O superávit comercial do Canadá diminuiu acentuadamente em julho, com a queda das exportações de produtos de energia e metais e o aumento das importações.
A queda ocorreu poucas semanas antes de as novas tarifas de 50% de Washington começarem a aparecer nas estatísticas, impondo um teste mais difícil aos exportadores canadenses.
O superávit comercial foi de 769 milhões de dólares canadenses (US$ 557 milhões), ante 4,2 bilhões de dólares canadenses no mês anterior, maior nível em quatro anos, informou a Statistics Canada nesta quinta-feira.
Economistas consultados pela Reuters previam superávit de 3,57 bilhões de dólares canadenses em julho.
As exportações caíram 2,3%, enquanto as importações aumentaram 2,2%.
Em meio à escalada da disputa comercial com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Canadá vem buscando reduzir sua dependência do país vizinho e seu maior parceiro comercial.
Os EUA responderam por 66,35% do total das exportações canadenses em julho, abaixo dos 69,39% registrados em junho e dos 72,64% de um ano antes.
No entanto, a dependência canadense das importações dos EUA diminuiu apenas para 59% nos últimos 12 meses, ante 62% em 2024.
Os números de julho, que marcaram o quinto superávit comercial mensal consecutivo do Canadá, prolongaram um período de relativa resiliência do comércio canadense, apesar de mais de um ano e meio de tarifas americanas.
As tarifas mais recentes de Washington, impostas no mês passado, porém, representarão um teste mais difícil para os exportadores nos próximos meses.
A queda das exportações em julho foi puxada principalmente pelos produtos de energia, que representam quase um quarto do total exportado pelo Canadá e dos quais 95% costumam ter como destino os Estados Unidos.
O valor dessas exportações caiu 4,4% em julho, terceiro recuo mensal consecutivo, depois que as vendas externas de petróleo bruto diminuíram 5,5%, com quedas tanto nos preços quanto nos volumes, informou a Statistics Canada.
As exportações de metais e produtos minerais não metálicos, que haviam aumentado 15,8% no mês anterior, também recuaram 8,5% em julho.
Como resultado, as exportações totais do Canadá caíram para 76,14 bilhões de dólares canadenses, ante 77,96 bilhões de dólares canadenses em junho.
Excluindo metais e energia, porém, as exportações aumentaram 0,6% em julho.
A queda geral das exportações em julho foi parcialmente compensada pelo aumento das vendas externas de aeronaves e de outros equipamentos e peças de transporte, que saltaram 34,9%.
As importações aumentaram para 75,37 bilhões de dólares canadenses em julho, ante 73,76 bilhões de dólares canadenses, de acordo com a Statistics Canada, acrescentando que essa foi a sexta alta mensal consecutiva.
O avanço foi puxado por um aumento de 11,4% nas importações de veículos automotores e peças, principalmente dos Estados Unidos.
As exportações para os EUA caíram 6,6% em julho, enquanto as importações provenientes do país aumentaram 1,8%, reduzindo em mais de 40% o superávit comercial do Canadá com seu principal parceiro, para 5,9 bilhões de dólares canadenses.
Bandeiras enfeitam a usina siderúrgica ArcelorMittal Dofasco enquanto as tensões comerciais se intensificam devido às tarifas dos EUA e às medidas de retaliação do Canadá, em Hamilton, Ontário, Canadá, em 24 de agosto de 2026
REUTERS/Carlos Osorio//Foto de arquivo
Stuart Bergman, economista-chefe da Export Development Canada, agência oficial de crédito à exportação do país, afirmou que manter abaixo de 70% a parcela das exportações canadenses destinadas aos Estados Unidos era uma tendência encorajadora.
“A força da gravidade, por si só, atrai os exportadores para o mercado dos EUA”, disse Bergman, acrescentando, porém, que houve esforços coordenados para direcionar parte dessa força para outros mercados.
Ele citou o aumento das exportações agrícolas, especialmente de canola para China e Japão.
No acumulado do ano, a parcela das exportações destinadas aos Estados Unidos está em cerca de 68%, ante 73% no mesmo período do ano anterior.
As exportações para países além dos Estados Unidos aumentaram 7,4%, enquanto as importações cresceram 2,8%, deixando o Canadá com um déficit comercial de 5,1 bilhões de dólares canadenses com esses países, ante 6,1 bilhões de dólares canadenses no mês anterior.
O dólar canadense operava em alta de 0,35%, a 1,3792 dólar canadense por dólar americano, ou 72,51 centavos de dólar americano.
