A decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de proibir a participação do presidenciável Renan Santos (Missão) em debates e o acesso a recursos dos fundos eleitoral e partidário poderia ser aplicada, nos mesmos moldes, ao ex-ministro André Fufuca (PP), que tenta o Senado pelo Maranhão, ao vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), e a pelo menos cinco deputados federais e dois deputados estaduais que concorrem novamente este ano.
Ao todo, 2.741 pessoas não informaram qualquer perfil de rede social no momento do registro de candidatura.
A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S.
Paulo e confirmada pelo GLOBO a partir do cruzamento de dados oficiais.
Existe a possibilidade de nem todos os candidatos fazerem uso do meio digital nas campanhas ou de terem protocolado dentro do prazo, mas todos os casos analisados individualmente nesta reportagem descumpriram as regras.
Toffoli apontou que Renan, ao não dar publicidade à lista completa das suas contas no prazo exigido, teria obtido vantagens em termos de visibilidade nas plataformas, porque elas não teriam sido excluídas do sistema de recomendação dos algoritmos.
A decisão é monocrática e pode não ser analisada de imediato pelo plenário, ainda que gere efeitos imediatos na campanha do ativista do MBL.
O candidato informou dois perfis em 7 de agosto, e depois complementou a lista, no dia 19, com mais 12 contas, o que ultrapassa a data limite em três dias.
Fufuca, ex-ministro do Esporte do governo Lula (PT), faz campanha aberta nas redes sociais divulgando seu número de urna e o slogan “É hora de Fufucar”.
Ele também pede votos ao seu candidato ao governo Eduardo Braide, ex-prefeito de São Luís.
O GLOBO verificou o processo de registro e confirmou que a inclusão das contas ocorreu depois do prazo.
A petição que trata de Facebook, Instagram e X, por exemplo, data de 28 de agosto.
Ele já teve o registro deferido pela Justiça Eleitoral do Maranhão.
Felício Ramuth, que concorre novamente a vice-governador de São Paulo ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, tampouco informou as suas contas virtuais no momento do registro.
A petição, dentro do processo, foi assinada no dia 31 de agosto.
Houve diversas publicações no período, como um vídeo de Tarcísio celebrando o “fim da Cracolândia” no centro da capital paulista.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo também já aprovou a candidatura.
Já os parlamentares que não informaram nenhuma conta nas redes sociais no momento do registro foram: Hélio Lopes (PL), deputado federal do Rio de Janeiro que tenta o Senado em Roraima; os deputados federais Gervásio Maia (PCdoB), da Paraíba, Pastor Henrique Vieira (PSOL), do Rio de Janeiro, Coronel Ulysses (União Brasil), do Acre, e Rubens Pereira Jr.
(PT), do Maranhão; e os deputados estaduais Georgiano Neto (PSD), do Piauí, e Marcos Müller (Avante), do Rio de Janeiro.
Lopes teve a candidatura deferida sem qualquer menção à ausência de redes sociais informadas, mas precisou trocar o nome de urna, pois tentava se eleger com o sobrenome “Bolsonaro”.
Vieira, Maia, Ulysses, Pereira Jr., Neto e Müller também não tiveram contas cadastradas, mas foram declarados aptos a concorrer este ano.
Os julgamentos ocorrem nos tribunais dos respectivos estados, e não diretamente no TSE, como no caso do presidenciável do MBL.
A lista pode ser maior porque nem todos os candidatos à reeleição precisam identificar o cargo público como profissão nos documentos.
Eles podem, por exemplo, relatar a formação ou atividades anteriores, e nem sempre o campo é efetivamente preenchido nos documentos.
Mais votados
O GLOBO também analisou os registros de candidatura dos 10 candidatos mais votados na eleição passada e encontrou uma série de erros e omissões.
Nikolas Ferreira (PL) cadastrou dois perfis, no Instagram e no Telegram, apenas no dia 28, quase duas semanas depois do prazo.
Ricardo Salles (Novo), que concorre ao Senado, deixou de informar o seu perfil no TikTok.
Bruno Lima (Podemos), deputado federal de São Paulo, não informou a conta no X, nem o site de campanha.
Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná, cadastrou dois perfis depois do dia 16.
Também não havia informado o perfil no X, até esta terça-feira (1), a deputada federal Tabata Amaral (PSB), de São Paulo.
Celso Russomanno, seu colega de bancada paulista na Câmara, não informou contas em nenhuma plataforma, e mesmo assim teve o registro deferido.
Até um colega de partido de Renan aparece como apto a disputar as eleições, mesmo com inconsistências no registro.
Kim Kataguiri (Missão), deputado federal por São Paulo, pediu para a Justiça Eleitoral corrigir, no dia 29 de agosto, o endereço de Instagram que havia sido encaminhado antes pela equipe.
Ele também consta como apto a concorrer em outubro.
