Roadshow com investidores internacionais buscará recursos para projetos estruturantes - QTU Questões do Universo

Roadshow com investidores internacionais buscará recursos para projetos estruturantes

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Sidney Levy, da Invest.Rio, Marcelo Gattas, da PUC-Rio e Rennan Setti, colunista do Globo, em debate sobre o papel da cidade como hub estratégico
Marina Calderon/O Globo
O Rio se prepara para realizar um roadshow com investidores internacionais logo após as eleições para levar adiante parcerias em projetos estruturantes, afirmou o presidente da Invest.Rio, Sidney Levy, durante o evento Conecta Rio.
Levy disse que as cifras são na faixa de “vários bilhões”.
Na lista de projetos que serão apresentados ao setor privado está o Praça Onze Maravilha, que prevê R$ 1,7 bilhão em investimentos na região ao longo de 20 anos.
A iniciativa inclui a derrubada do Elevado 31 de Março e a construção de prédios, entre outras ações.
Outro empreendimento no portfólio é o Mata Maravilha, voltado para a recuperação da área do antigo Moinho Fluminense, com um complexo verde na Zona Portuária, em parceria com a gestora Autonomy Capital e o empresário francês Alexandre Allard.
Segundo Levy, a ideia é percorrer vários países, como explicou no Conecta Rio, evento realizado pelos jornais “O Globo” e Valor e pela rádio CBN, com patrocínio da Prefeitura do Rio, para discutir o papel da cidade como hub estratégico de energia e inovação.
O evento teve mediação do colunista do Globo, Rennan Setti, da coluna Capital, no Hotel Hilton, no Rio, e da editora de sustentabilidade do Valor, Naiara Bertão, no Estúdio CBN, em São Paulo.
Roberto Perroni, da Brookfield no Brasil, e Naiara Bertão, do Valor
Silvia Costanti/Valor
Nos dois projetos, o município é dono de terrenos que serão cedidos a empresas, em parceria público-privada, para a implementação de um plano de desenvolvimento urbano de larga escala ao longo de dez anos.
A ideia é criar áreas coordenadas, com comércio, serviços, hotéis, empresas de tecnologia e opções de lazer.
“Nesses dois ambientes, há muito interesse estrangeiro em investir”, observou Levy.
“Temos algumas questões no Brasil neste momento que dificultam as conversas, como as eleições e a taxa de juros.
Todo mundo desconfia de uma taxa de juros desse tamanho.
Isso prejudica, mas não derruba”, acrescentou.
Outro entrave é o atraso no projeto de lei que estabelece o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), parado no Congresso.
O texto propõe incentivos para construção ou ampliação de data centers no Brasil.
Para Levy, seria preciso aprovar a lei em seis meses para aproveitar a curta janela de vantagem competitiva do Brasil.
Isso daria agilidade ao projeto Rio AI City, com a entrada de hyperscalers (grandes empresas que operam redes gigantescas de centros de dados).
O head da Brookfield no Brasil, Roberto Perroni, também avalia que a aprovação do Redata é fundamental para expandir data centers no país.
A multinacional está atenta a oportunidades no setor, com foco em alavancar “hyperscalers” onde essas empresas escolham se instalar.
“Para investirmos numa cidade, temos uma preocupação grande com o cumprimento de contratos.
Segurança jurídica é fundamental”, destacou.
“Além disso, quando fazemos investimentos em qualquer região, olhamos sempre no horizonte de dez anos.
Isso é importante para quem quer investir no Brasil, onde há muita volatilidade.”
A Brookfield tem uma gama de investimentos no Rio, incluindo dois data centers.
No segmento de real estate, a empresa é dona de 300 mil metros quadrados de escritórios e está fechando a aquisição de 300 mil metros quadrados de galpões logísticos.
Já na frente de propriedades residenciais multifamily (voltados para a locação), a companhia conta com mil apartamentos, entre operação e desenvolvimento.
Ainda há operações em ferrovias, rodovias, aluguel de carros e gasodutos.
“No mercado de data centers, energia renovável, conectividade, terreno e mão de obra qualificada são muito importantes.
O Rio é um polo de atração natural, por ser o segundo maior conglomerado urbano do país e ter um setor empresarial muito forte.
Não tenho dúvida de que os grandes players vão ampliar a atuação na cidade”, disse Perroni.
O vice-reitor de Desenvolvimento da PUC-Rio, Marcelo Gattass, ressaltou que o Rio tem uma das bases mais sólidas de formação de conhecimento e cultura do país.
Mas a fuga de cérebros é uma realidade.
É essencial criar um ambiente onde se possa aproveitar os talentos na própria cidade - e a instalação de data centers é um dos caminhos.
“O ambiente precisa mudar, assim como a academia.
Falta cultura de integração com o ecossistema produtivo que venha de baixo para cima, com o pesquisador entendendo que o trabalho que faz é comunitário de alguma forma”, disse Gattass.