O risco que o fenômeno El Niño deste ano oferece para a cultura do café no Brasil é o de alteração da distribuição de chuvas e ondas de calor, principalmente em momentos críticos do cultivo, como o de enchimento dos grãos, alertou Carolina Giraldo, analista de inteligência de mercado da consultoria StoneX.
“[O El Niño] pode não mudar o acumulado mensal de chuvas, mas se elas se concentram em uma semana, pode ter risco para o café, de perder potencial produtivo”, afirmou Giraldo, em evento da empresa dentro da programação da São Paulo Climate Week.
Segundo a consultoria, quando o fenômeno é forte ou prolongado, o calor excessivo e a irregularidade hídrica podem comprometer a florada do café arábica, bem como a pós-florada, a expansão e o enchimento dos grãos.
Segundo a analista, os modelos climáticos indicam que há 97% de chances do fenômeno se estender até 2027.
O pico deve ocorrer entre outubro e dezembro deste ano.
Na análise da StoneX, os momentos em que há riscos mais elevados de irregularidades nas chuvas e ondas de calor para a cultura do café no sul de Minas Gerais — polo de produção de café arábica — se concentram entre setembro e novembro.
Historicamente, em todos os eventos de El Niño, houve leves reduções na oferta global de café.
No último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, em que o fenômeno foi considerado forte, houve recordes de temperatura global, embora não se possa dissociar os registros do aquecimento global, observou Giraldo.
Por enquanto, o El Niño está com intensidade moderada, mas os modelos indicam que as temperaturas do Oceano Pacífico continuam a subir e já mostram que o fenômeno deverá se prolongar em momentos sensíveis para a cultura do café, como o de enchimento dos grãos.
“Se não tiver enchimento dos grãos por falta de água, a produtividade pode ser baixa”, afirmou.
Giraldo ressaltou que será necessário observar as previsões meteorológicas tanto de longo, médio e curto prazo para identificar os riscos para a cultura.
No caso do mercado de café conilon, a analista observou que os produtores do Espírito Santo aumentaram os investimentos em irrigação nos últimos anos.
Segundo ela, desde o período de 2014 a 2016, quando uma forte restrição hídrica teve impacto na produção de café conilon, a área irrigada “cresceu de duas a três vezes” no Estado.
Apesar disso, ela ressaltou que a irrigação demanda capacidade de reservar água e gastos de energia.
