O Serpro, empresa estatal de inteligência em governo digital e tecnologia da informação, aproveitou o Febraban Tech para lançar um serviço de inteligência artificial (IA) nacional, batizado de "Soberana".
Segundo o órgão, a plataforma é voltada a organizações que querem incorporar a tecnologia aos negócios mantendo maior controle sobre seus dados e sobre a forma como são processados.
Na plataforma, os dados permanecem integralmente no Brasil, onde também ocorre todo o processamento.
A plataforma oferece uma família de grandes modelos de linguagem, treinados em português.
Segundo Carlos Rodrigo Fonseca Lima, superintendente de inteligência artificial do Serpro, os pacotes têm três tamanhos: pequeno (até 12 bilhões de parâmetros), médio (até 120 bilhões de parâmetros) e grande (acima de 120 bilhões).
Ele explica que, como o preço dos tokens ainda é um obstáculo à adoção de IA no mercado, modelos ajustados à complexidade de cada tarefa e capazes de raciocinar em português tendem a ser mais rápidos e mais econômicos.
A partir dessa base, equipes do próprio Serpro treinam modelos especialistas em cenários específicos, executados na infraestrutura da empresa.
“Eles são treinados em português, conhecem a nossa linguagem, nossa cultura nossa história, e nosso regionalismo”.
Ele não revelou os preços, mas diz que a ideia é ser mais competitivo em relação a ferramentas de mercado.
“Estamos trabalhando na precificação neste exato momento.
Não vamos fazer modelos de fronteira, temos atuado em campos em que há lacuna dos grandes modelos, mas que atendem a 80% das aplicações”.
Segundo ele, soberania em inteligência artificial não é uma discussão abstrata nem significa abrir mão das melhores tecnologias disponíveis.
“Para uma empresa, significa saber onde estão seus dados, onde eles são processados, quais tecnologias participam daquele processo e ter capacidade de governar essas escolhas”.
O Serpro tem dois data centers, em Brasília e São Paulo, e Lima diz que deve ser construída mais uma unidade.
“Vamos construir um novo data center, especialmente para IA.
Hoje temos uma infraestrutura adequada para atender à demanda atual, mas sabemos que a demanda vai crescer, é fato.” Ainda não há detalhes sobre o projeto, mas a expectativa é que a construção possa começar ainda este ano.
A companhia diz que o Datavalid, solução de validação de identidade digital, utiliza inteligência artificial desde 2017 e se consolidou como infraestrutura de confiança para processos de onboarding digital no país.
O órgão aponta que já realizou mais de 1,53 bilhão de validações e evitou mais de 14,2 milhões de tentativas de fraude, com estimativa superior a R$ 13 bilhões em potenciais perdas financeiras evitadas.
Carlos Rodrigo Fonseca Lima, superintendente de inteligência artificial do Serpro
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