Lamento que só agora, e aos poucos, as pessoas se deem conta de que a troca na direção técnica do Flamengo não era algo que, necessariamente, encurtaria o caminho para o sucesso.
Há claras diferenças entre os trabalhos de Filipe Luís e Leonardo Jardim que não se resumem ao saber de um ou de outro.
O técnico que hoje dirige o Monaco tinha o DNA rubro-negro, foi forjado na função pelo próprio clube e aplicou ideias próprias ao jogo que já havia se mostrado vitorioso com Jorge Jesus.
Por isso, a conexão entre time e torcida foi rápida: jogadores entenderam o conceito sem muito esforço, os resultados fortaleceram a ousadia e os torcedores se viram representados em campo.
Hoje, o Flamengo tem outra filosofia, aplicada por um treinador vitorioso no mesmo Monaco, que hoje emprega Filipe Luís.
Mas ele não pode interferir no externo.
E o externo é o cenário ainda mais competitivo do que aquele que o próprio JJ encontrou em 2019 – também com uma torcida mais exigente do que a de sete anos.
Alguns jogadores revelam não terem assimilado ainda as ideias de Jardim, as necessidades de mudanças na formação atrasam a adaptação e os resultados não são os desejados.
O elenco segue sendo um dos melhores do Continente, o clube está mais estruturado, mas a renovação em curso, tanto no modelo de jogo quanto nas peças que o executam, assusta.
O segundo semestre está só começando, ok, mas a oscilação do time pode comprometer a temporada.
O diretor executivo José Boto, que sempre exibiu muita convicção na troca feita no início do ano, agora precisa respaldar o trabalho do atual treinador.
Se é que tem força para isso.
Agosto trará os playoffs com o Cruzeiro (dias 12 e 19) pelas oitavas da Libertadores e a eliminação trará desconforto.
Jardim terá uma semana de treinos e o confronto com o Vitória, no dia 9, para começar a decidir seu futuro.
SALVE, PEDRO! A primeira vitória do Vasco nessa reconfiguração do time, agora no comando de Pedro Emanuel, aponta caminhos.
O primeiro: a presença de um terceiro volante (Ramon Rique) à frente; depois: a subida dos laterais (Pitton ou Cuiabano, e Paulo Henrique ou Pumita), alternadamente, agora protegidos pelos três volantes (Rique, Thiago Mendes e Tchê Tchê); e, por último: os três atacantes (Nuno, Spinelli e Andrés Gómez) se doando na marcação da saída de bola.
As ações injetaram competitividade ao Vasco que começa a mostrar autoconfiança.
Com um detalhe: as alterações durante o jogo têm mantido o padrão.
No 1 a 0 sobre o Independente Medellin, pela Sul-Americana, as entradas de Jair, Adson e Cuiabano renovaram o fôlego.
O 4-3-3 deu lugar ao 4-2-2 e o time colombiano não suportou a pressão.
Vejamos.
