Saiba como vendaval provocou apagão que deixou 1,6 milhão de imóveis sem luz e parou trens e metrô no Rio - QTU Questões do Universo

Saiba como vendaval provocou apagão que deixou 1,6 milhão de imóveis sem luz e parou trens e metrô no Rio

Fonte: Bandeira da fonte

O vendaval que atingiu o Rio na quarta-feira provocou um efeito dominó no sistema elétrico e de transportes.
A força dos ventos levantou pedaços de vegetação que atingiram a linha de transmissão Adrianópolis-Grajaú, provocando um curto-circuito na subestação Grajaú, da Axia Energia (antiga Eletrobras).
A falha interrompeu o fornecimento de energia para a Light por 26 minutos, tempo suficiente para paralisar trens, metrô e VLT e deixar, ao todo, 1,6 milhão de imóveis sem energia em todo o estado.
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Segundo a Axia Energia, o desligamento ocorreu às 16h25.
As proteções de segurança de duas linhas de transmissão foram acionadas automaticamente após a vegetação atingir a rede, interrompendo o abastecimento do Centro, da Zona Sul e da Tijuca.
O fornecimento foi restabelecido às 16h51, mas os impactos se prolongaram ao longo da noite por causa de novas interrupções provocadas pela queda de árvores sobre a rede elétrica.
Como a falha afetou trens e metrô
O sistema de fornecimento de energia funciona em etapas.
A Axia transmite energia em extra-alta tensão para a Light, que reduz a carga e a distribui às subestações do MetrôRio e da concessionária dos trens.
Nessas unidades, a energia é novamente transformada para abastecer os equipamentos e sistemas que mantêm a circulação dos trens.
Com a interrupção no fornecimento, o sistema ferroviário praticamente parou.
No MetrôRio, as linhas 1 e 4 ficaram interrompidas por cerca de uma hora.
A Linha 2 só voltou a operar por volta das 19h, mais de duas horas após o apagão.
Segundo a concessionária, a demora ocorreu porque o restabelecimento da energia nessa linha levou mais tempo e houve registro de passageiros acessando a via durante a interrupção.
Antes da retomada da circulação, equipes realizaram a evacuação de composições e inspeções nos trilhos.
Nos trens urbanos, a circulação foi suspensa preventivamente por volta das 16h30.
A operação começou a ser retomada gradualmente a partir das 19h nos ramais Santa Cruz, Belford Roxo e Saracuruna.
O ramal Japeri foi o mais afetado devido à queda de um poste em Anchieta e de árvores sobre a rede aérea em Mesquita e Nova Iguaçu.
A concessionária informou que realizou viagens extras durante a madrugada seguinte para reduzir os impactos aos passageiros.
Mais de 24 horas sem energia
Além do colapso no transporte, o vendaval deixou um rastro de apagões prolongados.
Segundo as concessionárias, cerca de 1,6 milhão de clientes ficaram sem energia em todo o estado.
Na área atendida pela Light, o pico foi de 1,1 milhão de imóveis sem eletricidade.
Mais de 24 horas depois do temporal, 296 mil clientes ainda aguardavam o restabelecimento do serviço.
Já na área da Enel, o número de consumidores afetados chegou a 503 mil, e 60 mil permaneciam sem luz na noite de quinta-feira
Na capital, os bairros mais atingidos foram Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, na Zona Oeste; Anchieta e Tijuca, na Zona Norte; Catumbi, no Centro; além de Jacarepaguá e Recreio.
Na Baixada Fluminense, Nova Iguaçu e Duque de Caxias concentraram parte das ocorrências.
Comércio afetado e moradores isolados
A demora na normalização do serviço afetou moradores e comerciantes.
Na Rua Mário Barreto, em Botafogo, a dona de restaurante Rosa Vasconcelos precisou recorrer a velas para manter o buffet funcionando durante o almoço, após passar mais de 24 horas sem energia.
Na Avenida Marechal Rondon, no condomínio San Francisco Residence, cerca de 1.600 moradores permaneceram 25 horas sem eletricidade.
Sem elevadores e com risco de desabastecimento de água, o condomínio orientou os moradores a economizar o consumo enquanto aguardava o retorno da energia.
Na Lagoa, um edifício de 20 apartamentos também enfrentou mais de um dia de apagão.
Segundo a síndica, os elevadores ficaram inoperantes, deixando principalmente os idosos isolados em seus apartamentos.
Um morador de 84 anos precisou pedir ajuda aos vizinhos para armazenar um medicamento de alto custo que depende de refrigeração constante.
Moradores relataram ainda dificuldades para obter informações das concessionárias, afirmando que receberam apenas respostas automáticas durante todo o período de interrupção do serviço.