Segurança diz que colega

Segurança diz que colega 'achou graça' após espancar ciclista em Copacabana: 'você vai ficar rindo?'

Fonte: Bandeira da fonte

O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias afirmou à Polícia Civil que tentou advertir Davi Santos Machado, colega de trabalho, durante o espancamento do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Segundo relato, Cláudio estava caído na calçada e sem qualquer reação quando continuava sendo agredido.
Depois de deixar o local, Jorge disse ter questionado o colega: “Você vai ficar rindo? Tem noção do que você fez?”.
Segundo seu depoimento, Davi não respondeu e continuou “rindo”, “achando graça”.
Jorge foi um dos quatro homens indiciados pela morte do ciclista de 37 anos, que foi espancado após ser confundido com um ladrão de bicicletas.
O veículo, no entanto, pertencia à irmã da vítima.
Segundo a Polícia Civil, as agressões duraram quase nove minutos.

Jorge, o segurança Davi Santos Machado, e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.
A investigação também busca identificar outras pessoas que possam ter participado das agressões .
No depoimento prestado à Polícia Civil, Jorge também afirmou que foi o segurança Davi quem o chamou inicialmente para o local onde Cláudio foi abordado por causa de uma bicicleta e que o colega conhecia e chamou os dois entregadores que participaram das agressões.
Segundo Jorge, Davi estava “muito agressivo” e acredita que tenha sido ele quem deu ordens e incentivou os demais a atacar a vítima.
Ao chegar no local, segundo ele, encontrou Davi, a bicicleta e Cláudio.
Davi teria pedido que Jorge guardasse o veículo até a chegada do proprietário.
Jorge afirmou que a vítima não permitia que levassem a bicicleta, embora dissesse que ela não lhe pertencia.
Segundo o depoimento, diante da situação, Davi começou a agredi-lo com socos.
Ainda de acordo com Jorge, Davi entrou num bar e restaurante, pegou um cassetete e passou a desferir golpes contra Cláudio.
A vítima conseguiu fugir do local, mas retornou em seguida para buscar a bicicleta.
Jorge afirmou que Davi ameaçou agredi-lo novamente.
Depois disso, segundo o depoimento, Jorge montou na bicicleta e seguiu pela Rua Belford Roxo em direção à Rua Duvivier, onde permaneceu até o fim de seu horário de trabalho.
Ao sair, afirmou que foi procurar Davi portando um cassetete preto que, segundo ele, costuma levar para casa.
Na Rua Felipe de Oliveira, disse ter encontrado Davi e dois entregadores agredindo Cláudio.
Segundo Jorge, o ciclista já estava caído na calçada e sem qualquer reação quando era atacado pelos três homens.
Ele afirmou ter gritado para Davi:
“Davi, sai daí! Vai ficar batendo no rapaz aí? Se aparecer uma viatura, você vai rodar no flagrante!”, diz o depoimento.
Segundo o relato, Davi foi em direção a Jorge e os dois deixaram o local juntos, seguindo pela Rua Belford Roxo.
Durante o trajeto, Jorge disse ter voltado a confrontar o colega:
“Você vai ficar rindo? Tem noção do que você fez?”, teria dito jorge ao colega de trabalho.
Davi, segundo ele, não respondeu e continuou rindo.
Jorge afirmou que não agrediu Cláudio.
Apesar de dizer que advertiu Davi durante o espancamento, Jorge afirmou que não solicitou socorro para a vítima.
Segundo ele, não acionou a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Samu, o Corpo de Bombeiros ou qualquer outro serviço público.
Agressões gravadas
Jorge também declarou à polícia que Davi gravou as agressões usando o próprio celular.
A informação contrasta com a versão apresentada anteriormente pelo colega.
Em seu segundo depoimento, Davi havia afirmado que desconhecia a existência de imagens relacionadas ao caso e que não sabia se algum dos entregadores havia filmado os acontecimentos.
Jorge, por sua vez, disse que fotografou a bicicleta e encaminhou a imagem para o responsável pela contratação dos seguranças de rua.
Segundo ele, enviou ainda uma mensagem dizendo que estava com uma bicicleta que teria sido roubada e que só a entregaria ao proprietário quando ele aparecesse.
Aluísio não respondeu, de acordo com o relato.