Diante de uma combinação de dados que aponta para uma moderação da atividade econômica e para a continuidade do processo de desinflação, ainda que haja riscos, o Itaú Unibanco adicionou ao seu cenário básico mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic neste ano e, agora, espera que o juro básico encerre o ano em 13,75%, e não mais em 14%.
A mudança na projeção foi feita nesta sexta-feira, na primeira revisão de cenário assinada pelo novo economista-chefe do Itaú e ex-diretor do Banco Central, Diogo Guillen.
“O Banco Central deve preservar a opcionalidade, sem se comprometer com próximos passos.
A evolução do ciclo dependerá do balanço entre um ambiente doméstico mais favorável, com uma janela de dados de desaceleração da atividade e leituras mais benignas de inflação, e da evolução das expectativas de inflação, especialmente nos horizontes mais longos, além do ambiente externo e seus impactos sobre a taxa de câmbio”, afirmam os economistas do Itaú.
Para eles, o processo de flexibilização monetária deve ser retomado em 2027 e levar a Selic a 12,5% no fim do ano.
Tanto a moderação da atividade econômica quanto o processo de desinflação foram incorporados pelo Itaú nas projeções.
No caso da inflação, o banco cortou a projeção para o IPCA deste ano de 5,4% para 5,1%, ao incorporar as leituras recentes mais benignas e a bandeira tarifária verde de energia no fim do ano.
“Seguimos projetando um segundo semestre de inflação menos pressionada na margem, com desaceleração concentrada nos itens mais sensíveis ao petróleo.
A inflação de serviços, em contrapartida, deve permanecer resiliente, com alguma aceleração dos componentes subjacentes no último trimestre, sobretudo em alimentação fora do domicílio”, observam os economistas.
Já para 2027, a estimativa para o IPCA caiu de 4,5% para 4,4%, diante da inércia inflacionária menor, mas há um alerta de que o balanço de riscos “permanece assimétrico para cima” devido ao El Niño.
No campo da atividade econômica, os economistas do Itaú Unibanco observam que a economia perdeu fôlego no segundo trimestre e notam que o “tracking” do banco para o PIB do segundo trimestre aponta para um crescimento de 0,5% na margem e de 2,0% na comparação interanual.
“Embora esses números ainda indiquem uma economia resiliente, o desempenho ficou aquém do que projetávamos anteriormente (2,2% na comparação interanual), especialmente considerando o forte impulso fiscal estimado para o período.”
Em relação à projeção deste ano, o Itaú cortou sua estimativa para o PIB de 2026 de 2,1% para 1,9%, diante da perda de dinamismo da atividade mostrada nos dados de maio do IBGE e nos indicadores coincidentes e no IDAT-Atividade.
Para 2027, o Itaú cortou a projeção de 1,7% para 1,5%, ao incorporar os impactos esperados de um El Niño forte sobre o desempenho da agropecuária no próximo ano.
