O anúncio da recuperação judicial das Casas Bahia, que prevê o fechamento de 298 lojas no Brasil, demissões e uma reestruturação das operações após sucessivos trimestres de prejuízo, evidencia um momento de transformação no comércio varejista brasileiro.
Para Rogério Tineu, economista e professor do curso de Administração da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), o aumento do faturamento, por si só, não representa saúde financeira.
“Grandes varejistas carregam despesas relevantes com fornecedores, salários, aluguéis e empréstimos, e os juros altos ampliam o peso das despesas financeiras”, explicou.
No primeiro semestre de 2026, o comércio varejista acumulou alta de 1,9%, enquanto o segmento de móveis e eletrodomésticos avançou 3,8%.
Apesar do desempenho positivo, Tineu avalia que o principal desafio do setor não está necessariamente na falta de consumidores, mas na transformação dos hábitos de compra e na necessidade de adaptação das empresas.
“Em busca de preços mais competitivos e melhores condições de pagamento, os consumidores passaram a utilizar cada vez mais plataformas e aplicativos de comércio eletrônico, aprofundando as dificuldades enfrentadas pelo varejo tradicional”, afirmou.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
A mudança também altera a função das lojas físicas.
De acordo com o especialista, grandes redes precisam enfrentar estruturas de custos elevadas ao mesmo tempo em que os consumidores ganharam facilidade para comparar preços, produtos e condições de pagamento pelo celular.
“As lojas, portanto, não desaparecem, mas precisam assumir novas funções, como proporcionar experiência, atendimento, retirada de produtos e integração com os canais digitais”, avaliou.
Crédito
Outro ponto de transformação no setor é o acesso ao crédito.
Segundo Tineu, a expansão dos cartões, bancos digitais, Pix e outros serviços financeiros reduziu a vantagem que as grandes redes tradicionalmente tinham ao oferecer financiamento próprio.
“O crédito continua sendo importante para o varejo, mas deixou de ser um diferencial exclusivo das grandes redes”, diz o professor da UMC.
Reestruturação
O caso das Casas Bahia se soma a um movimento mais amplo de reestruturação no varejo, que também envolve empresas como Americanas, Tok&Stok, Livraria Cultura e Ricardo Eletro.
Para Tineu, os casos refletem uma mudança estrutural no setor.
Embora o varejo continue movimentando bilhões e atraindo consumidores, o modelo baseado em grandes redes físicas, estruturas de custos elevadas e crédito próprio enfrenta uma concorrência cada vez maior de operações digitais, que tendem a ser mais ágeis.
“O problema não está necessariamente na falta de demanda do consumidor.
O que está mudando é a forma como essa demanda é atendida e a estrutura de custos necessária para operar no mercado”, concluiu o professor da UMC.
*Com informações da assessoria
