Quatro anos depois de posarem lado a lado, durante a campanha de 2022, governadores e vices de ao menos 11 estados não repetirão a foto nas eleições deste ano.
Nestes casos, as alianças não sobreviveram intactas ao período de governo ou foram alteradas por conveniências políticas, que motivaram mudanças na configuração das chapas.
Dos nove chefes do Executivo estadual que disputarão a reeleição, ao menos quatro decidiram trocar seus companheiros de chapa.
É o caso de Jorginho Melo (PL), de Santa Catarina, que teve sua candidatura a mais um mandato à frente do estado confirmada no sábado.
Adriano Silva (Novo) será seu companheiro de chapa no lugar de Marilisa Boehm (PL), após o partido dela romper acordo e lançar dois candidatos ao Senado — Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.
Apesar de ter sido escanteada, Marilisa manteve o apoio ao governador.
No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) não vai ter mais Jade Romero (PT) como vice.
A decisão foi tomada para que o cargo fosse oferecido ao PSD, como forma de ampliar o grupo político do governador.
A vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), foi anunciada na sexta-feira como companheira de chapa do petista.
Por sua vez, no Piauí, o vice-governador Themístocles Filho (MDB) não vai se manter no cargo e vai concorrer a deputado estadual.
A decisão, no entanto, não provocou rompimento entre ele e o governador Rafael Fonteles (PT), já que o MDB vai continuar tendo espaço na chapa com a candidatura à reeleição do senador Marcelo Castro (MDB).
Da mesma forma, o vice-governador de Sergipe, Zezinho Sobral (PSB), não vai concorrer à reeleição e vai disputar o cargo de deputado estadual.
O governador Fabio Mitidieri (PSD) escolheu trocar seu companheiro de chapa por Jefferson Andrade (PSD), presidente da Assembleia Legislativa.
O PSB, no entanto, não vai desembarcar da aliança e abriga Claudio Mitidieri, primo do governador e candidato a deputado federal.
Rompimentos
Além da troca de vice na chapa dos governadores que concorrem à reeleição, há ainda rompimentos políticos que influenciaram as montagens das chapas em alguns estados.
Um dos episódios mais significativos aconteceu no Distrito Federal, onde o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) tentou concorrer ao Senado na chapa de Celina Leão (PP), que era sua vice, mas não conseguiu.
Desgastado pelo caso Master e criticado pela governadora e ex-aliada, Ibaneis desistiu de concorrer às eleições deste ano.
Em outro rompimento entre governador e vice, uma disputa interna no Rio de Janeiro causou a saída do PL do comando do estado.
O ex-governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo para tentar ser senador, mas também desistiu das eleições pela crise do Master.
O vice de Castro, Thiago Pampolha, foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e deixou a cadeira vaga, com o desembargador Ricardo Couto assumindo o cargo.
No Rio Grande do Norte, por sua vez, a governadora Fátima Bezerra (PT) rompeu com seu vice, o emedebista Walter Alves, que apoia o candidato Alyssson Bezerra (União Brasil) em vez de Cadu Xavier (PT).
No Maranhão, o atual governador Carlos Brandão (MDB) também rompeu com o vice-governador Felipe Camarão (PT), que irá concorrer ao posto contra o sobrinho do seu padrinho político, Orleans Brandão (MDB).
Eleitos em 2022 e ainda nos cargos, o chefe do Executivo do Tocantins Wanderlei Barbosa (Republicanos) e seu vice, Laurez (PSD), vão estar em lados opostos nas urnas.
Wanderlei apoia a adversária Professora Dorinha (União Brasil) e articula para que o Republicanos indique a vice.
Em Alagoas, o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), eleito junto com o governador Paulo Dantas (MDB), vai apoiar o adversário do MDB no estado.
Lessa, inclusive, tem articulado para tentar continuar vice-governador, mas na chapa do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), principal concorrente do ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB).
Já em Rondônia o governador Marcos Rocha (PSD) e o vice Sergio Gonçalves (União Brasil) não vão disputar as eleições neste ano, mas os partidos deles vão apoiar candidatos distintos.
Enquanto o PSD lançou Adailton Fúria, o União concorre com Hildon Chaves.
