Sem tempo de TV, Renan Santos e Romeu Zema focam no digital para pautas contra o crime e atacar o PT - QTU Questões do Universo

Sem tempo de TV, Renan Santos e Romeu Zema focam no digital para pautas contra o crime e atacar o PT

Fonte: Bandeira da fonte

Sem tempo na propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, iniciada na semana passada, os candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) apostam nas redes sociais para atenuar os efeitos dessa ausência na campanha.
Ambos buscam apresentar projetos para a área da segurança pública e atacar rivais por meio do digital.
Já Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), que dispõem de 2 minutos e 2 segundos e de 35 segundos, respetivamente, aproveitam esse espaço para o discurso de enfrentamento à polarização entre o petismo e o bolsonarismo.
Lula, Flávio Bolsonaro ou Augusto Cury: Qual presidenciável foi melhor nas entrevistas da sabatina da TV Globo
'Não vamos baixar a cabeça': Renan Santos nega irregularidades após Tofolli citar 'indícios de ilicitude' em candidatura
Renan utiliza a economia e o preço dos alimentos para desgastar tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) — fazendo alusão ao governo do pai.
Em uma das peças de campanha, acompanhada pela frase “eles não querem que você saiba porque a sua vida está piorando”, é simulada uma família com dificuldade de fazer compras no mercado pelos valores cobrados, sobretudo durante o período de mandato do petista.
O vídeo faz referência ao financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao filme “Dark horse”, cujo pedido foi feito por Flávio.
Há também cenas que mostram criminosos armados, uma alusão ao tema da segurança pública, e malas com dinheiro, em um aceno à pauta do combate a corrupção.
A campanha de Renan optou por não ter marqueteiro .
A estratégia adotada é lançar vídeos com linguagem próxima à da campanha da TV todos os dias durante o horário da propaganda eleitoral.
O candidato utilizou as redes sociais para atacar a participação dos adversários na série de entrevistas da TV Globo na semana passada.
O presidenciável do Missão se autodescreve como o “candidato que mais fala a verdade”.
No campo da segurança, Renan Santos critica a postura dos governos petistas na área e defendeu leis mais duras para enfrentamento da criminalidade.
A proposta de “desfavelização” também é abordada.
O candidato do Missão propõe, em seu plano de governo, a transformação das 12.348 favelas identificadas pelo Censo em bairros formais.
Segurança e ataque
Zema também usou o tema da segurança pública para criticar o PT e voltou a abordar a castração química para abusadores.
O fim das “saidinhas” foi outro tópico trazido pelo ex-governador mineiro.
Em outra frente de ataques a Lula, Zema compartilhou imagens do petista ao lado da lobista Roberta Luchsinger.
Ela e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito do presidente, são investigados por tráfico de influência pela Polícia Federal (PF).
Políticos de direita passaram a resgatar fotos do petista com ela após o presidente afirmar na entrevista à TV Globo que “nunca esteve próximo” de Luchsinger.
O mineiro também tratou sobre bets, e prometeu que o seu primeiro ato, caso eleito, será acabar com as casas de apostas on-line, classificadas por ele como “pragas”.
Outra frente explorada foi a apresentação do “currículo” aos eleitores, onde empilha feitos à frente do governo mineiro.
Romeu Zema traz a frase “empreendedor sabe conversar com empreendedor”e volta a atacar governos petistas, desta vez, na área econômica.
Levantamento da Ativaweb DataLab mostra que o desempenho digital destes dois candidatos caminhou de maneira distinta nos últimos sete dias.
Renan ganhou 67.316 seguidores no Instagram e alcançou uma taxa média de engajamento 2,45% .
Já Zema, apesar de ainda ter a maior base entre os dois, perdeu 5.318 no mesmo período e viu o engajamento cair para 0,99% .
— Quem não tem tempo de televisão precisa conquistar tempo na tela do eleitor — pontua Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.
Maracajá completa:
— Sem guia eleitoral, o celular vira o palanque.
Nele, a audiência não é dada, é conquistada.
Na política digital, ter mais seguidores é força.
Fazer essa força se mover todos os dias é poder.
Trajetória e escuta
O primeiro programa de Caiado veiculado na TV e no rádio fala na “história de uma vida de coragem”.
A peça de campanha mostra a origem do ex-governador de Goiás como médico e líder do campo ruralista.
Há também críticas às políticas do PT no campo .
O vídeo mostra a família de Caiado, incluindo a mulher, Gracinha Caiado (União), que é candidata ao Senado em Goiás.
“Quarenta anos de vida pública sem manha e sem nenhum escândalo”, afirma o material, que descreve o goiano como o “primeiro a enfrentar a esquerda” no Brasil.
Caiado também aposta no campo da segurança pública e cita dados sobre a atuação contra o crime na sua gestão.
Entregas na área da saúde, educação, transporte, economia e tecnologia também são mencionados.
— A omissão, conivência e incompetência dos que governam esse país há 20 anos trouxeram o Brasil para essa situação em que o crime domina.
Você não pode andar na rua com o celular na mão e não sabe se vai conseguir pagar as contas no fim do mês.
Coragem para tirar o Brasil dessa grave situação eu tenho — diz Caiado.
Já Cury se apresenta como uma espécie de agente de despolarização.
São exibidas imagens que remetem ao escândalo do mensalão, no primeiro governo Lula, as pedaladas fiscais que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) e aos atos de 8 de janeiro.
—É isso que vocês querem? Mais quatro anos disso? Ou a gente para de gritar, senta, se escuta e cura o país? Não tem cura sem escuta — afirma o candidato, que repete o slogan “fala Brasil”.