A síndica profissional Renata Simão Barbosa, que denunciou ter sido agredida, ameaçada e perseguida após ser reeleita para administrar um condomínio no Rio, vai falar sobre violência contra gestores no próximo dia 27.
Ela participa do painel “Violência contra síndicos: como combater?”, durante o Café Expo Síndico Cipa, evento gratuito que será realizado no Hotel Pestana Copacabana, na Zona Sul.
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O episódio ocorreu após uma assembleia de prestação de contas realizada em 25 de julho, mas, segundo Renata, os conflitos com uma moradora e o marido dela começaram antes mesmo do fim da reunião.
A assembleia aprovou a prestação de contas, a composição do conselho e confirmou a permanência de Renata como síndica, com ampla maioria dos votos dos moradores.
Segundo a gestora, enquanto a assembleia ainda acontecia, a moradora estava do lado de fora do condomínio proferindo xingamentos e ameaças.
Renata afirma que a mulher chegou a dizer que iria agredi-la até matá-la.
Uma advogada que estava no local, segundo Renata, acionou a polícia.
A moradora foi levada para a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) enquanto a assembleia ainda estava em andamento.
De acordo com a síndica, a mulher tomou ciência de registros de ocorrência que já haviam sido feitos contra ela e o marido.
Ainda segundo Renata, depois de passar pela delegacia, a mulher retornou ao condomínio e voltou para a assembleia.
— Quando ela chegou à assembleia, rasgou o RO no meio da assembleia — relata.
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Renata conta que depois do encerramento da assembleia, ela deixou o condomínio e foi para casa.
Segundo seu relato, o casal a seguiu de motocicleta até o local onde ela mora.
Os dois lhe armaram uma emboscada, conta.
As agressões começaram do lado de fora do condomínio e continuaram depois que ela entrou no prédio.
Síndica é agredida por moradores após ser reeleita
Agressões registrada em vídeo
Imagens de câmeras de segurança apresentadas por Renata mostram parte da ocorrência.
Nas gravações, o casal aparece no local e é possível ver a moradora avançando em direção à síndica e agredindo-a várias vezes.
Em diferentes momentos, um homem intervém e impede que ela chegue até Renata.
As imagens também mostram a confusão do lado de fora do condomínio e a continuidade da ocorrência depois que a síndica entra no prédio.
— Me perseguiram da assembleia do condomínio onde fui reeleita até o local onde moro.
Como pode ver, as agressões começam na rua e continuam quando invadem onde eu moro — afirma.
Ainda segundo Renata, o marido da moradora também teria participado das agressões verbais e feito ameaças.
Ela afirma ter sido alvo de acusações que considera caluniosas, injuriosas e difamatórias.
— O marido dela me agrediu em palavras, calúnia, injúria, ameaças e a levou para bater — afirma.
A ocorrência foi registrada na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) e segue em apuração.
Segundo Renata, imagens das câmeras de segurança, testemunhos e outros materiais foram apresentados às autoridades.
'Se eu dissesse que não existe medo...'
Depois do episódio, Renata conta que sua rotina mudou.
Ela passou a ter mais cuidado com a própria segurança, com os deslocamentos e principalmente com situações de conflito.
— Se eu dissesse que não existe medo, não seria verdade.
Existe.
Mas existe também muita força, apoio e a convicção de que não posso permitir que a violência determine o rumo da minha vida profissional — afirma.
Síndica profissional, gestora condominial e empresária, ela diz que chegou a se questionar sobre continuar na carreira depois do episódio.
A decisão foi permanecer na profissão que construiu ao longo dos anos.
— Por que eu abandonaria uma profissão que construí durante anos por causa da violência praticada contra mim? Amo o que faço.
Minha história profissional não começou naquele episódio e não vai terminar nele — diz.
Segundo Renata, a experiência também mudou a forma como encara a segurança.
A preocupação, afirma, deixou de ser apenas pessoal e passou a envolver toda a equipe de gestão.
— O síndico está ali para administrar, ouvir, prestar contas e fazer cumprir a convenção, o regimento e a legislação.
Questionamentos e divergências fazem parte da vida condominial.
Ameaças, intimidações e agressões, não — afirma.
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'Não normalize ameaças'
Para Renata, um dos principais problemas nos conflitos condominiais ocorre quando moradores confundem o direito de discordar com o direito de desrespeitar.
— O síndico precisa tomar decisões, cobrar regras e muitas vezes contrariar interesses individuais.
Isso faz parte da função.
O que não pode fazer parte é a violência.
Nenhuma insatisfação justifica ameaça, intimidação ou agressão — diz.
Ela também defende que os primeiros sinais de ameaça sejam levados a sério.
Segundo a síndica, conflitos podem começar com ofensas e intimidações, evoluir para ameaças e terminar em violência física.
Entre as medidas que considera necessárias estão protocolos de segurança nos condomínios, câmeras funcionando, registro formal das ocorrências, preservação de provas, orientação aos funcionários e acionamento do jurídico e das autoridades quando necessário.
— Não normalize ameaças e não pense que é simplesmente “coisa de condomínio”.
Documente tudo.
Preserve mensagens, áudios, vídeos e imagens.
Formalize as ocorrências, comunique o jurídico e procure as autoridades quando necessário.
E, principalmente, quando perceber que o conflito está escalando, não enfrente aquela situação sozinho — orienta.
Agora, ela pretende usar a experiência para ampliar a discussão sobre violência contra síndicos, síndicas e funcionários de condomínios.
— E hoje tudo isso se transformou em um propósito: continuar trabalhando e também dar voz a síndicos, síndicas e funcionários que sofrem ameaças e agressões.
Eu não quero ser reconhecida apenas pelo que fizeram comigo.
Quero ser reconhecida pela profissional que sou e pela mulher que decidiu não se calar diante da violência e da impunidade — afirma.
Debate terá advogada e delegada
No painel “Violência contra síndicos: como combater?”, Renata estará ao lado da advogada Leangem Fernanda, do SOS Síndica, e da delegada Rosa Carvalho dos Santos.
A discussão vai abordar os desafios enfrentados por profissionais do setor diante de ameaças, intimidações e agressões.
A programação do Café Expo Síndico Cipa também inclui a palestra “Muito além do condomínio: cidadania, convivência e ordem urbana”, com a jornalista Antonia Leite Barbosa, criadora da Agenda Carioca e suplente de vereadora do Rio.
Comunicação estratégica para síndicos será outro tema, com Luiz Pavan, diretor de Expansão e Novos Negócios da Focus Media.
Já o advogado Pedro Barbosa, sócio do escritório Karpat Sociedade de Advogados Rio de Janeiro, falará sobre aspectos tributários da gestão condominial, incluindo a emissão de nota fiscal por condomínios.
O Café Expo Síndico Cipa será realizado no dia 27 de agosto, quinta-feira, das 8h30 às 12h, no Hotel Pestana Copacabana, na Avenida Atlântica, 2964, em Copacabana.
O evento é gratuito.
'Se eu dissesse que não existe medo, não seria verdade': síndica agredida por condôminos após ser reeleita vai falar sobre violência em evento no Rio; vídeo
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