O seguro passou a funcionar como instrumento de preservação de patrimônio, diz Patrícia Freitas
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A Expert XP 2026 reforçou uma mudança que já vinha ganhando força no mercado: o seguro deixou de ser um produto complementar para ocupar espaço estratégico ao lado dos investimentos.
A presença recorde de seguradoras, novos acordos comerciais e lançamentos de produtos mostraram que a disputa agora é pela atenção dos cerca de 27,5 mil assessores de investimentos da plataforma da XP, considerados o principal canal para ampliar a penetração do seguro de vida no país.
“A XP é uma casa de investimentos, mas também é uma casa de proteção.” A frase de André Lauzana, CEO da XP Seguridade, resumiu o posicionamento da empresa.
A estratégia é integrar investimentos, previdência, sucessão patrimonial e seguros em uma única jornada de planejamento financeiro.
O painel principal sobre seguros reuniu Luciano Soares, CEO da Icatu Seguros; Breno Gomes, CEO da MetLife Brasil; e Patrícia Freitas, CEO da Prudential do Brasil.
Os três defenderam a mesma tese: o crescimento do setor dependerá muito mais de uma maior eficiência dos canais de venda do que do desenvolvimento de novos produtos.
“O planejamento financeiro não existe sem proteção”, afirmou Soares.
Segundo ele, apenas 18% dos brasileiros possuem seguro de vida, percentual muito inferior ao observado em mercados desenvolvidos, onde a penetração se aproxima de 50%.
Para o executivo, essa diferença está ligada principalmente à falta de conhecimento sobre o papel do seguro na preservação do patrimônio.
Na MetLife, o foco permanece na evolução do seguro para além da cobertura por morte.
“O seguro antecipa o patrimônio que a família ainda não construiu”, disse Breno Gomes.
Para ele, a proteção deve acompanhar toda a trajetória de formação de riqueza das famílias, preservando renda e patrimônio diante de eventos inesperados.
O executivo voltou a defender a chegada do Universal Life ao Brasil, produto que aguarda definição tributária que está sendo negociada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) com a Receita Federal para entrar no mercado.
“Estamos confiantes que seja liberado no segundo semestre.”
A Prudential também destacou a transformação do setor.
Segundo Patrícia Freitas, o seguro passou a ocupar posição central no planejamento patrimonial.
“Hoje ele oferece liquidez para que famílias enfrentem despesas, tributos e obrigações sucessórias sem precisar vender imóveis, empresas ou investimentos de forma apressada”, afirmou.
A lógica também alcança empresas familiares, nas quais o seguro pode garantir recursos para manter a continuidade das operações em caso de perda de um sócio.
Mais de 90% dos benefícios pagos atualmente pela seguradora são destinados ao próprio segurado, e não aos beneficiários, enquanto a idade média de utilização dessas coberturas é de apenas 42 anos, citou.
Para Freitas, o produto deixou de ser apenas uma proteção para a morte e passou a funcionar como instrumento de preservação de patrimônio e renda durante a vida.
Além das participantes do painel, a estratégia da XP é ampliar seu ecossistema de proteção.
Presentes com estandes no evento estavam também MAG Seguros, Omint e Mapfre, além de Bradesco e Tokio Marine.
O grupo Bradesco Seguros oficializou sua entrada na plataforma com oferta de apólice de vida, mas a parceria deve evoluir rapidamente para outros produtos.
“É só o começo.
Por que não consórcio também?”, afirmou o CEO do Grupo Bradesco Seguros, Ney Dias, sinalizando que outras linhas de negócios poderão integrar o portfólio da XP.
Em relação à Tokio Marine, segundo a XP, dentro de aproximadamente um mês terão início ações específicas voltadas aos assessores para apresentar o portfólio destinado às pessoas jurídicas, com foco na proteção do patrimônio físico de empresas de todos os portes.
Hoje, segundo pesquisa da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), 64% dos brasileiros desconhecem os benefícios básicos de uma apólice e 55% afirmam entender pouco ou nada sobre educação financeira.
“O seguro deixou de ser a sobremesa do planejamento financeiro para ocupar lugar dentro do prato principal de investimento”, afirmou Lauzana.
Para as seguradoras, conquistar os assessores significa ampliar o canal de vendas do setor, que conta hoje com cerca de 120 mil corretores de seguros e balcões de instituições financeiras e grandes empresas como varejo, montadoras, cartões de crédito, concessionárias de serviços e aplicativos de motoristas e de entregas.
Seguros fortalecem presença no planejamento financeiro
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