Após uma década, o Rio de Janeiro volta a receber uma competição internacional de triatlo reunindo a elite mundial e valendo pontos para o ranking olímpico.
A etapa da Copa do Mundo de Triatlo, a partir das 7h de hoje, celebra o marco de dez anos da realização dos Jogos Olímpicos Rio-2016.
E o palco escolhido para a prova é o mesmo: a Praia de Copacabana.
Rio-2016: uma década depois, Brasil revê legado esportivo dos Jogos Olímpicos
Coluna do Marcelo Barreto: As voltas do mundo olímpico
Triatlo e vôlei de praia, com etapa Elite do Circuito Mundial, são as únicas modalidades do programa olímpico que celebrarão a data com competição internacional no Brasil e no mesmo local de 2016.
Hoje, na arena do vôlei, também em Copacabana, as duplas medalhistas de 2016, Alison e Bruno (ouro) e Ágatha e Bárbara (prata), serão homenageadas.
Já a prova de triatlo contará com 21 atletas brasileiros, incluindo os olímpicos Manoel Messias, Djenyfer Arnold e Vittoria Lopes.
Reunirá cerca de 130 atletas, de aproximadamente 30 países, e será realizada na distância sprint: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida (metade da distância olímpica).
— A World Triathlon gostaria de voltar ao Brasil e ao Rio, um destino que almejava há tempos.
Mas, por questões de logística da própria cidade, não acontecia.
Desta vez houve um esforço geral nesse sentido para trazer a prova para o palco dos Jogos Olímpicos neste período — diz Sandro Bernardoni, presidente da Confederação Brasileira de Triathlon, ao lembrar que Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), ex-triatleta, é integrante do board da World Triathlon e contribuiu para este desfecho.
— A etapa ganhou importância pelo fato de ser no Rio e os melhores do mundo estarão aqui.
As imagens mais marcantes da Rio-2016
O Brasil, que organiza eventos da Copa do Mundo desde 2023, teve Brasília e Florianópolis como sedes em anos anteriores.
Protagonismo
Miguel Hidalgo, segundo colocado do ranking olímpico, será desfalque.
Ele, que passa cerca de seis meses na Europa, com base em Font-Romeu (França), priorizou a etapa de Londres, anterior à do Rio.
Hidalgo, 10.º colocado em Paris-2024, já foi vice-campeão das etapas de Yokohama e Alghero em 2026.
Djenyfer Arnold, 22ª no ranking mundial, por sua vez, é presença garantida.
Ela iniciou no triatlo em 2017, ano seguinte ao dos Jogos.
Naquela época, nadava e dava aulas para crianças de 7 a 11 anos, em Florianópolis.
Conta que assistiu aos Jogos pela TV e reunia os amigos para ver as finais da natação.
Fez a transição para o triatlo após se destacar em uma prova de aquathlon (natação e corrida), terminando em segundo lugar.
— Será um privilégio competir no mesmo lugar onde foi a Olimpíada de 2016.
Esta prova será especial.
A essência do Brasil está ali, em Copacabana.
É o principal cartão postal do Brasil — diz a catarinense.
— Estamos acostumados a competir nas etapas da Copa do Mundo e Mundial fora do Brasil.
E competir em casa, nesse nível, é muito bom.
A torcida grita pelo seu nome.
Natural de São Bento do Sul, a triatleta representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris e é medalhista de ouro no Pan-Americano de Santiago-2023.
Segundo Sandro Bernardoni, a Rio-2016 foi um marco importante para o triatlo, deixando legado esportivo e para a cidade.
Em dez anos, diz ele, a modalidade se tornou uma das preferidas entre os atletas amadores.
O número de praticantes aumentou consideravelmente, tanto que o Brasil terá a quinta maior delegação nos Mundiais Age Group (destinado a atletas amadores) deste ano, em Pontevedra, na Espanha (setembro) e em Abu Dhabi (novembro).
Em Los Angeles-2028, o triatlo ganhará protagonismo.
Será a modalidade que abrirá a Olimpíada, em Venice Beach, o berço da modalidade, em 15 de julho, com a prova feminina.
O esporte, que “nasceu” no sul da Califórnia em 1974, fez sua estreia olímpica nos Jogos de Sydney, em 2000, e retornará às origens.
As provas individuais seguirão a distância olímpica: 1,5km de natação, 40km de ciclismo e 10km de corrida.
No revezamento misto, as equipes serão formadas por dois homens e duas mulheres, com cada atleta completando o super sprint (300m de natação, 6,6km de ciclismo e 1km de corrida) antes de passar o bastão para um companheiro de equipe.
A posição no ranking — os atletas acumulam pontos em eventos da World Triathlon durante dois anos — será o principal meio de classificação para os Jogos.
Rio-2016: cidade volta a receber um evento internacional de triatlo dez anos depois dos Jogos Olímpicos
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