Você já ouviu falar em "hobossexualidade"? O termo, que ganhou espaço nas redes sociais, é usado para descrever pessoas que entram ou permanecem em relacionamentos amorosos também por motivos práticos, especialmente quando a relação oferece moradia, estabilidade financeira ou acesso a outros recursos.
A expressão combina "hobo", palavra em inglês historicamente associada a pessoas sem residência fixa, com "sexual", em uma referência à dimensão afetiva ou sexual do vínculo.
Uma pesquisa divulgada pelo site Business Today aponta que quase 14% dos solteiros admitem procurar um parceiro com o objetivo de ter um lugar para morar.
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Apesar de circular cada vez mais no vocabulário das redes, "hobossexual" não é um termo clínico.
Segundo a sexóloga Camila Gentile, a expressão não corresponde a um diagnóstico psicológico nem a uma categoria reconhecida pela ciência.
Trata-se, na prática, de uma maneira popular de nomear um tipo de dinâmica dentro dos relacionamentos.
"É uma expressão que passou a ser usada nas redes sociais para descrever quem entra ou permanece em uma relação quando ela oferece vantagens práticas, como moradia, estabilidade financeira ou acesso a determinados recursos", explica a especialista.
É possível identificar uma pessoa hobossexual?
Não existe um método capaz de determinar, com segurança, se alguém está em uma relação por afeto ou principalmente pelo que pode obter dela.
Para Camila, mais importante do que tentar rotular o parceiro é observar como a relação se desenvolve e quais padrões de comportamento se repetem.
"Não há uma forma exata de saber se alguém está buscando amor genuíno ou uma casa.
O que pode ajudar é observar os comportamentos ao longo do tempo", afirma.
Algumas situações, no entanto, podem servir de alerta.
Entre elas estão a pressa incomum para morar junto, sobretudo nos primeiros meses de relacionamento; o interesse excessivo pela casa, pelo salário, pelo carro ou pelo padrão de vida do parceiro; problemas financeiros recorrentes que acabam sendo solucionados pela outra pessoa; promessas de contribuição que nunca se concretizam; e tentativas de provocar culpa quando limites relacionados a dinheiro são estabelecidos.
Também merece atenção uma relação em que o vínculo parece depender mais daquilo que uma das partes oferece materialmente do que da construção de planos e responsabilidades compartilhados.
"Um ponto importante é não confundir intensidade com intimidade.
Uma relação que avança rapidamente pode até parecer muito romântica, mas a intimidade de verdade exige tempo, convivência e construção conjunta", diz a sexóloga.
Antes de olhar para o outro, olhe para a relação
Para Camila, não é necessário esperar uma situação extrema para estabelecer limites.
Em vez de tentar descobrir se o parceiro se encaixa ou não no rótulo de "hobossexual", a questão mais relevante é avaliar se existe equilíbrio na relação.
"A pergunta mais útil não é 'essa pessoa é hobossexual?', mas 'existe reciprocidade aqui ou estou me tornando uma estrutura de suporte para a vida de outra pessoa?'", pondera.
A resposta pode ajudar a identificar desequilíbrios antes que eles se transformem em conflitos maiores.
Se a pergunta causar desconforto, diz a especialista, esse incômodo também merece ser levado a sério.
Afinal, mais do que definir um rótulo para o parceiro, o objetivo é entender se existe troca, responsabilidade compartilhada e espaço para que os dois construam, juntos, uma vida em comum.
Seu parceiro está com você por amor ou por conveniência? Entenda a hobossexualidade
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