Para quem vive em Santa Cruz, cruzar o bairro pode significar enfrentar trajetos que mudaram de duração nos últimos anos.
A professora Milena Zoio, de 42 anos, moradora da região desde que nasceu, resume a dificuldade: há percursos que antes levavam dez minutos e hoje podem consumir mais de uma hora.
O diagnóstico ajuda a dimensionar o desafio que a Prefeitura pretende enfrentar com o Plano de Mobilidade de Santa Cruz, apresentado neste domingo (23) pelo prefeito Eduardo Cavaliere no auditório da Escola Técnica Roberto Rocca, em Santa Cruz.
Projeto de mobilidade em Santa Cruz terá 70km de intervenções, 115 novos ônibus e investimento de R$ 443 milhões
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O pacote reúne mais de 70 quilômetros de intervenções e tem investimento inicialmente estimado em R$ 443 milhões.
Entre as principais novidades estão dois novos viadutos sobre a linha férrea, novas conexões para desafogar o trânsito no centro e uma ligação que permitirá evitar a Rua Senador Camará e a Praça do Gado nos horários de pico.
Outro dado apresentado durante o anúncio foi o andamento do novo Terminal BRT Bairro Imperial Santa Cruz.
Segundo Cavaliere, 70% das obras já foram executadas.
— A gente está falando de obras nos moldes do que foi feito no Plano de Mobilidade de Campo Grande.
Agora, a gente apresenta um Plano de Mobilidade para Santa Cruz.
Aproveito para lembrar que já andamos com 70% das obras do terminal de BRT Intermodal, no centro de Santa Cruz, e estamos com um volume de ônibus novos — disse o prefeito.
Novos ônibus começam a circular em Santa Cruz a partir desta segunda (24)
Marcos Antônio Lima/Prefeitura do Rio
Os dois novos viadutos serão construídos sobre a linha férrea para conectar a Rua Felipe Cardoso à Estrada da Boa Esperança.
Um ficará na altura da Rua Marquês de Barbacena e outro, da Rua Álvaro Alberto.
O projeto prevê ainda ciclovias e requalificação das calçadas no entorno.
A ideia é criar alternativas para quem hoje precisa concentrar o deslocamento pelas mesmas vias do centro de Santa Cruz.
— A gente está botando no plano, para que as pessoas tenham mais alternativas no centro, dois novos viadutos, inclusive com uma nova via, para que todo mundo que circula de carro e de ônibus não precise usar sempre as mesmas vias.
Porque a gente tem alternativas para circular dentro do bairro — afirmou Cavaliere.
Novos ônibus integram o pacote de ações anunciado pela Prefeitura para ampliar e melhorar o transporte em Santa Cruz
Divulgação/Prefeitura do Rio/Rafael Catarcione
Outra conexão considerada estratégica pela Prefeitura terá aproximadamente dois quilômetros e ligará a Estrada da Boa Esperança à Avenida Padre Guilherme Decaminada.
A nova ligação terá rotatórias, ciclovia, novas calçadas e uma ponte sobre o Rio Cação Vermelho.
Segundo o município, o percurso permitirá evitar a Rua Senador Camará e a Praça do Gado, dois pontos de grande movimento nos horários de pico, além de facilitar o acesso à Avenida Brasil.
Mudanças no Curral Falso
Na primeira fase do plano, um dos focos será o entorno do Terminal Curral Falso e do Viaduto Doze de Outubro.
Um novo retorno será implantado na Avenida Cesário de Melo, na altura do Conjunto Habitacional Otacílio Câmara, o Cesarão.
A mudança permitirá que os motoristas façam a conversão antes de chegar ao terminal, distribuindo melhor o tráfego.
O projeto também prevê a reorganização das travessias de pedestres no local.
O Cesarão também ganhará uma ligação entre a Estrada da Pedra e a Avenida Cesário de Melo.
A obra prevê ciclovias e urbanização ao longo de um dos principais canais de águas pluviais da região.
Na altura da estação BRT Santa Veridiana, o projeto prevê uma rotatória alongada e a requalificação da Rua Marquês dos Santos, com novas calçadas e ciclovias.
A alteração criará uma alternativa de acesso à Estrada de Sepetiba sem a necessidade de passar pelo Curral Falso.
O secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, afirmou que a dimensão de Santa Cruz foi um dos motivos para a escolha da região para as intervenções.
— Santa Cruz é maior do que 96% de todos os municípios do Brasil.
E se Santa Cruz fosse uma cidade do nosso estado, ela estaria ali no top 10.
Essas intervenções vão possibilitar que a gente faça uma nova organização dos espaços, o que aumentará a qualidade da utilização desses locais — disse.
Mais caminhos para a Avenida Brasil
Na segunda fase, a Prefeitura prevê uma nova via de 800 metros entre a Avenida Padre Guilherme Decaminada e a Avenida Brasil.
Também estão previstas mudanças na conexão entre as avenidas João XXIII e Brasil e na Rua Prado Junior, com uma nova rotatória de acesso à Avenida Brasil e um novo caminho para Itaguaí e a Costa Verde.
O centro de Santa Cruz também terá um novo Binário, com alteração dos sentidos das vias para reorganizar o trânsito e reduzir congestionamentos.
Já o corredor entre a Estrada da Boa Esperança e a Estrada Aterrado do Leme receberá quatro quilômetros de intervenções, com renovação das pistas, novas calçadas e ciclovia.
Terminal do BRT
Em construção na Rua Álvaro Alberto, o Terminal BRT Bairro Imperial Santa Cruz terá cerca de 14 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em três pavimentos, e será destinado à integração entre o BRT e os ônibus convencionais.
O investimento é de R$ 73,7 milhões.
O espaço terá capacidade para receber até 14 ônibus articulados, dez convencionais e micro-ônibus, além de plataformas de embarque e desembarque, áreas de circulação, comércio, estacionamento e bicicletário.
O projeto também inclui pistas exclusivas para o BRT e intervenções nas ruas Felipe Cardoso, Barão de Laguna e Dom Pedro I.
A previsão é que o terminal seja concluído no segundo semestre de 2027.
Com aproximadamente 250 mil habitantes, Santa Cruz reúne grandes áreas residenciais, polo industrial, comércio, serviços e equipamentos de saúde.
Segundo a Prefeitura, a combinação dessas atividades gera intenso fluxo diário e aumenta a pressão sobre os principais eixos de circulação do bairro.
Para Milena Zoio, as mudanças são aguardadas por quem enfrenta diariamente os problemas de deslocamento na região.
— De uns anos para cá, o trânsito de Santa Cruz ficou impraticável.
As avenidas principais de acesso ao bairro são bem caóticas, de difícil mobilidade tanto para quem está de carro ou de transporte público, quanto para quem está a pé.
Há trajetos que a gente antigamente conseguia fazer em dez minutos e que, hoje, demora mais de uma hora, uma hora e meia — afirmou.
