Reino Unido, Austrália e Canadá classificam como

Reino Unido, Austrália e Canadá classificam como 'vergonhosa' decisão de Israel de não investigar ataque que matou 7 em Gaza

Fonte: Bandeira da fonte

Reino Unido, Austrália e Canadá criticaram a decisão das autoridades militares de Israel de não abrir uma investigação criminal sobre o ataque aéreo que matou sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen (WCK) em Gaza, em abril de 2024.
Em uma declaração conjunta divulgada nesta sexta-feira, os três países classificaram a medida como "vergonhosa" e afirmaram que as vítimas e seus familiares ainda aguardam justiça e responsabilização.
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“Esta decisão é, ao mesmo tempo, insuficiente e tardia.
As vítimas deste incidente e suas famílias merecem justiça e responsabilização, e continuaremos buscando respostas em nome delas”, afirmaram os governos.
Segundo o comunicado, o ataque contra a WCK é “apenas um dos inúmeros incidentes em Gaza nos quais não houve responsabilização”.
Montagem mostra fotos dos sete trabalhadores humanitários mortos em ataque israelense à Gaza
WORLD CENTRAL KITCHEN / AFP
Entre os sete mortos estavam funcionários da organização dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Polônia, Canadá e Palestina.
O ataque provocou indignação internacional e levou Israel a reconhecer que seus militares haviam atingido os veículos da organização, que distribuía alimentos na Faixa de Gaza.
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“Em Gaza, trabalhadores humanitários continuam trabalhando incansavelmente para apoiar civis em situação de extrema necessidade, arriscando suas vidas enquanto atuam nas condições mais perigosas”, disseram os três países.
“Apesar do frágil cessar-fogo, Gaza continua sendo o lugar mais mortal para a entrega de ajuda, com 186 trabalhadores humanitários mortos em 2025.”
Decisão israelense
As Forças Armadas de Israel afirmaram na quarta-feira que os militares confundiram várias pessoas que estavam nos veículos com integrantes armados do Hamas.
Segundo a versão apresentada pelas forças israelenses, o comboio da WCK também havia se desviado da rota previamente coordenada.

Apesar disso, a investigação conduzida internamente concluiu que “as decisões dos comandantes não levantaram suspeita razoável de conduta criminosa”.
Dois oficiais foram afastados de seus cargos na ocasião e outros três receberam reprimendas.
A WCK, que distribuiu alimentos em Gaza durante toda a guerra, afirmou logo após o ataque que havia coordenado com os militares o deslocamento de seus veículos.
Os carros tinham o logotipo da organização estampado nos tetos, visível do ar.
Veículo do comboio da ONG World Central Kitchen, atingido por mísseis israelenses em Gaza
AFP
“Nunca houve qualquer desculpa ou justificativa para os ataques, e nada neste relato fornece uma.
A decisão é incompatível com a verdade completa e profundamente ofensiva”, afirmou a organização em comunicado.
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O governo australiano também manifestou “indignação” com a decisão.
Familiares de Zomi Frankcom, australiana que estava entre os mortos, disseram que ela merecia mais do que um “processo interno e opaco que termina com uma breve declaração dos militares israelenses absolvendo seus soldados de qualquer responsabilidade criminal”, segundo o jornal britânico Guardian.
O embaixador de Israel na Austrália, Hillel Newman, defendeu a decisão.
Em Londres, o Ministério das Relações Exteriores britânico afirmou estar “consternado e indignado” em nome das famílias de John Chapman, James Henderson e James Kirby, os três cidadãos britânicos mortos no ataque.
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O governo da Polônia, por sua vez, disse estar “muito decepcionado” com a decisão e pediu que as autoridades israelenses cooperem com as investigações conduzidas pelo país.
Damian Soból, voluntário de Przemyśl, também estava entre os mortos.
Outros casos
A decisão sobre o ataque contra a WCK foi anunciada no mesmo momento em que os militares israelenses reconheceram que suas tropas abriram fogo contra um carro que transportava Hind Rajab, de cinco anos, e seis familiares em Gaza, em 2024.
O Exército de Israel afirmou ter ordenado uma investigação criminal sobre as mortes, assim como sobre o assassinato de 15 paramédicos em 2025.
Hind morreu após uma ligação telefônica de três horas para o Crescente Vermelho Palestino, em 29 de janeiro de 2024, na qual pediu ajuda.
O carro da família, um Kia Picanto, havia sido atingido enquanto eles tentavam fugir de uma nova ofensiva israelense contra a Cidade de Gaza.
Todos os outros passageiros também foram mortos.
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As forças israelenses negaram repetidamente que suas tropas estivessem na região próxima ao incidente.
Investigações realizadas pela imprensa e por outras organizações, porém, encontraram evidências que apontavam fortemente para a responsabilidade de tanques de Israel que estavam nas proximidades.
Os militares israelenses afirmam que, como parte de suas obrigações previstas pelo direito internacional e pela legislação doméstica, examinam “incidentes excepcionais ocorridos durante combates”.
Especialistas, contudo, dizem que investigações sobre possíveis condutas criminosas de soldados israelenses envolvendo a morte de palestinos raramente resultam em condenações.
Ajuda humanitária
Voluntários do grupo World Central Kitchen na Faixa de Gaza
Reprodução/World Central Kitchen
O caso da WCK também ocorre em meio a críticas internacionais às restrições impostas por Israel à entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Um dos oficiais afastados após o ataque contra o comboio teria assinado, no início de 2024, uma carta aberta que defendia que Gaza fosse privada de assistência.
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Durante o conflito, Israel impôs restrições rigorosas à entrada de ajuda humanitária no território.
Em agosto de 2025, especialistas declararam fome em Gaza.
A declaração conjunta do Reino Unido, da Austrália e do Canadá destaca justamente a situação dos trabalhadores humanitários que continuam atuando no território.
Para os três países, a falta de responsabilização pelos ataques contra eles permanece uma questão central, mesmo após o cessar-fogo.