Radialista e ex-treinador da seleção australiana de rugby vai a julgamento por 22 acusações de crimes sexuais contra seis homens - QTU Questões do Universo

Radialista e ex-treinador da seleção australiana de rugby vai a julgamento por 22 acusações de crimes sexuais contra seis homens

Fonte: Bandeira da fonte

Começou nesta segunda-feira o julgamento do radialista australiano Alan Jones, em um tribunal de Sydney.
O veterano da mídia, de 85 anos, responde a 22 acusações relacionadas a crimes sexuais envolvendo seis homens.
Segundo a acusação, os supostos episódios ocorreram entre 2003 e 2020 em diferentes locais, incluindo eventos públicos, residências de Jones e seu local de trabalho.
O radialista nega todas as acusações.
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No primeiro dia do julgamento, os promotores afirmaram que Alan Jones teria praticado atos de natureza sexual sem consentimento, incluindo apalpações de homens enquanto dirigiam e tentativas de beijo, segundo a BBC.
A acusação apresentou ao tribunal os relatos das supostas vítimas, enquanto a defesa contestou a credibilidade dos denunciantes e afirmou que o caso foi marcado por um "julgamento pela mídia".
Alan Jones é uma figura influente da mídia australiana.
Antes de atuar no rádio, trabalhou como professor e comandou a seleção australiana de rugby, os Wallabies, durante quatro anos, em meados da década de 1980.
Ele apresentou durante décadas um programa na emissora 2GB, em Sydney, e se aposentou em 2020, alegando problemas de saúde.
Acusação apresenta relatos das supostas vítimas
Um dos denunciantes, identificado como J, conheceu Alan Jones ainda adolescente durante uma entrevista ao vivo após conquistas esportivas.
Segundo a acusação, o radialista chegou a presenteá-lo com um telefone celular e um carro, além de pagar inicialmente 400 dólares australianos por semana, valor posteriormente elevado para 600 dólares australianos semanais.
Os promotores afirmam que, durante uma viagem à propriedade de Alan Jones em Fitzroy Falls, cerca de duas horas ao sul de Sydney, o radialista teria tocado o pênis do jovem e tentado beijá-lo sem consentimento.
Em outro episódio, ainda segundo a acusação, Jones voltou a tentar beijá-lo sem consentimento.
Ao explicar por que não denunciou os supostos episódios na época, o denunciante afirmou:
— Se eu contasse a alguém, eu perderia tudo.
Eu estava recebendo tudo de mão beijada, era uma vida maravilhosa.
Segundo a acusação, a declaração fazia referência ao carro recebido e aos pagamentos semanais.
O denunciante também afirmou que sentia vergonha da situação:
— Eu teria que contar aos meus amigos e familiares...
Eu não sinto esse tipo de atração por outros homens, então não queria que ninguém soubesse.
Nove das 22 acusações estão relacionadas ao denunciante J.
Segundo a acusação, ele tinha 17 anos quando os supostos crimes começaram.
Outro denunciante, identificado como C, trabalhava como motorista de Alan Jones.
Os promotores afirmam que ele relatará que o radialista tocou diversas vezes em seu pênis durante viagens do trabalho para casa e tentou beijá-lo repetidamente, inclusive no elevador dos estúdios de rádio, sempre sem consentimento.
A acusação também sustenta que Jones enviou mensagens de conteúdo explícito ao motorista.
Segundo os promotores, a vítima acreditava que precisava responder às mensagens para não colocar sua carreira em risco.
Outra suposta vítima mencionada pela acusação era um estudante do ensino médio de 17 anos que, segundo os promotores, foi convidado para a propriedade de Alan Jones em Fitzroy Falls, onde o radialista teria tentado beijá-lo.
Defesa contesta denúncias
No primeiro dia do julgamento, a defesa afirmou que o caso teria sido motivado por "rivalidade, traição, duplicidade, dinheiro, ódio, desespero, oportunismo e muito mais" e contestou a credibilidade das supostas vítimas.
Os advogados também sustentaram que Alan Jones foi submetido a um "julgamento pela mídia", alegaram que rivais do radialista incentivaram as denúncias e afirmaram que algumas das supostas vítimas teriam inventado as acusações.
A defesa ressaltou ainda que, em um tribunal, as acusações precisam ser comprovadas além de qualquer dúvida razoável.
O processo será conduzido apenas por um juiz, sem participação de júri.
A expectativa é que mais de 70 testemunhas sejam ouvidas ao longo do julgamento.
Alan Jones foi preso pela primeira vez em novembro de 2024, após a polícia iniciar uma investigação sobre as alegações de abuso sexual.
As denúncias vieram a público inicialmente em reportagens do Sydney Morning Herald.