O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na manhã deste sábado (22) que apoia o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) na corrida à Presidência da República, mas que também pode 'capturar' o voto do eleitor do presidentente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa à reeleição do estado.
Questionado pelo GLOBO durante agenda de campanha, Tarcísio reconheceu que espera pelo eleitorado de Lula.
— Minha ideologia são as pessoas, esse sempre foi o meu objetivo, a gente sempre vai procurar dar resultado para aquelas pessoas que apostam no nosso governo, que aprovam o nosso governo, que não aprovam o nosso governo, a gente quer levar a política pública para todos (...).
A gente está trabalhando para as pessoas, o resto é consequência.
E aí, claro, a gente acaba capturando também votos de pessoas que estão pensando na presidência da República no outro candidato, mas a gente aqui vai estar junto do Flávio, vamos acompanhar bastante a trajetória dele — afirmou o governador.
A afirmação ocorreu durante visita à Usina Pedreira, na Vila Emir, região Sul de São Paulo.
Na sequência, o governador participou do lançamento da candidatura de Regina Nunes (MDB), primeira-dama da capital paulista, à deputada estadual.
Tarcísio tem dito a aliados que sua campanha detectou eleitores do presidente Lula dispostos a votar nele.
Na avaliação do governador, são paulistas que não vêm chances de o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), superá-lo, mas que também não apoiam a empreitada eleitoral de Flávio.
De olho nesses eleitores, mas também sem o desejo de "entrar de cabeça" na campanha de Flávio, Tarcísio tem modulado o discurso, focado em apresentar números de sua gestão e evitado falar sobre 2030.
Desde antes do início da campanha, sobretudo após a divulgação da relação de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, preso no âmbito dos escândalos do caso Master, Tarcísio tem mantido uma "distância segura" de Flávio, nas palavras de um aliado do governador.
Apesar isso, continua realizando agendas esporádicas ao lado do senador, como ocorreu em parte da quinta-feira, em São Paulo.
Com três agendas na capital naquele dia, Flávio só teve o acompanhamento do governador na última.
Tarcísio também foi questionado neste sábado sobre as possíveis ausências de Lula e Flávio no debate que a TV Band vai promover domingo.
— Gostaria de vê-los.
Acho que isso é uma questão de estratégia eleitoral, tem a ver com posição na pesquisa e aí cada grupo acaba definindo qual é a melhor estratégia, mas o cidadão demanda saber qual é a direção que a gente vai tomar, qual é o plano para o Brasil.
A gente tem uma série de desafios e é necessário que a gente tenha capacidade de construir consenso em torno de alguns temas que são importantes.
Quando o candidato se apresenta é melhor — afirmou o governador.
Falta de apoio do Centrão
Na quinta (20), Tarcísio participou de sabatina dos jornais O GLOBO e Valor e da Rádio CBN, em que minimizou a falta de apoio dos partidos do "Centrão" ao aliado Flávio na disputa presidencial contra Lula e que concorda em discutir o "instrumento válido" do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), desde que não ocorra uma "personalização do debate".
— Confio absolutamente na segurança das urnas, acho que isso não é mais pauta e não deve ser.
A gente tem que falar de outras pautas.
Vamos falar de Casas Bahia, olha a situação do empreendedor brasileiro, que luta contra o vento contra, que faz o possível para sobreviver e está sofrendo com a insegurança jurídica e com a taxa de juros.
Olha o produtor rural, que está sofrendo com os juros e o câmbio — disse.
Também em atitude de distanciamento da base mais radical do bolsonarismo, Tarcísio apontou ser possível rever o processo de impeachment de ministros do STF, mas sem "personalizar o debate".
Aliados do ex-presidente concorrem este ano ao Senado com discurso aberto pelo afastamento de Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e do processo que levou à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de estado.
Datafolha
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta (21) aponta que o governador Tarcísio segue liderando a disputa pela reeleição contra Haddad.
O atual ocupante do cargo obteve 45% das intenções de voto no levantamento, contra 27% de Haddad (PT), o segundo colocado.
A diferença entre os dois se manteve praticamente estável em relação à situação de julho, quando Tarcísio recebeu 46% das intenções de voto no levantamento, contra 30% de Haddad.
Em março, quando o instituto realizou seu primeiro levantamento deste ano, Tarcísio tinha 44%, ante 31% de Haddad.
Outros três pré-candidatos aparecem em um distante segundo pelotão.
Vera Lucia (PSTU) com 4%, Carlos Machado (PCB) e Policial Edjane (Agir) ficaram com 3% e Vivian Mendes (UP) com 2%.
Izadora Dias (PCO) marcou 1%.
Brancos, nulos e os que afirmam que não votarão em ninguém somaram 11%, e 4% dos entrevistados se declararam indecisos.
