Recuperação de preços e aumento da demanda sinalizam bom momento dos projetos de níquel no Brasil - QTU Questões do Universo

Recuperação de preços e aumento da demanda sinalizam bom momento dos projetos de níquel no Brasil

Fonte: Bandeira da fonte

O Brasil desfruta de uma condição especialmente favorável no momento em que o mercado global de minério de níquel vai se recuperando do excesso de oferta e das recentes pressões deflacionárias, como a derrubada de preços em 2025.
O horizonte é promissor não só por conta da projeção de alta de preços, da ordem de 12% para este ano, segundo o Banco Mundial, mas também pelo aumento da demanda no longo prazo — estimada em 80% até 2040, segundo a International Energy Agency (IEA).

Nesse cenário, o Brasil está bem-posicionado, com a terceira posição nas reservas mundiais e oitava posição global em produção, oferecendo diversidade e qualidade de depósitos lateríticos (secundários) e sulfetados (primários), respectivamente para os segmentos de aço inoxidável e de transição energética.

A competitividade do país também se alicerça no uso de fontes de energia 100% renováveis e no crescimento da capacidade de refino, segundo análise do “Panorama do potencial de minerais críticos e estratégicos do Brasil — edição 2026”, editado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“Não são todos os países que têm níquel, muito menos a nossa riqueza geológica.
Temos grandes minas de níquel sulfetado operando, material que tem maior valor agregado, utilizado em baterias e componentes eletrônicos.
E existem projetos em variadas fases, da prospecção ao refinamento”, explica Lila Costa Queiroz, coordenadora do projeto Níquel Brasil, do SGB.

Arte/Valor
“O níquel extraído e processado no Brasil é reconhecido internacionalmente pela baixa emissão de carbono.
Montadoras e fabricantes de tecnologia buscam o mineral brasileiro para cumprir suas metas de sustentabilidade”, diz Luiz Persechinni, chief financial officer da Appian Capital Brazil, controladora da Atlantic Nickel.
O Estado do Pará abriga o maior ativo produtor do país, o Complexo Mineral Onça Puma, em Carajás, administrado pela Vale, que em 2025 elevou a capacidade de produção em 60% com a inauguração do segundo forno de processamento de níquel — investimento de cerca de US$ 480 milhões.
Com isso, a produção de níquel acabado de origem própria totalizou 9,4 kt (milhares de toneladas) no primeiro trimestre deste ano.

Como acontece com diversas mineradoras em todo o país, Onça Puma atravessa uma longa história de judicialização por conflitos com a comunidade local.
Os povos indígenas Xicrim e Kaiapó reivindicam, entre outras coisas, a despoluição do rio Cateté.
“Existem duas ações em curso, atualmente, para comprovar que a empresa é responsável e deve promover os reparos de danos necessários”, relata o procurador da República Márcio de Figueiredo Machado Araújo.
A Vale, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que, “por meio de planos de gestão ambiental desenvolvidos em conjunto com as comunidades, a operação busca mitigar seus impactos ao mesmo tempo que contribui para o fortalecimento das tradições, dos modos de vida, da sustentabilidade, da proteção territorial, da conservação ambiental e da valorização das culturas indígenas”.
Uma nova área que, segundo analistas, emerge como uma província sulfetada de elevado potencial é o Estado da Bahia.
A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), de economia mista, pesquisa os potenciais do Estado.
“Descobrimos jazidas e depósitos economicamente viáveis para oferecer a parceiros, que pagam royalties pela exploração.
Temos cerca de 750 direitos minerários para pesquisa no Estado, 150 dos quais para níquel”, explica Williame Cocentino, diretor técnico da companhia.

Foi a CBPM que identificou a única reserva de níquel primário do Brasil, a mina Santa Rita, em Itagibá (BA), operada pela Atlantic Nickel.
Com um aporte estimado de R$ 3,3 bilhões, a empresa britânica implanta uma tecnologia que estenderá a vida útil da mina para mais de 30 anos.
O método, conhecido como sublevel caving, faz exploração em profundidades significativas.

A CBPM também descobriu dois depósitos com enorme potencial de produção, que estão em estágio pré-operatório.
O Projeto Mangueiros, negociado com a Bahia Metals, tem 600 milhões de toneladas de minério.
O Complexo Lagoa Grande ainda não foi negociado.
“Mas trata-se de uma grande oportunidade.
Não pelo teor de níquel, e sim pelo volume, 400 milhões de toneladas de minério”, diz Cocentino.

No Piauí, a Brazilian Nickel está desenvolvendo o Projeto Piauí Níquel, que utiliza lixiviação em pilha para extrair níquel e cobalto, dispensando a fundição intensiva em energia e reduzindo as emissões totais de gases de efeito estufa.
A lixiviação em pilha é um processo hidrometalúrgico em que o minério é empilhado sobre uma base impermeabilizada e irrigado com uma solução que dissolve níquel e cobalto.

Os metais são recuperados, purificados e precipitados em MHP (precipitado de hidróxido misto), um produto com grau de pureza elevado, que também pode ser usado para produzir níquel metálico de alta pureza.
“Com teor médio de cerca de 48% de níquel e 2% de cobalto, nosso MHP será matéria-prima para baterias de veículos elétricos e outras aplicações industriais”, conta Mark Travers, CEO da Brazilian Nickel.
Em julho deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$ 100 milhões para apoiar a operação.
Nickel - Price recovery and rising demand signal
Brazil is in a favorable position as the global nickel market recovers from a period of steep deflationary pressure.
The country ranks third in the world in nickel reserves and eighth in production, with a diverse portfolio of high-quality deposits.
Brazil’s competitiveness is further bolstered by its low-carbon hydroelectric power matrix and its expanding refining capacity.
The country’s largest mine is Vale’s Onça Puma complex in Carajás, Pará state, which boosted production capacity by 60% in 2025 with the start-up of its second furnace.
According to industry analysts, Bahia state is emerging as a high-potential sulfide province.
The Bahia Mineral Research Company (CBPM) identifies economically viable deposits and mineral resources to offer potential partners, who would pay royalties in exchange for developing them, explains CBPM technical director Williame Cocentino.
CBPM points to Brazil’s only primary nickel reserve, the Santa Rita mine in Itagibá, Bahia, operated by Atlantic Nickel.
With a R$3.3 billion investment, the British company is rolling out technology that will extend the mine’s operating life beyond 30 years.
Brazilian Nickel, meanwhile, is developing the Piauí Nickel Project, which uses heap leaching to extract nickel and cobalt.
The metals are recovered, purified, and precipitated as mixed hydroxide precipitate (MHP).
“With an average grade of around 48% nickel and 2% cobalt, our MHP will serve as a raw material for electric vehicle batteries and other industrial applications,” says CEO Mark Travers.