O Santa Cruz publicou, nesta quinta-feira (30), o balanço financeiro referente ao período de 2025.
Entre os principais aspectos demonstrados, o Tricolor apresentou mais do que o dobro do aumento de receitas em relação ao período anterior, mas também registrou um crescimento do déficit.
Em relação ao ano de 2024, o Santa saltou de R$ 13,74 milhões para R$ 30,38 milhões em 2025, o que confere um aumento de aproximadamente 121%. O próprio clube atribuiu a melhora aos recordes de bilheteria e sócio-torcedor, que estão na esteira do acesso à Série C.
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Além disso, a diretiva coral salientou que esse montante foi importante dentro do contexto em que o clube manteve negociações com futuros investidores para a formalização da SAF, de tratativas na recuperação judicial, visando à realização da assembleia de credores.
Por outro lado, o clube terminou o período no vermelho.
O Tricolor registrou déficit de R$ 18,47 milhões em 2025, contra R$ 2,74 milhões em 2024. As despesas operacionais chegaram a R$ 48,16 milhões, divididas em R$ 27,72 milhões em despesas gerais e administrativas e R$ 21,12 milhões em despesas com pessoal.
O clube entende que o aumento das despesas também está relacionado ao fato de ter disputado mais competições em 2025, o que elevou gastos com atletas, folha, despesas com jogos e encargos.
Por fim, o balanço mostra R$ 322,21 milhões em passivos totais, o que representa todas as dívidas e obrigações financeiras do clube.
Além disso, domonstram que os déficits acumulados chegaram a R$ 318,47 milhões, que mostram o somatório das perdas financeiras do Santa ao longo do tempo.
Preocupação
Ainda sem conseguir concluir o processo de constituição em SAF, o pouco dinheiro em caixa ajuda a explicar o tamanho da crise financeira e as dificuldades que o clube possui diante das obrigações. O Santa Cruz terminou 2025 com apenas R$ 636 mil em caixa, valor que ainda é abaixo dos 657 mil em 2024.
Isso também é explicado pelas atividades operacionais que consumiram R$ 2,02 milhões de caixa em 2025.
A direção compensou com R$ 3,36 milhões líquidos obtidos por financiamentos/empréstimos.
Ressalvas
A auditoria responsável pelo demonstração contábil também apresentou ressalvas.
Primeiro, informou que há divergências entre os registros contábeis e os controles financeiros mantidos pelo clube relativo aos valores a receber do Cruzeiro, o que pode gerar uma subavaliação.
Também há diferenças relacionadas à dívida com a Federação Pernambucana de Futebol (FPF), divergência entre os saldos de empréstimos a terceiros e problemas na documentação de determinadas despesas.
Em resumo, os auditores concluíram que "o clube não possuía um ambiente de controles internos adequado, como a centralização de todas suas operações em um sistema".
