Não se deixe enganar: a queda de qualidade percebida nos primeiros jogos do futebol brasileiro deste pós-Copa está mais relacionada ao estágio em que os jogadores se encontram após 15 dias de férias do que propriamente ao trabalho executado nos clubes.
Ou seja: o nível técnico não piorou de uma hora para outra.
Ocorre que, neste momento, os times são criticados por exibirem um padrão de jogo parecido com o do início da temporada, após o recesso da virada do ano.
Algo que já era esperado pelos profissionais encarregados pela preparação das equipes.
Explico: lembram que os jogadores tiveram de 20 a 25 dias de férias após o término do calendário de 2025? E que a maioria não teve mais de dez dias de pré-temporada para estrear em seus respectivos Estaduais? Pior, aliás: lembram que a primeira rodada da Série A aconteceu no dia 28 de janeiro? Pois, então: a partir daí, e durante 39 dias, os clubes disputaram o Brasileiro (quatro rodadas) no meio da semana e os Estaduais no final.
Uma batida insana, com jogos em intervalos médios de três dias, com uma interrupção de dez para a data-Fifa de março.
A maratona impactou no desempenho de um ou outro time - cada qual arcando com as consequências de suas escolhas.
Mas, só agora, no início da segunda metade do calendário adaptado para um ano de Copa do Mundo, é que os departamentos de saúde e desenvolvimento técnico dos clubes estão conseguindo mensurar necessidades para os 120 dias restantes da temporada.
E levando em consideração o momento de cada um na tabela do Brasileiro ou nas Copas do Brasil e da Conmebol – pressionado pelas carências detectadas e pelo "Transfer-Ban" que os engessa.
Por isso, considerei complexa a leitura que a maioria fez sobre a qualidade dos jogos de ida dos playoffs da Copa do Brasil – em especial ao confronto entre Vasco e Fluminense.
Por não ter expectativa sobre a plasticidade do clássico.
Bastava lembrar o retrospecto dos times em seus cinco mais recentes jogos para concluir que o confronto não poderia mesmo ter sido dos mais virtuosos.
Depois, ser mais crítico com os gestores do Maracanã, cujo gramado se encontra malcuidado.
Por último, considerar as nuances provocadas pelo calendário.
Dificilmente escaparemos da mediocridade nesta reta final do calendário.
E, insisto: como o futebol está a cada dia mais físico, e com times sendo obrigados a entrar em campo a cada 72 horas, é melhor investir em profissionais da ciência esportiva do que em estrangeiros “meia boca”.
