O anúncio do governo americano, de retirar a tarifa de 26,4% sobre a importação de 300 mil toneladas de carne bovina moída como tentativa de reduzir o preço do produto internamente, poderá beneficiar diretamente os frigoríficos brasileiros e ajudar a compensar parcialmente o fim da cota chinesa.
O mercado ainda aguarda a publicação da regulamentação dessa isenção, mas analistas projetam que o Brasil poderá abocanhar até 40% do volume autorizado para exportação sem tarifa, ou seja, até 120 mil toneladas.
Essa é a perspectiva de Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado.
Segundo ele, o Brasil está bem posicionado em termos de plantas habilitadas para vender para lá e de potencial de oferta de carne magra, para suprir a demanda americana, principalmente de olho no ground beef, a carne moída.
"As 300 mil toneladas não são uma cota destinada ao Brasil.
Ainda faltam detalhes oficiais sobre países elegíveis, produtos contemplados e mecanismo de distribuição", relatou Iglesias.
Para ele, se não houver divisão dessa "cota" entre os fornecedores e valer a regra de "quem chegar primeiro", o Brasil apresenta condições competitivas para capturar parcela relevante do volume isento.
Nas contas dele, os frigoríficos brasileiros poderão preencher de 30% a 40%do volume total, entre 90 mil toneladas e 120 mil toneladas.
"Como cenário intermediário, 100 mil toneladas é uma referência plausível para simulações", disse Iglesias.
De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 223,8 mil toneladas de carne bovina para os americanos, quase 88% disso in natura.
O faturamento total das exportações nos sete primeiros meses de 2026 foi de US$ 1,5 bilhão.
O Brasil tem demonstrado nos últimos anos a capacidade de antecipar operações diante de oportunidades tarifárias para os EUA.
A cota isenta, compartilhada com vários outros países, de 52 mil toneladas foi ocupada em apenas cinco dias em janeiro de 2026.
São 50 unidades com habilitação para exportar para os americanos.
Fernando Iglesias destacou que o anúncio do presidente Donald Trump, da importação isenta, pode ajudar a compensar parcialmente as limitações impostas pela salvaguarda chinesa e ampliar a diversificação dos destinos da carne bovina brasileira.
Recentemente, a China anunciou que o Brasil atingiu 90% da cota de 1,106 milhão de toneladas de 2026.
Dados do governo chinês mostram que já foram internalizadas 1,031 milhão de toneladas até esta quinta-feira (20/8).
O anúncio do preenchimento total do volume autorizado para este ano deve ocorrer nos próximos dias.
Por outro lado, se o Brasil conseguir direcionar volumes próximos a 100 mil toneladas adicionais aos EUA, o cenário pode ser de redução de disponibilidade doméstica de carne e de sustentação dos preços da arroba.
A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) era embarcar até 400 mil toneladas para os americanos neste ano, sem considerar essa isenção.
Suspensão de tarifas para importação de carne nos EUA pode beneficiar frigoríficos brasileiros
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