h a 100 km/h, teríamos nos preparado, amarrado a cobertura de alguma forma, prendido.
