Logo depois de iniciar a turnê Frequência Lunar, batizada com o título de seu álbum mais recente, BUDAH, de 29 anos, tem um novo desafio pela frente: estrear no Espaço Favela do Rock in Rio no dia 6 de setembro.
A cantora, natural de Vila Velha, do Espírito Santo, ostenta 12 anos de carreira e celebra o reconhecimento cada vez maior das mulheres no rap.
Depois da expansão do gênero para o mainstream, a artista avalia que fãs estão 'cansados' de certos comportamentos no cenário, como a falta de investimento em shows.
"A galera não quer ouvir a mesma coisa no Spotify.
O show precisa ser uma experiência", diz em entrevista a Quem.
"Estão mais chatos, mais críticos nesse ponto".
O talento da safra que tem se destacado a ponto de não conseguir ser ignorado.
Ela compara as pirotecnias, danças, trocas de figurinos e versões especiais de canções nos shows femininos - muito inspirados em divas pop - com a mesmice vista em algumas apresentações masculinas: "A gente lança um clipão, você vai ao show e é um espetáculo.
Aí o próximo é de um cara, e você vê ele de moletom, cantando sozinho.
Não tem uma luz maneira, não tem um telão, não tem uma parada legal".
De Vila Velha para o mundo
Nascida Brenda Rangel, a estrela se encontrou no mundo enquanto participava de três dos quatro pilares do hip-hop: o rap - na Batalha da Atlântica, em Vitória (ES) -, mixagem e grafite.
Ela ganhou a alcunha que levou para a carreira artística por amigos que a incentivavam a criar um 'vulgo' para assinar os desenhos espalhados pela cidade.
Ela acompanhava amigos em estúdios musicais por gostar do ambiente e, enquanto não tinha condições de viver da música, conciliava empregos em meio período - como vender perfumes na rua e vender assinaturas de revistas - com gravar suas canções.
Já teve cachê de R$ 300, e hoje comemora a estreia nos palcos da Cidade do Rock.
"Valeu a pena ter feito essa loucura.
Eu não indico para ninguém fazer, mas, para mim, deu certo", ri.
"Eu lembro que ia para São Paulo com R$ 150.
Ficava na casa de uma amiga por duas semanas, sem grana, sem nada.
Só: 'Galera, estou aqui, vamos fazer música, estou no estúdio'.
E aí deu muito certo".
Ao longo da entrevista, cita o papel essencial de precursoras como Karol Conká, Flora Matos e Negra Li, e se vê expandindo o cenário do R&B com mais artistas da nova geração, como NandaTsunami, Duquesa, AJULIACOSTA.
BUDAH se apresenta no Rock in Rio 2026 no dia 6 de setembro
Mateus Aguiar
Liberdade para rimar e cantar o que quiser
A expansão da visão feminina tem crescido nos últimos anos mas, segundo BUDAH, as mulheres já tinham liberdade para cantar o que quisessem antes do boom das mulheres no rap ou funk atual.
"Você escuta Tati Quebra Barraco, Gaiola das Popozudas...
Isso sempre aconteceu.
Pelo menos, eu sempre escutei ao longo da minha vida", lembra.
Para ela, a geração mais nova tem maior abertura para falar sobre sexo, drogas e relacionamentos.
"Tem mais acesso à informação, tem mais acesso à internet", aponta.
"Conversamos com os nossos pais hoje em dia e falamos: “Gente, olha só, não é assim.
Fica de boa.
Ninguém está fazendo nada de errado.
Está tudo bem amar uma pessoa do mesmo sexo, não vai matar ninguém.
Está tudo bem falar sobre sexo.
Sei que todo mundo faz.
Sei que vocês me fizeram assim”
A nova fase também aparece nas próprias músicas.
No álbum FREQUÊNCIA LUNAR, a cantora se afastou um pouco das letras românticas que marcaram parte de sua carreira para falar de autoestima, raiva e relações sob outra perspectiva.
"Eu estava um pouco cansada de só falar de amor", confessa.
"Eu queria falar da raiva que sinto quando alguém me chateia.
Queria falar de um monte de coisa diferente, de autoestima também.
Acho que isso traduz muito quem eu sou agora, no momento em que estou chegando aos 30, bem resolvida para caramba comigo.
Sou outra mulher", celebra.
BUDAH se apresenta no Rock in Rio 2026 no dia 6 de setembro
Mateus Aguiar
