Incentivar os pequenos e médios produtores é fator fundamental para o desenvolvimento da produção leiteira no Semiárido Nordestino, destacou, nesta segunda-feira (3/8), em Baixa Grande (BA), o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, durante o evento de lançamento do Projeto Forrageiras.
A iniciativa visa a garantir alimento de qualidade ao rebanho da região durante o ano todo.
O projeto, desenvolvido pela CNA em parceria com a Embrapa, criou um “cardápio de forrageiras” para orientar pequenos e médios produtores de gado de leite e corte, ovinos e caprinos na produção de gramíneas mais resilientes e com maior conversão alimentar.
Martins reforçou que considera deficitárias as políticas públicas e a assistência técnica voltadas a esses produtores do Semiárido.
“A produção de leite no mundo é sustentada, em sua maioria, por pequenas propriedades, normalmente com rebanhos entre 50 e 60 animais, responsáveis pelo sustento de milhares de famílias rurais.
Mas eles precisam reduzir custos e investir em tecnologia para se manteres competitivos”, afirma.
De acordo com o presidente da CNA, a proposta vai além do aumento da produção.
O objetivo é promover uma transformação social no campo, criando uma nova classe média rural e reduzindo a concentração de renda no agronegócio brasileiro.
Hoje, segundo ele, menos de 10% dos produtores concentram quase 80% da renda gerada pelo setor.
Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins
Daniel Fagundes/Trilux/CNA
Competitividade depende do custo de produção
Para o presidente da CNA, um dos principais diferenciais da pecuária leiteira brasileira está na alimentação dos animais baseada em pastagens tropicais.
O uso de gramíneas forrageiras permite custos significativamente menores quando comparados aos sistemas predominantes em países como Estados Unidos e nações europeias.
Nas regiões semiáridas, entretanto, a estratégia precisa ser adaptada às condições climáticas “ A utilização de palma forrageira, associada à produção de silagem e feno, é fundamental para formar reservas de alimento durante os períodos de estiagem e reduzir os impactos das secas sobre a produção de leite”, comenta.
Segundo ele, a rentabilidade da atividade está diretamente relacionada à capacidade de reduzir custos, seguindo modelos de países como a Nova Zelândia, considerada uma das referências mundiais em produção leiteira.
Entre os principais desafios enfrentados pela cadeia leiteira, João Martins cita a entrada de leite importado da Argentina e do Uruguai, comercializado, segundo ele, com apoio de subsídios que dificultam a concorrência para o produtor brasileiro.
A preocupação ocorre em um momento de mudanças estruturais na atividade.
“Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou redução próxima de 20% no número de produtores de leite.
Apesar disso, a produção nacional foi mantida e, em alguns casos, ampliada, graças ao avanço da tecnologia e ao aumento da produtividade das propriedades que permaneceram na atividade”, afirma Martins.
Diante desse cenário, a própria CNA encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionamentos relacionados aos impactos das importações sobre a renda dos pequenos produtores.
