Silvia Buarque fala do afastamento da TV:

Silvia Buarque fala do afastamento da TV: 'Ninguém vive de teatro. Ou tem pensão, herança, marido rico ou faz Uber'

Fonte: Bandeira da fonte

Silvia Buarque passou a limpo sua trajetória de 40 anos como atriz .
Em entrevista ao videocast do GLOBO 'Conversa vai, conversa vem', no ar no Youtube e no Spotify, ela contou que os convites para fazer TV diminuíram a partir do momento em que optou pelos palcos e refletiu sobre as dificuldades de se viver de teatro no Brasil.
Leia trecho:
Construiu esse caminho alternativo, fora do mainstream e me disse, da outra vez, que sentia falta do salário da TV e da visibilidade.
Falta convite?
Cada vez me convidam menos.
Recusei dois bons porque estava no teatro.
Quando falei que sentia falta da visibilidade e do salário da TV, recebi muito apoio porque isso mostra a vida de uma atriz mais alternativa, que não faz a comédia do momento para lotar um teatro de 2000 lugares...
Às vezes, são excelentes, mas, às vezes, são aquela besteira...
Não tenho contrato com televisão e nem faço publicidade decorrente de novela.

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Muita gente acha que atriz de sucesso é só quem faz novela das nove...
Fora isso...
É chato.
Ganho e guardo do meu trabalho, tenho casa própria, plano de saúde, minha filha estuda em escola particular.
Tenho um padrão de vida classe média alta proporcionado pelos meus pais.
Uma situação financeira que dá para viver bem, sem precisar do salário de televisão.
Mas há, sei lá, 20, 30 atores que não fazem TV nem comerciais e que conseguem sobreviver bem.
Isso é 1% ou, no máximo, 3% da classe teatral.
A maioria tem pensão, renda, herança, marido rico ou tem um plano B, dá aula.
Tenho um grande amigo, puta ator, que faz Uber.
Hoje, cada vez mais gente está falando: "Não se vive de teatro".

Como disse, começou na TV super cedo, aos 17 anos, e só fez novelas dos 18 aos 23.
"Dona Beja", "Corpo Santo", "Bebê a bordo", "Perigosas Peruas"...
Depois, enveredou para o teatro de encenadores com Moacyr Góes, Gabriel Villela, Bia Lessa.
O que o palco te proporciona que as telas não te dão?
Sentia que tinha que me preparar, estudar...
Agora, estou apaixonada por cinema, traindo o teatro com audiovisual (risos).
Mas o teatro é uma paixão no sentido bom e mal de tudo que é paixão: te enlouquece.
O período de ensaio é insuportável e é um tesão também.
As descobertas.
O que se vive numa sala de ensaio não se vive em outro lugar.
É paixão, é febre, é tanta coisa que me dá até preguiça de começar uma peça nova (risos).
Sei que eu vou entrar, ser arrebatada e vai ser um pequeno inferno, só vou querer saber disso (risos).

O que sente ao analisar o que construiu em sua trajetória de 40 anos de carreira? Deu certo?
Muita coisa! Olho e sinto orgulho das minhas escolhas, das peças, dos filmes que fiz.
Das novelas também.
Por outro lado, saber que não é considerada um nome forte o suficiente para ter um patrocínio X com uma peça que protagonize, é chato.
Acho que estou empatada ali entre o sucesso pessoal e o reconhecimento.
Modéstia à parte, acho que consegui conquistar um certo prestígio a duras penas.
É um lugar que você fala: "Caramba!".
Mas na hora de chamarem...
tem muito essa coisa "tem que ter um nome".
E, aí, eu não sou um nome.
Acho que tenho uma trajetória de uma atriz brasileira legal, bacana.
Não acho incrível.
Mas acho legal, gosto e cuido dela.