Após o GLOBO mostrar na edição desta segunda-feira o drama do menino Adriano Álvaro Melo, de 10 anos, várias pessoas se sensibilizaram com a história do jovem gênio, com altas habilidades, que está sem estudar e morando num abrigo abrigo o municipal, após perder o apartamento onde vivia com a mãe, que no final do ano passado foi diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos.
Uma verdadeira rede de solidariedade começou a se formar para ajudar o garoto e a mãe dele, Priscila de Melo.
A mãe do menino contou que nesta segunda-feira foi procurada por algumas pessoas interessadas em fazer doações e disponibilizou uma chave pix, em nome do menino, para quem quiser ajudar (19252032711, Banco do Brasil).
Nas redes sociais vários internautas se manifestaram com interesse de criar vaquinha solidária para ajudar o pequeno gênio.
A primeira oferta de ajuda do outro lado do Oceano Atlântico.
Uma brasileira residente na Suíça fez uma doação em dinheiro, no valor de R$ 2 mil, e se comprometeu a pagar ao menos três mensalidades da escola onde o menino foi matriculado no começo do ano.
Até o começo da tarde, as doações por meio do PIX já tinham chegado a R$ 5 mil.
Alvinho teve de abandonar os estudos numa escola particular de Cabo Frio, na Região dos Lagos, porque a mãe precisou voltar ao Rio para cuidar da saúde e, com isso, perdeu a bolsa de estudos integral que tinha ganhado, após intermediação da direção da casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social.
Uma ONG, localizado no Morro do Turano, que possui um laboratório de robótica também demonstrou interesse em oferecer uma vaga para o menino.
Conheça a história do menino
Aos 7 anos, Adriano Álvaro Melo já traçava um destino promissor.
O pequeno gênio nascido Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, havia desenvolvido o jogo “Super Alvinho”, após participar de um curso on-line de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Sua inteligência e esperteza faziam com que ele despontasse no xadrez e numa turma de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mas a vida resolveu impor obstáculos extras ao futuro do menino que se projetava da favela para o mundo.
Seu último aniversário, de dez anos, em abril passado, foi comemorado numa casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social.
Atualmente, ele está com a mãe, Priscila Melo, de 42 anos, em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte carioca.
Os solavancos na trajetória de Alvinho e Priscila não param de aumentar desde que a mãe foi diagnosticada, em outubro do ano passado, com uma tuberculose resistente aos medicamentos.
Mesmo doente, ela se mudou com o filho, no início de 2026, da capital para a cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, atrás de uma oportunidade de emprego, que acabou frustrada.
Sem condições de arcar com as despesas cotidianas, os dois foram parar numa casa de passagem — a que Alvinho estava no aniversário —, ainda no município do interior do Rio.
Sensibilizado com a história, o diretor da instituição conseguiu para o pequeno uma bolsa de estudos integral numa escola particular.
Alvinho, no entanto, só conseguiu frequentá-la por dois meses, pois a mãe teve que voltar ao Rio para cuidar da saúde na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma vez que não tinha como fazer o acompanhamento necessário na Região dos Lagos.
A mãe conta que a suspeita de que Alvinho pudesse ter uma facilidade incomum de aprendizado surgiu quando ele tinha 3 anos.
Aos 4, no meio da pandemia da Covid-19, ele aprendeu a ler e a escrever com a ajuda do aplicativo GraphoGame, do Ministério da Educação, indicado para crianças do 1º e do 2º ano do ensino fundamental.
Em seguida, um teste confirmou as altas habilidades do pequeno prodígio.
O jogo “Super Alvinho”, por exemplo, foi criado todo em inglês, idioma que ele estudou num aplicativo, e contava a história de um extraordinário cientista que queria usar seus superpoderes para construir robôs agrícolas e pesquisar meios de melhorar a produção e a distribuição de alimentos no planeta.
Sua mente inventiva fez com que o garoto virasse notícia do GLOBO, em dezembro de 2023, quando ele foi palestrante em um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Mas a situação financeira já não era boa.
Na ocasião, Priscila e o filho viviam de favores no Complexo da Maré, após ela perder o apartamento em que morava em Itaboraí, na Região Metropolitana.
A mãe conta que foi vítima de um golpe imobiliário que consumiu o seu sonho de casa própria, o FGTS e a estabilidade do filho — numa questão que está na Justiça até hoje.
Separada e com o filho pequeno, ela se viu sem ter onde morar.
Por um tempo, porém, os ventos até pareciam soprar a favor.
Em fevereiro de 2024, Alvinho chegou a aproveitar uma passagem do presidente Lula pela Maré para entregar a ele uma carta com o projeto de construção de uma escola para atender, dentro da comunidade, crianças com altas habilidades como ele.
O pequeno disputou competições de xadrez e robótica, ganhou troféus e foi até condecorado na Câmara do Rio, em dezembro de 2024, com a Medalha Pedro Ernesto, por seu destaque na educação.
O geniozinho da Maré se tornava, assim, a pessoa mais jovem a receber a comenda.
