Silvia Buarque fará o mesmo papel que foi de sua mãe, Marieta Severo, no teatro, 20 anos depois.
Em entrevista ao videocast do GLOBO 'Conversa vai, conversa vem', no ar no Youtube e no Spotify, a atriz de 57 anos refletiu sobre comparações entre as duas, que escolheram a mesma profissão.
Leia um trecho:
Vem aí uma peça em que faz o mesmo personagem que, 20 anos atrás, foi da sua mãe, Marieta Severo...
É uma peça que se chama "Homens gordos de saia".
Felipe Hirsch montou com a minha mãe e Marco Nanini esse espetáculo que tinha dois textos desse autor, Nick Silver, e que se chamava "Os solitários".
A história começa com uma mãe e um filho numa ilha deserta onde caiu um avião.
É totalmente nonsense, louco, e tem antropofagia.
Tem os diálogos mais ácidos, a pior mãe do mundo.
Sugere um incesto, não efetivado, mas tem um clima...
Silvia Buarque
Leo Aversa
Djavan.
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Maria Rita.
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No início de carreira, chegou a se incomodar com comparações entre sua mãe e você, que dividem a mesma profissão.
Chegou a dizer que ela não te influenciou em nada.
Frase de alguém com um DNA forte, que precisava ter identidade própria.
Aos 57 anos, ser filha de Chico e da Marieta é menos pesado? Só a maturidade para trazer a paz de poder ser quem se é com segurança, mas também incorporando e acomodando esse legado junto?
Sim.
Leva um tempo.
Porque tem um tamanho.
Análise, maturidade, autoestima...
Não vou ser a atriz que ela é.
Minha mãe vai de A a Z, eu não.
Ela é extremamente popular e faz as coisas interessantíssimas que quer fazer.
Como eu acho que eu faço também.
Não sou popular.
Abri mão da TV de certa forma.
A TV também não deu mais bola, a partir do momento que eu abri mão.
Fiz novelas de sucesso aos 18, 19, 20 anos.
Vejo e gosto de ter feito.
Minha autoestima como atriz nunca foi muito alta.
Está aumentando, mas a duras penas...
Como disse, começou na TV super cedo, aos 17 anos, e só fez novelas dos 18 aos 23.
"Dona Beja", "Corpo Santo", "Bebê a bordo", "Perigosas Peruas"...
Depois enveredou para o teatro de encenadores com Moacyr, Góes, Gabriel Villela, Bia Lessa.
O palco continua proporciona o que a TV as telas não te dão?
Sentia que tinha que me preparar, estudar...
Agora, estou apaixonada por cinema, traindo o teatro com audiovisual (risos).
Mas o teatro é uma paixão no sentido bom e mal de tudo que é paixão: te enlouquece.
O período de ensaio é insuportável e é um tesão também.
As descobertas.
O que se vive numa sala de ensaio não se vive em outro lugar.
É paixão, é febre, é tanta coisa que me dá até preguiça de começar uma peça nova (risos).
Sei que eu vou entrar e ser arrebatada e vai ser um pequeno inferno, só vou querer saber disso.
Construiu esse caminho alternativo, fora do mainstream e me disse da outra vez que sentia falta do salário da TV e da visibilidade.
Falta convite?
Cada vez, me convidam menos.
Recusei dois bons porque estava no teatro.
Quando falei que sentia falta da visibilidade e do salário da TV, recebi apoio porque isso mostra a vida de uma atriz mais alternativa, que não faz a comédia do momento para lotar um teatro de de 2000 lugares...
Às vezes, são excelentes, mas às vezes são aquela besteira...
Não tenho contrato com televisão e nem faz publicidade decorrente de novela.
Muita gente acha que atriz de sucesso é só quem faz novela das nove.
Fora isso...
É chato.
Ganho e guardo do meu trabalho, tenho casa própria, plano de saúde, minha filha estuda em escola particular.
Tenho um padrão de vida classe média alta proporcionado por pelos meus pais.
Uma situação financeira que dá para viver bem, sem precisar do salário de televisão.
Mas há, sei lá, 20, 30 atores que não fazem TV nem comerciais e que conseguem sobreviver bem.
Isso é 1% ou, no máximo, 3% da classe teatral.
A maioria tem pensão, renda, herança, marido rico ou tem um plano B, dá aula.
Tenho um grande amigo, puta ator, que faz Uber.
Hoje, cada vez mais gente está falando: "Não se vive de teatro".
O que sente ao analisar o que construiu em sua trajetória de 40 anos de carreira?
Muita coisa! Olho e sinto orgulho das minhas escolhas, das peças, dos filmes que fiz.
Das novelas também.
Por outro lado, saber que não é considerada um nome forte o suficiente para ter um patrocínio X com uma peça que protagonize, é chato.
Acho que estou empatada ali entre o sucesso pessoal e o reconhecimento.
Modéstia à parte, acho que consegui conquistar um certo prestígio a duras penas.
É um lugar que você fala: "Caramba!".
Mas na hora de chamarem...
tem muito essa coisa "tem que ter um nome".
E, aí, eu não sou um nome.
Acho que tenho uma trajetória de uma atriz brasileira legal, bacana.
Não acho incrível.
Mas acho legal, gosto e cuido dela.
