'Silenciômetro' e 'gordinho topado': Renan Filho e JHC trocam farpas sobre escândalos em Alagoas

Fonte: Bandeira da fonte

A disputa pelo governo de Alagoas ganhou nesta quarta-feira uma nova rodada de provocações nas redes sociais entre Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB).
Enquanto o senador emedebista mantém um “silenciômetro” para cobrar do adversário uma manifestação sobre as investigações envolvendo aplicações do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) no Banco Master, o ex-prefeito tucano reagiu com um vídeo em que chama de “gordinho topado” o secretário de Saúde de Alagoas investigado por suspeitas de desvios milionários de recursos do SUS e explora imagens dele ao lado de Renan, do senador Renan Calheiros (MDB) e do governador Paulo Dantas (MDB).
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“Até quando JHC vai ficar nesse silêncio gigante?”, provoca Renan Filho no post do silenciômetro.
Na sequência, o senador apresenta o contador que, segundo ele, marca 23 dias de silêncio do adversário sobre o caso Master.
A cobrança mira diretamente JHC porque um dos principais alvos da investigação da Polícia Federal sobre as aplicações do IPREV é Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do instituto indicado pelo então prefeito JHC em 2023.
A PF apura possíveis irregularidades na aplicação de cerca de R$ 97 milhões do fundo de previdência em títulos do Banco Master entre 2023 e 2024.
A investigação aponta que os gestores teriam aplicado cerca de 20% do patrimônio do instituto em ativos considerados de risco sem os estudos necessários.
A PF também afirma que, no momento do primeiro aporte, em dezembro de 2023, o Master ainda não integrava a lista de instituições elegíveis do Ministério da Previdência para receber recursos de regimes próprios.

JHC, por sua vez, procurou responder ao ataque sem entrar diretamente no mérito das aplicações do IPREV.
Em um vídeo publicado nesta quarta-feira, o prefeito reúne imagens de Renan Filho, do governador Paulo Dantas, do senador Renan Calheiros e de Gustavo Pontes de Miranda, secretário estadual de Saúde afastado temporariamente no âmbito de uma investigação da Polícia Federal.
Ele já voltou ao cargo.
“Olha eles juntos, dando risada.
Renanzinho, Paulo Dantas, Renan Calheiros e...
espera aí, quem é esse dando risada? É o secretário de Saúde, o gordinho topado, acusado pela Polícia Federal de desviar R$ 100 milhões”, destaca a publicação.
"Gordinho topado" é uma expressão comum em Alagoas para se referir a alguém acima do peso.
Topado significa cheio, no limite, lotado.
A Operação Estágio IV apura suspeitas de lavagem de dinheiro e desvios de recursos do SUS que, segundo a PF, podem chegar a quase R$ 100 milhões.
Gustavo Pontes de Miranda foi afastado da Secretaria de Saúde por decisão judicial em dezembro de 2025, quando a operação foi deflagrada.
A investigação apura possíveis irregularidades em contratos emergenciais e ressarcimentos de procedimentos médicos.

O secretário negou irregularidades e criticou a operação.
Em fevereiro deste ano, ele voltou ao cargo após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu habeas corpus e apontou a plausibilidade jurídica de questionamentos sobre a forma como a investigação inicial teria sido conduzida.
O governador Paulo Dantas, na época do afastamento, afirmou que não compactuava com irregularidades e determinou a criação de uma comissão especial para acompanhar as investigações.
A disputa pelo Master
O contra-ataque de JHC ocorre depois de uma série de investidas do grupo de Renan contra as aplicações do IPREV no Banco Master.
Em junho, Renan Calheiros entrou com uma ação popular na Justiça de Alagoas questionando os investimentos e pediu o bloqueio dos bens de JHC.
Em julho, porém, a Justiça retirou o ex-prefeito do processo.
A 32ª Vara Cível de Maceió entendeu que não havia sido individualizada nenhuma conduta de JHC relacionada aos investimentos e que o IPREV possui autonomia administrativa, financeira, orçamentária e patrimonial, além de personalidade jurídica própria.
O juiz também rejeitou, naquele momento, o pedido de bloqueio dos bens do ex-prefeito, argumentando que as investigações ainda estavam em andamento e que não havia segurança suficiente sobre a existência e a extensão de eventual dano patrimonial.